Depois da menopausa: um tipo de exercício chamou atenção por seus efeitos no cérebro

Esquecer por que entrou em um cômodo, perder o fio de uma conversa ou sentir mais dificuldade para organizar várias tarefas ao mesmo tempo pode ser frustrante. Na menopausa, algumas mulheres percebem mudanças desse tipo e ficam preocupadas.

Mas nem toda dificuldade de concentração significa perda de memória.

O cérebro também depende das chamadas funções executivas, que ajudam a planejar, manter o foco, mudar de uma tarefa para outra e tomar decisões.

Uma nova pesquisa sugere que exercícios aeróbicos, aqueles que aceleram a respiração e os batimentos cardíacos, como caminhada rápida, corrida, bicicleta, natação ou dança, podem ser especialmente úteis para essas habilidades depois da menopausa.

O que melhorou no cérebro depois da menopausa

O estudo acompanhou 93 mulheres saudáveis, entre 20 e 67 anos. Cerca de 43% estavam na pós-menopausa, e nenhuma das participantes fazia exercícios regularmente no início da pesquisa.

Durante seis meses, parte delas passou a fazer exercícios aeróbicos. O restante participou de atividades de alongamento e tonificação.

A diferença apareceu principalmente entre as mulheres que já haviam passado pela menopausa.

Elas tiveram melhora maior nos testes que avaliavam a capacidade de alternar entre tarefas e lidar com erros, duas habilidades importantes para o funcionamento no dia a dia.

Os primeiros ganhos foram percebidos após três meses e continuaram até o fim do programa.

O efeito foi mais específico

A melhora não apareceu em todas as habilidades cognitivas. Memória e velocidade de processamento, por exemplo, não tiveram ganhos semelhantes aos observados nas funções executivas.

Na prática, as melhoras envolviam coisas como conseguir se concentrar em uma tarefa, organizar o que precisa ser feito, planejar o dia e mudar de uma atividade para outra sem perder o foco.

O trabalho também não permite dizer que o exercício previne Alzheimer. As participantes foram acompanhadas por seis meses, período insuficiente para avaliar o risco de demência no futuro.

Não é preciso começar com exercícios intensos

Na pesquisa, as sessões duravam cerca de uma hora, incluindo aquecimento e alongamento. Desse tempo, aproximadamente 45 minutos eram dedicados à atividade aeróbica moderada, três a quatro vezes por semana.

Esse tipo de atividade pode ser uma caminhada rápida, bicicleta, natação ou dança, por exemplo.

Para quem está parada, não é preciso começar nesse ritmo. A intensidade pode ser aumentada aos poucos, conforme o condicionamento e, quando necessário, com orientação profissional.

O resultado é animador, mas ainda não é uma certeza

Publicado no Journal of Alzheimer’s Disease, o estudo sugere que o exercício aeróbico pode favorecer algumas funções cognitivas depois da menopausa.

Mas a amostra foi pequena, e ainda não está claro quanto do resultado está relacionado à menopausa e quanto pode ser explicado pelo envelhecimento. Também não é possível dizer que todas as mulheres terão o mesmo benefício.

Para quem passou pela menopausa e está pouco ativa, manter uma atividade aeróbica regular pode ajudar a cuidar da saúde do coração, do condicionamento físico e de habilidades importantes para o dia a dia.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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