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A lesão que quase tirou Tostão da Copa de 1970: quando uma bolada pode ameaçar a visão
O problema ocular enfrentado pelo craque ajuda a entender por que impactos nos olhos exigem atenção imediata
Uma bolada no olho pode parecer um lance comum no futebol. Mas, em alguns casos, o impacto é suficiente para provocar lesões internas graves e mudar o curso de uma carreira.
Foi exatamente o que aconteceu com Tostão, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, que viveu um dos episódios mais delicados de sua trajetória pouco antes da Copa do Mundo de 1970.
O caso chama atenção até hoje não apenas pelo impacto esportivo, mas pelo que ele ajuda a explicar na medicina: traumas oculares aparentemente simples podem esconder lesões importantes na retina.
A lesão que quase tirou Tostão da Copa de 1970
Em setembro de 1969, durante uma partida entre Cruzeiro e Corinthians, no Pacaembu, Tostão foi atingido de raspão no olho esquerdo por uma bola chutada pelo zagueiro Ditão.
O lance parecia comum, mas o diagnóstico veio pouco depois: descolamento de retina.
Na época, o jogador do Cruzeiro já era uma das principais estrelas do futebol brasileiro e peça importante da seleção brasileira que se preparava para a Copa do Mundo de 1970, que entraria para a história com o tricampeonato.
Tostão conseguiu se recuperar a tempo de disputar o Mundial do México e ajudou o Brasil a conquistar o tricampeonato.
Mesmo assim, os problemas oculares continuaram ao longo da carreira e contribuíram para sua aposentadoria precoce dos gramados, aos 26 anos.
Depois do futebol, ele seguiu outro caminho. Formou-se em medicina e se tornou um dos mais respeitados colunistas esportivos do país.
O que é descolamento de retina e por que é urgente?
A retina é uma fina camada localizada no fundo do olho. Ela capta as imagens e envia os sinais ao cérebro.
No descolamento de retina, essa camada se separa da região onde deveria estar fixada, interrompendo seu funcionamento.
Segundo o oftalmologista Miguel Zaidan, o problema pode ocorrer após traumas, como uma bolada, especialmente em pessoas com miopia alta.
“Isso acontece com mais facilidade em pessoas com miopia alta, que já têm uma retina mais esticada e mais vulnerável”, afirma.
Sem tratamento rápido, o descolamento pode evoluir e comprometer a visão de forma permanente.
Quais sinais exigem atenção após uma pancada no olho?
Após um trauma ocular, alguns sintomas podem indicar lesão na retina e exigem avaliação médica rápida.
- aparecimento súbito de pontos pretos ou “moscas volantes” na visão;
- percepção de flashes de luz ou clarões sem fonte luminosa;
- sensação de sombra ou “cortina” no campo visual;
- visão embaçada ou perda de nitidez após o impacto;
- perda parcial da visão.
Essas alterações não significam necessariamente um descolamento de retina, mas indicam que algo precisa ser investigado.
“Mesmo um trauma leve pode desencadear um descolamento em pessoas predispostas, especialmente em pacientes com miopia alta ou alterações prévias na retina”, explica o oftalmologista.
O que mudou no tratamento hoje?
A oftalmologia evoluiu muito nas últimas décadas.
Hoje, técnicas como cirurgia vitreorretiniana com gás intraocular ou óleo de silicone permitem reposicionar a retina e estabilizar o quadro.
O prognóstico depende principalmente da rapidez no atendimento. Quanto mais cedo o tratamento, maiores as chances de preservação da visão.
“Dependendo da extensão, ainda pode haver recuperação ou limitações. O tratamento hoje é muito mais avançado do que no passado”, destaca o especialista.
Uma bolada nem sempre é apenas uma bolada
A história de Tostão atravessou gerações pelo talento em campo, mas também revela o outro lado dos traumas oculares.
Um lance aparentemente simples terminou em cirurgia e uma recuperação prolongada, mostrando como o olho pode ser mais vulnerável do que parece.
O descolamento de retina é uma urgência oftalmológica porque pode evoluir rapidamente e comprometer a visão de forma permanente.
Por isso, alterações na visão após um trauma ocular devem ser avaliadas sem demora.
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