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Bater educa? Psicóloga explica o que fazer na hora da crise
Pesquisa mostra que 91% dos brasileiros consideram a conversa a melhor forma de educar; para Mayra Gaiato, o desafio é transformar essa percepção em estratégias práticas para lidar com conflitos, frustrações e comportamentos difíceis na infância.
Existe um dado recente sobre a forma como educamos nossas crianças que deveria nos fazer pensar.
Uma pesquisa divulgada em julho pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest, ouviu 2.202 brasileiros e mostrou que 91% consideram a conversa a melhor forma de educar.
Ao mesmo tempo, 62% admitem já ter gritado com uma criança, 49% já deram tapas e 27% afirmam ter usado objetos para bater.
Essa contradição me chama muito a atenção como psicóloga.
A maioria das pessoas sabe que bater não é o melhor caminho. O problema aparece quando estamos diante da criança que grita no supermercado, joga o brinquedo no chão, bate no irmão ou recebe um “não” e entra em uma crise.
É nesse momento que o conhecimento precisa virar repertório.
Como educar sem bater diante dos comportamentos difíceis
Na Análise do Comportamento, partimos de uma pergunta importante: o que essa criança está tentando comunicar ou conseguir por meio desse comportamento?
Isso não significa permitir tudo. Significa compreender antes de agir.
Uma criança pequena que grita porque quer um brinquedo ainda está aprendendo a lidar com a frustração.
Se eu bato para fazê-la parar, posso até interromper o comportamento naquele momento, mas não ensinei o que ela poderá fazer quando sentir a mesma frustração novamente.
É aí que estratégias da ABA Naturalista, baseadas na Análise do Comportamento Aplicada em situações do cotidiano, podem ajudar.
Podemos ensinar comportamentos alternativos dentro das situações reais da vida.
Se a criança grita para pedir algo, ensinamos formas adequadas de pedir.
Se bate porque não consegue comunicar que quer uma brincadeira de volta, ajudamos a construir essa comunicação.
Se tem dificuldade para esperar, começamos com períodos pequenos e aumentamos gradualmente.
Quando ela consegue utilizar uma resposta mais adequada, reforçamos aquele comportamento.
Educar também é ensinar limites
Educar também envolve estabelecer limites.
Uma criança pode ouvir “não”, esperar, cumprir combinados e lidar com consequências. Disciplina não é sinônimo de violência.
E precisamos olhar também para os adultos.
Um pai cansado, sobrecarregado e sem repertório tem mais dificuldade para regular a própria reação diante de um comportamento desafiador.
Isso não justifica a agressão, mas mostra por que simplesmente dizer “não bata” é insuficiente.
Precisamos ensinar alternativas.
Talvez os 91% que defendem o diálogo mostrem que uma mudança cultural já começou. Agora temos outro desafio: fazer com que aquilo em que acreditamos apareça justamente nos momentos mais difíceis.
Porque o objetivo da educação não deveria ser fazer uma criança parar por medo.
Deveria ser ajudá-la a aprender o que fazer no lugar daquele comportamento.
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