Estudo de quase 15 anos revela o que pode estar por trás de um envelhecimento mais lento

Ter amigos por perto, conviver com a família ou participar de algum grupo pode ter efeitos que vão além do bem-estar.

Um estudo recente sugere que essas experiências também podem estar relacionadas à maneira como o corpo envelhece.

O trabalho acompanhou 1.309 adultos americanos por quase 15 anos. Nesse período, 150 participantes morreram.

Quem relatou mais experiências sociais positivas, como casamento e participação em grupos ou reuniões, apresentou sinais de envelhecimento epigenético mais lento e menor risco de morte.

O termo pode parecer complicado, mas a ideia é simples. O envelhecimento epigenético é uma forma de estimar a idade biológica do corpo por meio de alterações químicas nas células.

Quando esses marcadores indicam um envelhecimento mais rápido do que o esperado para a idade da pessoa, fala-se em aceleração do envelhecimento biológico.

O que acontece com quem vive mais adversidades?

Experiências negativas também chamaram atenção, principalmente quando aconteceram durante a infância.

Algumas adversidades, como abandonar os estudos, estiveram associadas a maior risco de morte e a sinais de aceleração do envelhecimento epigenético.

Problemas relacionados ao uso de drogas pelos pais também apareceram ligados a alterações em determinados marcadores.

Isso reforça uma ideia importante sobre o envelhecimento: a história do corpo começa muito antes da velhice.

As condições vividas na infância podem influenciar a saúde muitos anos depois. Isso não significa, porém, que uma experiência difícil determine o futuro de alguém.

O estresse também entrou na conta

Os pesquisadores avaliaram ainda o impacto acumulado do estresse no organismo. Para isso, usaram uma medida chamada carga alostática, que reúne sinais de alterações em diferentes sistemas do corpo, como inflamação, coração, metabolismo e resposta ao estresse.

Na prática, quanto maior essa carga, maior o desgaste observado no organismo em razão do estresse prolongado ou repetido.

As pessoas que relataram mais experiências sociais negativas apresentaram níveis mais altos dessa medida. Algumas adversidades também estiveram relacionadas a alterações na inflamação e no funcionamento do coração e do metabolismo.

Mas esse fator explicou apenas uma pequena parte da diferença no risco de morte observada no estudo.

A associação mais forte apareceu nos marcadores usados para estimar o envelhecimento biológico, especialmente o GrimAge2.

Isso sugere que a velocidade com que o organismo envelhece pode ajudar a explicar parte da relação encontrada entre experiências sociais e mortalidade.

Envelhecimento mais lento: a vida social também faz parte da saúde

Publicado na revista npj Aging, o estudo reforça uma ideia que vem ganhando espaço na ciência: as relações que construímos ao longo da vida podem estar ligadas à maneira como envelhecemos e até ao risco de morte.

Não é preciso ter uma vida social intensa. Manter uma relação próxima, conviver com a família, participar de um grupo ou ajudar outras pessoas são formas de conexão que podem fazer parte de um envelhecimento saudável.

No fim, cuidar da saúde também passa por aquilo que acontece fora do prato, da academia e do consultório.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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