Mais vulnerável a golpes? O que 3 dias com pouca fibra podem fazer com sua memória

A memória não começa a falhar apenas por causa da idade. O que está no prato também pode pesar, e mais rápido do que muita gente imagina.

Pesquisas recentes indicam que poucos dias com alimentação pobre em fibras já são suficientes para prejudicar um tipo específico de memória ligada às emoções. É aquela que nos ajuda a aprender com experiências negativas, reconhecer riscos e evitar decisões que podem trazer prejuízo.

Não se trata apenas de esquecer nomes ou compromissos. É uma memória associada à proteção.

Fibra e memória: o que muda no cérebro

Esse tipo de memória depende de uma pequena região cerebral chamada amígdala, responsável por associar situações a consequências — especialmente quando envolvem medo ou perigo.

Quando essa área não funciona bem, fica mais difícil perceber ameaças, avaliar riscos ou evitar repetir erros.

Em pessoas idosas, isso pode significar maior vulnerabilidade a golpes, decisões impulsivas ou dificuldades de adaptação a situações novas.

O que chamou a atenção dos pesquisadores é que o impacto não estava ligado apenas ao excesso de gordura ou açúcar.

Para entender melhor, eles testaram diferentes versões de dietas industrializadas em animais jovens e idosos. Variava a quantidade de gordura e açúcar, mas o efeito no cérebro envelhecido era semelhante.

O único ponto em comum entre todas elas era a ausência de fibra.

A ligação entre intestino e memória

A explicação pode começar no intestino.

Quando comemos alimentos ricos em fibras, as bactérias que vivem ali produzem substâncias que ajudam a manter o corpo em equilíbrio.

Uma delas é o butirato, que tem ação anti-inflamatória e pode chegar até o cérebro.

Quando a alimentação tem pouca fibra, a produção dessa substância cai.

Com menos butirato circulando, o cérebro envelhecido pode ficar mais sensível a inflamações e funcionar com menos eficiência.

Em experimentos com animais, essa mudança apareceu rapidamente — em apenas três dias de dieta pobre em fibras — e antes mesmo de qualquer ganho de peso relevante.

Isso mostra que o impacto não depende necessariamente da obesidade para começar.

Por que isso importa na vida real

A memória emocional é fundamental para a autonomia.

Ela permite aprender com experiências negativas, evitar situações perigosas e tomar decisões financeiras mais seguras. Quando falha, aumentam riscos como:

  • cair em golpes;
  • repetir comportamentos prejudiciais;
  • subestimar perigos;
  • ter mais dificuldade para se adaptar a mudanças.

Esse tipo de prejuízo pode ser sutil no início, mas tem impacto direto na independência do idoso.

O que isso reforça na prática

Embora os dados venham de pesquisas experimentais e ainda precisem ser aprofundados em humanos, eles reforçam algo que especialistas em nutrição já defendem há anos: fibra não é importante apenas para o intestino.

Ela participa de processos ligados à inflamação, ao metabolismo e possivelmente à saúde do cérebro.

Na alimentação cotidiana, boas fontes de fibra incluem:

  • frutas;
  • verduras e legumes;
  • feijão, lentilha e grão-de-bico;
  • aveia;
  • sementes e grãos integrais.

Dietas baseadas principalmente em produtos ultraprocessados costumam ter baixa quantidade de fibra, mesmo quando parecem equilibradas em calorias.

No envelhecimento, pequenos hábitos podem fazer grande diferença. E incluir fibras no prato pode ser um deles.

Os resultados foram publicados na revista científica Brain, Behavior, and Immunity.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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