Por meses, Lex Banach tentou entender por que seu corpo parecia não responder mais.
A alimentação continuava a mesma. Os exercícios também. Era justamente a rotina que havia ajudado a jovem a perder peso antes.
Mesmo assim, a balança começou a subir.
Em apenas seis meses, a norte-americana de 29 anos ganhou quase 18 quilos.
Junto com o peso vieram outros sinais que deixaram tudo ainda mais difícil: cansaço extremo, dificuldade para se concentrar e a sensação de que ela já não era a mesma pessoa.
“Eu me sentia como se estivesse ficando louca, porque não sabia o que estava acontecendo com meu corpo”, contou Lex.
Moradora de Milwaukee, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, ela havia conseguido perder cerca de 9 quilos em 2020 com mudanças na alimentação e na rotina de exercícios.
Depois de manter o peso por aproximadamente um ano, algo mudou.
Em seis meses, ela recuperou quase 18 quilos.
Ela tentou encontrar a causa, mas nada explicava o ganho de peso
Como seus hábitos continuavam praticamente iguais, Lex começou a buscar uma explicação.
A primeira suspeita foi a pílula anticoncepcional. Na época, ela decidiu interromper o uso do contraceptivo, influenciada também por uma tendência que incentivava algumas pessoas a abandonar o método.
Mas o peso continuou aumentando.
Enquanto isso, outros sinais começaram a aparecer.
Lex precisava tirar cochilos todos os dias porque se sentia exausta. Também percebeu mudanças no humor e uma dificuldade que nunca havia enfrentado antes: controlar alguns impulsos relacionados à comida.
Ela contou ao jornal britânico The Sun que, muitas vezes, dizia a si mesma que comeria apenas um biscoito, mas acabava consumindo todo o pacote.
“Eu simplesmente não me sentia mais eu mesma. Eu não era mais tão alegre e comecei a perder a paciência com meu parceiro”, relatou.
Foi então que decidiu procurar ajuda médica.
O problema estava acontecendo todas as noites, enquanto ela dormia
Durante a investigação, os médicos levantaram uma possibilidade que Lex não havia considerado. A causa poderia estar no sono.
Ela realizou um estudo do sono, exame que monitora sinais como respiração, níveis de oxigênio e frequência cardíaca durante a noite.
O resultado trouxe a resposta.
Lex descobriu que tinha apneia obstrutiva do sono, uma condição em que as vias respiratórias podem se fechar parcialmente ou totalmente durante o sono, interrompendo a passagem de ar.
No caso dela, a respiração era interrompida, em média, a cada oito minutos.
O exame também mostrou que ela acordava 68 vezes durante a noite.
“Eu fiquei aliviada por finalmente ter uma resposta, mas surpresa ao saber que era considerado um caso leve, porque o impacto na minha vida tinha sido enorme”, disse.
Ganho de peso sem explicação / Crédito: SWNS
Como um problema no sono pode influenciar o peso
A apneia do sono costuma ser lembrada pelo ronco alto, mas seus efeitos podem ir além.
Quando uma pessoa passa a noite tendo interrupções repetidas na respiração, o descanso deixa de ser realmente reparador.
Isso pode afetar a energia durante o dia, o humor e mecanismos relacionados à fome e à saciedade.
Na prática, alguém pode se sentir mais cansado, ter menos disposição para se movimentar e enfrentar mais dificuldade para manter alguns hábitos.
Isso não significa que todo ganho de peso tenha relação com a apneia.
Mas quando a mudança vem acompanhada de ronco intenso, pausas na respiração durante o sono, cansaço persistente e dificuldade de concentração, vale investigar.
O tratamento mudou a vida de Lex, mas o problema voltou
Após o diagnóstico, Lex começou a usar um aparelho chamado CPAP.
O equipamento envia um fluxo contínuo de ar por uma máscara durante o sono para manter as vias respiratórias abertas.
A mudança foi percebida ao longo dos meses.
Em cerca de um ano usando o aparelho, ela perdeu aproximadamente 30 quilos.
Um novo estudo do sono mostrou que a apneia havia melhorado a ponto de os médicos considerarem o quadro revertido naquele momento.
Mas o resultado não durou para sempre.
Em abril de 2024, Lex precisou devolver o equipamento. Depois de perder o plano de saúde nos Estados Unidos, ela não conseguiu acesso imediato a um novo CPAP quando os sintomas voltaram.
Em maio de 2025, ela voltou a apresentar sinais da condição e ganhou cerca de 9 quilos novamente.
Enquanto tenta recuperar o tratamento, Lex busca lidar com os sintomas usando estratégias como meditação e ioga.
Por meses, ela tentou encontrar um erro na própria rotina. A alimentação continuava a mesma, os exercícios também, mas havia algo acontecendo longe dos olhos.
Durante a noite, enquanto dormia, seu corpo enfrentava um problema que ela ainda não conhecia.