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Golpe do falso médico: a ligação parecia do hospital e a família perdeu R$ 25 mil
Uma ligação inesperada, um pedido urgente de pagamento e a promessa de acelerar uma cirurgia. Em meio ao medo e à preocupação com a saúde de um familiar, muitas pessoas acabam acreditando que estão falando com médicos ou representantes de hospitais, e é justamente aí que começa o golpe.
Casos envolvendo o chamado golpe do falso médico têm se espalhado pelo Brasil. Em algumas situações, criminosos usam informações reais sobre pacientes internados, se passam por profissionais de saúde e convencem famílias a fazer transferências bancárias ou pagamentos via PIX.
Mas os golpes não param por aí.
Em outros casos, pessoas sem qualificação adequada atendem pacientes usando registros irregulares ou oferecendo tratamentos sem respaldo científico.
O problema é que muitas vítimas só percebem a fraude depois de sofrer prejuízos financeiros ou complicações de saúde.
O aumento do uso de aplicativos de mensagem, atendimentos online e informações pessoais expostas na internet ajudou esse tipo de fraude a se espalhar mais rapidamente nos últimos anos.
Saber identificar os sinais de alerta pode evitar problemas graves.
Como funciona o golpe do falso médico?
Os casos mais recentes mostram que esse tipo de fraude nem sempre envolve alguém fingindo exercer a medicina dentro de um consultório.
Em muitos episódios, criminosos entram em contato com familiares de pacientes internados e usam informações verdadeiras sobre exames, cirurgias ou tratamentos para tornar a fraude mais convincente.
Normalmente, o golpista se apresenta como médico, integrante da equipe do hospital ou representante administrativo da unidade de saúde.
Em seguida, afirma que existe uma cobrança urgente relacionada ao procedimento, à liberação de exames ou à continuidade do tratamento.
A pressão emocional é um dos pontos centrais do golpe.
Como a família já está fragilizada e preocupada com o estado de saúde do paciente, muitas vezes acaba realizando pagamentos sem confirmar a informação diretamente com o hospital.
Caso recente chamou atenção para esse tipo de golpe
O problema ganhou ainda mais atenção após casos recentes divulgados pela imprensa brasileira.
Em uma ocorrência investigada em Minas Gerais, uma família perdeu R$ 25 mil depois de receber uma cobrança falsa relacionada a uma cirurgia hospitalar.
Segundo a polícia, o criminoso utilizava informações reais sobre o tratamento da paciente para dar credibilidade à fraude.

Por que esse golpe consegue enganar tantas pessoas?
O sucesso desse tipo de fraude geralmente está ligado à combinação de três fatores:
- urgência emocional, principalmente em situações de internação ou cirurgia;
- uso de informações reais sobre pacientes e hospitais;
- uso da autoridade associada a médicos e hospitais, que faz muitas pessoas acreditarem rapidamente na abordagem.
Além disso, os criminosos costumam agir de forma convincente, utilizando linguagem técnica, documentos falsos, nomes de profissionais reais e até números de telefone que parecem legítimos.
Isso faz com que até pessoas cuidadosas tenham dificuldade para perceber a fraude rapidamente.
Os golpes vão além das falsas cobranças hospitalares
Embora os casos envolvendo hospitais tenham ganhado destaque recente, o golpe do falso médico também pode acontecer de outras formas.
Existem situações em que pessoas sem formação adequada atendem pacientes em clínicas, consultórios improvisados ou pelas redes sociais, oferecendo diagnósticos, tratamentos e procedimentos sem autorização legal.
Entre os sinais de alerta mais comuns estão:
- consultas extremamente rápidas e superficiais;
- promessas de resultados garantidos ou muito rápidos;
- tratamentos “milagrosos” sem comprovação científica;
- pressão para comprar procedimentos caros;
- resistência em informar o número do CRM;
- ambientes sem estrutura mínima de atendimento.
Além do prejuízo financeiro, esse tipo de situação pode atrasar diagnósticos corretos e colocar a saúde do paciente em risco.
Leia também: Cartão do SUS pelo CPF: como consultar, acessar a versão digital e atualizar dados
Como verificar se o médico é realmente registrado?
Todo médico que atua legalmente no Brasil precisa ter registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Esse número pode ser consultado gratuitamente nos sites dos Conselhos Regionais ou do Conselho Federal de Medicina.
Antes de marcar uma consulta ou realizar qualquer procedimento, vale confirmar:
- se o profissional realmente existe;
- se o registro está ativo;
- se a especialidade divulgada corresponde à registrada oficialmente.
Como se proteger do golpe do falso médico?
Alguns cuidados simples podem reduzir bastante o risco de cair nesse tipo de fraude:
- nunca faça pagamentos após ligações urgentes sem confirmar diretamente com o hospital;
- desconfie de pedidos de PIX feitos por telefone ou aplicativos de mensagem;
- evite tomar decisões sob pressão emocional;
- confirme informações usando canais oficiais da unidade de saúde;
- pesquise o CRM do profissional antes de consultas e procedimentos;
- desconfie de promessas exageradas ou tratamentos sem comprovação.
Em hospitais, uma orientação importante é desligar a ligação e retornar utilizando o número oficial da instituição. Isso ajuda a confirmar se o contato realmente partiu da equipe médica.
O que fazer se você suspeitar de um golpe?
Se houver suspeita de fraude, o ideal é interromper imediatamente qualquer pagamento e entrar em contato diretamente com o hospital ou clínica.
Também é importante registrar ocorrência e comunicar:
- o Conselho Regional de Medicina (CRM);
- a Polícia Civil;
- o banco responsável pela transferência;
- a unidade de saúde envolvida.
Quanto mais rápido a denúncia for feita, maiores são as chances de bloquear valores e evitar novas vítimas.
Em um momento em que muitas famílias buscam atendimento rápido e acessível, golpes ligados à saúde acabam encontrando espaço com facilidade.
Por isso, desconfiar de cobranças urgentes, verificar informações diretamente com hospitais e pesquisar o histórico de profissionais são cuidados que podem evitar prejuízos financeiros e riscos sérios à saúde.
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