Kefir: o que é, para que serve e onde encontrar

kefir

Kefir é procurado por atletas e pessoas que querem ter uma vida mais saudável

A novidade do momento é o kefir. Muita gente já conhece e muitos outros nunca ouviram falar. Modas entram e saem e a gente acaba por não saber o que realmente pode ser útil para atingirmos uma alimentação saudável.

O kefir, na verdade, não é novidade. A bebida fermentada já bombou nos anos 1980 e nos anos 1990. Mas, como dissemos, moda vai e vem e as coisas voltam. Mas será que o kefir faz mal?

Ou será que o kefir emagrece? Se você quer saber, continue lendo. Vamos responder essa e muitas outras perguntas sobre esse super alimento.

Kefir, o que é?

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Vamos começar pela etimologia da palavra. Não que isso seja uma aula de português, porém é importante saber de onde vem o que estamos ingerindo. Para quem não sabe, a palavra literalmente quer dizer bem-estar.

O termo vem do turco e tem imensas variações e traduções: quefir, búlgaros, cogumelos de iogurte, kefer, knapon, kippi e tibicos. Sim, não é só o aspecto do probiótico que é engraçado!

Acredita-se que ele foi descoberto nas montanhas do Cáucaso, uma região enorme da Europa oriental. Os territórios desse lugar são considerados transcontinentais, ou seja, pertencem também a Ásia.

O kefir, originalmente, era extraído a partir do leite de ovelha e de outros caprinos. Mais tarde passou a ser produzido também com leites de bovinos. Hoje em dia, encontramos o probiótico em diversos tipos, sabores e formas. Entretanto, a mais comum é aquela que lembra grãos, esbranquiçados como os da tapioca.

Então, o que é kefir de leite?

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O kefir de leite é uma colônia de microrganismos simbióticos imersa em uma matriz composta de polissacarídeos e proteínas, formada por bactérias. Ou, mais popularmente conhecidos como lactobacilos vivos. Pois é, aqueles que encontramos em muitas bebidas fermentadas destinadas às crianças!

É que nem todas as bactérias são nocivas. Temos essa ideia, porque associamos bactérias a sujeira. Mas há muitas bactérias “do bem”, especialmente dentro de nós. Essas bactérias, e alguns outros microrganismos, precisam viver em equilíbrio no nosso organismo. Quando em falta ou em excesso, ficamos doentes.

Kefir e intolerância a lactose

Por isso, o kefir é considerado um alimento funcional. Além disso, e apesar de ser um produto do leite, ele é ótimo para intolerantes a lactose. Isso porque ele consome a lactose e reduz a caseína, albumina e outras proteínas aos aminoácidos que as constituem.

Também sintetiza o ácido láctico, a lactase e outras enzimas que ajudam a digerir a lactose restante depois da bebida ingerida. Ainda modificam os sais de cálcio para formas mais facilmente absorvidas pelo organismo humano. Basicamente é o alimento perfeito, quando ingerido com precauções.

É possível manter uma colônia do probiótico em água, em caso de alergia ao leite ou às proteínas. Para que haja fermentação em água mineral ou água de coco é preciso adicionar açúcar mascavo ou demerara. Este é conhecido como kefir de água e é mais claro e transparente que o de leite, como na foto abaixo.

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Para que serve o kefir?

A resposta simples é: para muita coisa. O alimento tem efeitos comprovados em diversas aspectos da saúde humana, entre eles antitrombótico e antimicrobiano. O alimento traz uma significativa melhora na absorção do cálcio pelos ossos, resultando, também, na melhora da densidade óssea.

Como vimos, pode ser utilizado como foram de melhorar a vida de intolerantes a lactose, minimizando problemas digestivos. Também aumenta o sistema imunológico, reduz o colesterol, as alergias, as inflamações, as chances de desenvolver tumores cancerígenos e de contrair doenças provenientes de fungos.

De que é composto o kefir?

O probiótico traz em sua composição uma considerável quantidade de proteína, riboflavina (vitamina B2), menaquinona (vitamina K2), fósforo, cálcio e vitamina D. Em cada um de seus grãos encontraremos vários tipos de microorganismos em simbiose, como:

  • Oito variedades de leveduras;
  • Dois tipos de bactérias acéticas;
  • 16 tipos de lactobacilos;
  • Aproximadamente nove streptococci/lactococci;
  • Ácido pantotênico;
  • Ácido fólico;
  • Vitamina B;
  • Vitamina B3;
  • Vitamina B6;
  • Vitamina B12;
  • Vitamina K;
  • Carboidratos bons;
  • Cálcio;
  • Gorduras boas;
  • Lactase;
  • Fósforo;
  • Magnésio;
  • Potássio;
  • Proteínas;
  • Aminoácidos;
  • Triptofano.

Dor de barriga? Use kefir!

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Outro mérito do kefir é a alta qualidade e quantidade de aminoácidos e na eliminação de microorganismos patogênicos da microbiota intestinal. Aqueles que nos causam gastroenterites, diarreia, vômitos e desconforto abdominal.

Quem tem o relógio do intestino atrasado também se beneficia do probiótico. É um alimento excelente para regular as idas ao banheiro. O nosso intestino é muito mais complexo do que fazemos ideia. Lá ocorrem funções cruciais para a nossa sobrevivência. Tê-lo funcionando mal é péssimo para a saúde.

Um dos grandes benefícios do alimento é justamente a melhora da flora intestinal, ou seja, a recolonização de bactérias boas no intestino. Chamadas de gram-positivas, elas liberam uma substância chamada bacteriocina que elimina o que nos faz mal.

10 Benefícios do kefir para a saúde

Além dos benefícios já citados, o probiótico também melhora:

1. A função hepática

Tem um importante desempenho referente ao controle de produção da bílis pelo fígado, como também, é indicado como coadjuvante nos casos de hepatite. Mas atenção, neste caso é preciso utilizar a versão de leite. O de água produz álcool etílico em pequenas quantidades, porém podem ser danosas para o fígado.

2. Problemas articulares

A presença do cálcio na composição do alimento ajuda no combate a osteopenia, osteoporose e reumatismo. Também previne e retarda o surgimento destas enfermidades.

3. Problemas respiratórios

Mais uma propriedade importante do probiótico está ligada à melhora nas crises de asma, bronquite e tuberculose.

4. Fortalecimento do sistema imunológico

As alergias, candidíase e outras doenças oportunistas relacionadas ao sistema imunológico em desequilíbrio são beneficiadas pelo uso do alimento. Em vez de fazer uso abusivo de antibióticos, pode optar pelo tratamento alternativo, desde que de acordo com o seu médico.

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5. Problemas emocionais

A presença do triptofano estimula o cérebro na produção de endorfinas e serotonina, ajudando nos casos mais leves de depressão e ansiedade.

6. Problemas dermatológicos

O alimento ajuda a manter a pele, cabelos e unhas saudáveis. É muito indicado durante a puberdade.

7. Problemas circulatórios

Estimula a circulação, favorecendo o bom funcionamento do coração, regulando a pressão arterial e ajudando no combate ao colesterol ruim.

8. Benefícios musculares

Rico em proteínas, que são os agentes fundamentais na construção muscular, também ajuda a potencializar a absorção de glicose pelas células musculares, o que promove grande ajuda no rendimento físico.

9. Ajuda a emagrecer

É um aliado importante no combate aos quilos adicionais. Pois é um regenerador da flora bacteriana, portanto, ajuda na digestão, facilitando a metabolização das gorduras, como também, a eliminação de toxinas. Favorece a aceleração do metabolismo, além de alimentar e saciar com um baixo teor calórico.

10. Reduz a diabetes

O probiótico diminui a absorção de glicose pelo organismo e, consequentemente, estabiliza os níveis de insulina, ajudando a controlar quadros de diabetes mellitus.

Kefir: como fazer o seu?

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Cultivar o seu próprio kefir em casa é fácil. Além disso você pode primeiro comprar o alimento. Supermercados e diversas lojas de produtos biológicos e veganos ou vegetarianos disponibilizam o produto à venda.

Para criar uma colônia de kefir efetiva, você vai precisar de pelo menos uma colher de sopa de grãos de kefir para cada meio litro de leite morno. Essa costuma ser a melhor proporção para a cultura ideal, recomendada por biólogos e nutricionistas.

Os grãos deverão ser colocados num vidro limpo e esterilizado juntamente com o leite, deixando em descanso entre 12 até 36 horas. É preciso cobri-lo com um pano de prato comum também higienizado.

O melhor local para guardá-lo enquanto está em fermentação é dentro de um armário de cozinha. Quando estiver pronto, deve-se agitar o vidro, e a seguir, coá-los com uma peneira que use apenas para isso.

Após serem coados, os grãos deverão ser lavados em água corrente e deverão retornar ao vidro, com um nova porção de leite para a próxima fermentação. O probiótico pronto poderá ser armazenado em geladeira e seu consumo deve ser feito em um dia.

Atenção!

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A temperatura ambiente é um dos fatores determinantes em relação ao tempo que devemos cultivar o kefir. Quanto mais frio, maior o tempo para a fermentação. Por isso, o leite deverá estar fresco.

Os melhores resultados, e com maior rapidez, são atingidos com temperaturas entre os 25 e 35 graus. Nessas condições estará pronto em algumas horas. Em locais onde o inverno é muito rigoroso, o alimento poderá levar até três dias para atingir a fermentação desejada.

Caso não se chegue ao ponto esperado ou o probiótico leve mais de três dias para fermentar, recomenda-se descartar o produto, por medida de precaução. É importante, após o descarte, peneirar todos os grãos e adicionar novo leite para se manter os benefícios do kefir. Então, não armazene os grãos sem o leite para que não morram.

Caso os grãos tenham permanecido fora do leite por mais de 48 horas, também deverão ser descartados. Quanto mais tempo fermentando, menos lactose, portanto, o ponto ideal para os intolerantes à lactose é no limite.

Nunca, em hipótese alguma utilize utensílios metálicos na preparação do alimento. Prefira coador, vasilhas e talheres de plástico ou outro material. Se possível, lave os grãos do probiótico com água mineral. Caso não seja viável, opte por água filtrada. O cloro presente na água poderá comprometer a qualidade do produto.

Kefir, onde comprar?

Você encontra kefir à venda online em diversas lojas, como dissemos anteriormente. Mas caso tenha dificuldade de encontrar na sua cidade, pode achar na Probióticos Brasil, por R$ 41,90, e no Mundo Verde, por diferentes preços.

Há também muitos grupos de doação de kefir. Isso porque ele se multiplica rapidamente. Nas redes sociais, como Facebook e o Instagram, você encontra pessoas em muitos Estados dispostas a doar seus kefir. É também uma boa oportunidade para dividir conhecimentos sobre uma alimentação saudável.

Posso usar durante a gravidez?

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O kefir é um ótimo alimento para a mãe e, consequentemente, para o bebê. A ingestão do alimento, de acordo com os médicos, deve ser feita desde o planejamento da gravidez até o fim da amamentação.

A versão de leite é extremamente rica em ácido fólico, por isso é muito importante na gravidez. O ácido fólico é vital no desenvolvimento do bebê. Ele é responsável pela síntese dos ácidos nucleicos, substâncias que produzem proteínas, tecidos e também o código genético, como o nosso DNA, por exemplo.

A simples suplementação do ácido fólico três meses antes, e nos três primeiros meses, da gravidez são suficientes para reduzir até 95% os problemas da má formação do tubo neural. Este tubo funciona como o sistema nervoso primitivo do feto. É a estrutura do embrião precursora ao cérebro e à medula espinhal.

O fechamento deste tubo é essencial para formar a calota craniana e a coluna vertebral do bebê. Isso ocorre entre 22º e 28º dias após a concepção. Mas é claro, tudo isso deve ser feito sempre com o acompanhamento do seu médico!

Efeitos colaterais kefir

Já sabemos os variados benefícios do kefir. No entanto, não existem alimentos milagrosos. Em algumas pessoas, o consumo desse alimento pode causar surtos de acne nos primeiros usos. Este é um efeito colateral comum.

Se você tem constipação intestinal e consumir muito esse alimento, poderá ter diarreia. A mesma coisa ao contrário, se tomar muitos probióticos para a diarreia, ficará trancado. Por esta razão que é preciso fazer uso do alimento com orientação médica ou de um nutricionista. Se o alimento interfere de maneira muito drástica com o seu intestino, não tome puro. Pode incorporar ao iogurte, por exemplo.

Algumas pessoas podem não ser capazes de tolerar kefir. São, geralmente, aquelas que já têm problemas com caseína e levedura. No entanto, nem todos os que têm esses problemas, terão problemas com ele.

Então, o melhor é experimentar o que é melhor para si mesmo antes de tirar conclusões. Em alguns casos raros, aqueles que têm sensibilidade não serão capazes de tolerar o alimento.

 

 

Fontes: National Center for Biotechnology Information e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Crédito das imagens: Pexels, Unsplash, FreepikFlickr e Wikimedia