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Como o novo medicamento aprovado pela Anvisa pode ajudar pacientes com Parkinson
Conviver com Parkinson vai muito além dos tremores que costumam ser associados à doença. Em fases mais avançadas, um dos maiores desafios passa a ser a instabilidade dos sintomas ao longo do dia.
Há momentos em que a medicação funciona bem e a pessoa consegue caminhar, comer, falar e realizar tarefas simples com mais autonomia.
Em outros, os efeitos parecem desaparecer antes da hora, e os sintomas voltam com intensidade.
Essas oscilações podem transformar atividades comuns em algo imprevisível.
Foi justamente para tentar reduzir esse problema que a Anvisa aprovou um novo medicamento para pacientes com Parkinson avançado: o Vyalev, indicado para casos em que os tratamentos disponíveis já não conseguem controlar adequadamente as chamadas flutuações motoras.
O que acontece quando o remédio perde efeito ao longo do dia
A doença de Parkinson afeta áreas do cérebro ligadas ao controle dos movimentos.
Com o avanço da condição, o cérebro passa a produzir menos dopamina. Essa substância ajuda o corpo a se movimentar de maneira coordenada.
Nas fases iniciais, muitos pacientes conseguem manter os sintomas relativamente controlados com medicamentos tradicionais.
No entanto, com o passar do tempo, o efeito dos remédios pode começar a variar mais ao longo do dia.
É nesse momento que surgem as chamadas flutuações motoras.
Em alguns períodos, a medicação funciona bem e os movimentos ficam mais fáceis. Em outros, os sintomas voltam antes do esperado, provocando rigidez, lentidão, dificuldade para andar e tremores.
Desse modo, algumas pessoas passam a organizar toda a rotina em torno dos horários da medicação.
Pequenos atrasos podem ser suficientes para dificultar atividades simples, como levantar da cama, caminhar ou até se alimentar com mais autonomia.
Por que isso afeta tanto a qualidade de vida
As flutuações motoras podem comprometer diretamente a independência do paciente.
Há pessoas que passam a evitar sair sozinhas, sentem medo de quedas ou enfrentam dificuldade para atividades simples, como se alimentar e caminhar com segurança.
Além dos sintomas motores, o Parkinson também pode causar alterações cognitivas, distúrbios do sono, depressão e mudanças no olfato.
Em fases mais avançadas, manter maior estabilidade dos movimentos passa a ser um dos principais objetivos do tratamento.
Como funciona o novo medicamento para Parkinson avançado
O Vyalev combina duas substâncias: foslevodopa e foscarbidopa hidratada.
De forma simplificada, o tratamento busca manter níveis mais constantes da medicação que ajuda o cérebro a produzir dopamina. A proposta é reduzir as grandes variações no efeito do remédio ao longo do dia.
Em vez de comprimidos tomados várias vezes ao dia, o tratamento libera a medicação continuamente por meio de uma infusão aplicada sob a pele ao longo de 24 horas.
O que pode mudar para alguns pacientes
O tratamento não representa cura para o Parkinson, mas foi desenvolvido para ajudar pacientes selecionados a passar mais tempo com os sintomas controlados.
Estudos clínicos avaliaram justamente a possibilidade de reduzir os períodos em que os sintomas voltam antes da próxima dose fazer efeito.
Isso pode representar:
- menos momentos em que os sintomas voltam de forma repentina;
- mais previsibilidade para atividades do dia a dia;
- maior estabilidade dos movimentos ao longo do dia.
O medicamento não é indicado para todos os casos
A aprovação vale para pacientes com Parkinson avançado que apresentam flutuações motoras graves e debilitantes e que já não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis.
Ou seja, não se trata de um medicamento destinado às fases iniciais da doença nem de uma substituição automática dos tratamentos já utilizados atualmente.
Além disso, por envolver administração contínua e acompanhamento específico, o tratamento precisa ser avaliado individualmente pela equipe médica responsável.
Mesmo com novas opções terapêuticas surgindo, o controle do Parkinson continua exigindo acompanhamento individualizado. Isso porque a evolução da doença varia de pessoa para pessoa.
A resolução oficial da Anvisa pode ser consultada no Diário Oficial da União: Resolução-RE nº 2.105/2026.
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