Osteoporose: “nossos ossos não costumam avisar quando estão ficando mais frágeis”

Uma queda dentro de casa. Um tropeço na calçada. Um movimento aparentemente banal.

Para algumas pessoas, situações assim podem resultar em algo muito mais sério do que um susto: uma fratura. E, em muitos casos, essa fratura é o primeiro sinal de uma doença que evoluiu silenciosamente durante anos: a osteoporose.

Costumamos associar a doença ao envelhecimento, mas esse olhar pode fazer com que o diagnóstico chegue tarde.

A osteoporose reduz a resistência dos ossos e aumenta o risco de fraturas, muitas vezes sem provocar qualquer sintoma antes disso. É por essa razão que ela é conhecida como uma doença silenciosa.

O tamanho do problema ajuda a explicar por que não deveríamos esperar uma fratura para começar a falar sobre saúde óssea.

Segundo a International Osteoporosis Foundation, até 37 milhões de fraturas por fragilidade acontecem anualmente no mundo entre pessoas com mais de 55 anos — o equivalente a cerca de 70 fraturas por minuto.

A estimativa é que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose ao longo da vida.

Osteoporose pode evoluir sem sintomas

E há um detalhe importante: não estamos falando apenas de uma questão ortopédica.

Uma fratura de quadril, por exemplo, pode comprometer mobilidade, independência e qualidade de vida. A Organização Mundial da Saúde destaca que as fraturas por fragilidade estão associadas a importante incapacidade e que sua incidência tende a crescer com o envelhecimento da população.

Por isso, uma fratura depois de uma queda da própria altura não deve ser automaticamente considerada “azar” ou “coisa da idade”.

Pode ser um sinal de fragilidade óssea que precisa ser investigado.

Uma fratura pode ser o primeiro sinal

Existem, porém, fatores sobre os quais podemos agir.

Sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, baixo peso e alimentação inadequada estão entre os fatores associados ao risco de fraturas por fragilidade. Idade, histórico familiar, menopausa e fraturas anteriores também entram nessa avaliação.

Prevenção, portanto, não significa simplesmente tomar cálcio ou vitamina D por conta própria.

Significa conhecer o próprio risco, manter atividade física adequada, cuidar da alimentação, evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool e procurar avaliação médica quando existem fatores de risco.

Como prevenir fraturas e cuidar da saúde óssea

Também não devemos esquecer dos homens.

Embora a osteoporose seja mais frequentemente associada às mulheres, eles também podem desenvolver a doença e sofrer fraturas por fragilidade.

No Brasil, o Ministério da Saúde atualizou recentemente o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose, reforçando a importância de critérios para diagnóstico, tratamento e acompanhamento.

O ponto principal é simples: nossos ossos não costumam avisar quando estão ficando mais frágeis.

A primeira mensagem pode chegar justamente na forma de uma fratura.

Por isso, cuidar da saúde óssea não deveria começar depois da primeira queda.

Prevenir uma fratura é também preservar autonomia, mobilidade e qualidade de vida. E, nesse caso, antecipar o problema pode fazer toda a diferença.

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Dr. Igor Viana.
Dr. Igor Viana

Especialista em Clínica Médica, com atuação em endocrinologia e metabologia (CRM 229364 | RQE 144806). Trabalha na prevenção, diagnóstico e manejo de doenças metabólicas, com foco na promoção da saúde, alimentação equilibrada e longevidade.

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