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Nutricionista explica: planta simples pode surpreender pelo leve gosto de peixe
Você já ouviu falar em PANC? A sigla significa Plantas Alimentícias Não Convencionais — espécies que fazem parte da nossa biodiversidade, mas que, por diferentes razões, acabaram ficando fora do cardápio do dia a dia.
Muitas delas crescem facilmente em quintais, hortas ou até espontaneamente na natureza, e carregam um potencial nutricional enorme, muitas vezes superior ao de alimentos mais populares.
Resgatar essas plantas é também valorizar a diversidade alimentar brasileira e ampliar o repertório de uma alimentação mais natural, acessível e sustentável.
Dentro desse universo, o peixinho da horta (Stachys byzantina) vem ganhando destaque.
Conhecido também como orelha de lebre ou lambari, ele chama atenção não só pelo formato aveludado das folhas.
Mas principalmente pelo sabor — que, quando preparado, lembra levemente o sabor de peixe, daí o seu nome popular.
Essa característica tem conquistado espaço em cozinhas caseiras, hortas urbanas e até em restaurantes que valorizam ingredientes brasileiros pouco explorados.
Peixinho da horta: benefícios e compostos bioativos
Mas o peixinho não é só interessante do ponto de vista culinário.
Estudos científicos apontam que essa planta possui compostos bioativos importantes, com potencial antioxidante, antimicrobiano, antidiabético e até relacionado ao controle do peso corporal.
Seu conteúdo de compostos fenólicos, por exemplo, é relevante e está associado à proteção do organismo contra processos inflamatórios e danos celulares.
Um estudo demonstrou ainda atividade antimicrobiana significativa contra bactérias como Staphylococcus aureus, indicando um possível papel funcional na saúde.
Na prática, incluir o peixinho da horta na alimentação é mais simples do que parece.
Ele pode ser preparado empanado — uma versão muito popular é envolver as folhas na farinha de milho, como se fosse um empanado caseiro, e depois assar ou fritar rapidamente até ficarem crocantes — ou ainda utilizado em infusões (como chás).
É uma forma criativa de variar o cardápio, sair do óbvio e, ao mesmo tempo, aumentar a ingestão de compostos bioativos.
Trazer o peixinho da horta e outras PANC para o prato é, no fundo, um convite para reconectar o brasileiro com sua própria biodiversidade.
Em um cenário onde a alimentação muitas vezes se torna repetitiva e industrializada, essas plantas oferecem uma alternativa nutritiva, acessível e cheia de identidade cultural.
Talvez o próximo ingrediente “novo” da sua rotina esteja mais perto do que você imagina — quem sabe, até no seu próprio quintal.
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