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Cuidados essenciais que toda pessoa ostomizada precisa conhecer
A pessoa ostomizada costuma ter muitas dúvidas antes e depois da cirurgia. Medos relacionados ao procedimento, ao uso da bolsa e às mudanças na rotina são comuns, especialmente no início do acompanhamento.
Infelizmente, mitos e desinformação ainda reforçam um estigma social que gera insegurança e sofrimento desnecessário.
Observo na prática clínica que informação clara, acolhimento e acompanhamento adequado fazem toda a diferença para que a pessoa ostomizada recupere autonomia, confiança e qualidade de vida.
O que é a ostomia e por que ela é necessária
A pessoa ostomizada é aquela que passou por uma cirurgia chamada ostomia (ou estomia).
Nesse procedimento, cria-se cirurgicamente uma abertura no corpo para permitir que funções essenciais — como a eliminação de fezes ou urina, a alimentação ou a respiração — ocorram de forma segura quando o organismo não consegue realizá-las pelo caminho natural.
A ostomia pode ser:
- Temporária, quando há possibilidade de reversão após o tratamento da doença;
- Permanente, geralmente em situações irreversíveis, como em alguns casos de câncer colorretal.
Entre as causas mais comuns estão o câncer, as doenças inflamatórias intestinais, traumas, infecções graves, obstruções intestinais e a incontinência fecal.
Principais tipos de ostomia
Os cuidados variam de acordo com o tipo de ostomia, mas a orientação médica é fundamental em todos os casos. Os principais tipos são:
- Urostomia (eliminação de urina);
- Gastrostomia (alimentação);
- Traqueostomia (respiração);
- Ileostomia (intestino delgado);
- Colostomia (intestino grosso).
Cuidados diários da pessoa ostomizada
A adaptação não acontece da noite para o dia.
A pessoa ostomizada passa por mudanças físicas e emocionais importantes, que podem impactar a autoestima, os hábitos de higiene, a alimentação e a convivência social.
Após a alta hospitalar, o acompanhamento ambulatorial é indispensável.
O objetivo é garantir a saúde da estomia e promover a autonomia no autocuidado, com apoio de uma equipe multiprofissional; especialmente dos enfermeiros estomaterapeutas, que desempenham papel central nesse processo.
Atenção especial ao uso da bolsa
A bolsa coletora faz parte da rotina da pessoa ostomizada e precisa ser adequada ao tipo de estomia e ao formato do corpo.
Uma boa adaptação reduz vazamentos, desconfortos e irritações na pele.
Existem bolsas drenáveis, que podem ser esvaziadas, e não drenáveis, que devem ser descartadas quando cheias.
Para muitas pessoas, a troca é mais fácil quando realizada em jejum, período em que o intestino costuma estar menos ativo — embora essa orientação possa variar conforme o caso.
A pele ao redor do estoma deve ser sempre bem limpa e completamente seca, utilizando produtos adequados.
Hoje, há barreiras protetoras e removedores de adesivo que ajudam a preservar a saúde da pele periestomal e tornam o cuidado mais confortável.
Alimentação: observar é a chave
Após a recuperação cirúrgica, a maioria das pessoas não precisa seguir grandes restrições alimentares.
Ainda assim, a pessoa ostomizada deve observar como o próprio organismo reage a determinados alimentos, já que alguns podem aumentar gases, odor ou o volume das eliminações.
O acompanhamento com um nutricionista é altamente recomendado, pois permite ajustar a alimentação de forma personalizada, equilibrada e segura.
Vida social, atividade física e sexualidade
Com o passar do tempo e a recuperação adequada, a pessoa ostomizada pode retomar atividades físicas, lazer, trabalho e vida social normalmente.
As bolsas são discretas e, na maioria das vezes, ficam bem escondidas sob a roupa.
A vida sexual também pode ser retomada. Existem bolsas específicas e estratégias simples que ajudam a reduzir constrangimentos.
O mais importante é o diálogo, o respeito ao próprio tempo e o processo gradual de reconstrução da confiança com o próprio corpo.
Cuidar da saúde emocional também é essencial
A ostomia, especialmente quando permanente, pode desencadear ou intensificar quadros de ansiedade, tristeza e isolamento social.
Por isso, o acompanhamento psicológico é um cuidado fundamental, embora ainda pouco valorizado.
A pessoa ostomizada que recebe apoio emocional adequado tende a lidar melhor com as mudanças, fortalecendo a autoestima, a adaptação e a qualidade de vida.
Informação, acolhimento e acompanhamento profissional transformam completamente a experiência de viver com uma ostomia.
Compartilhar esse conhecimento é um passo importante para reduzir preconceitos e apoiar quem passa por essa condição.
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Dr. Alexandre Nishimura
Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.
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