Pequena, brasileira e potente: o que há por trás da pitanga

Você sabia que o termo “berry” vem do inglês e é usado para nomear frutas pequenas, suculentas e de cores vibrantes, com sabores que variam entre o doce e o azedo? Esse grupo inclui frutas bastante conhecidas, como amoras, cerejas, mirtilos (blueberry), framboesas e, claro, a nossa pitanga.

Nos últimos anos, a ciência tem dedicado mais atenção às berries nativas brasileiras, reconhecendo que elas também podem oferecer importantes benefícios para a saúde.

Pitanga e saúde: o que os estudos científicos mostram

Um estudo de revisão publicado em 2022 trouxe informações relevantes sobre a pitanga (Eugenia uniflora L.).

Entre as diferentes variedades do fruto, a pitanga de coloração vermelha se destacou por apresentar maior concentração de compostos bioativos, que são substâncias naturais da fruta associadas a efeitos positivos no organismo.

Entre esses compostos estão os carotenoides, como o betacaroteno e o licopeno.

Essas substâncias atuam como antioxidantes, ajudando a proteger as células contra danos causados pelo envelhecimento e por processos inflamatórios.

Além disso, a pitanga contém flavonóis, como miricetina, kaempferol e quercetina, compostos naturais que também contribuem para a proteção do corpo e para o bom funcionamento do organismo.

Antocianinas da pitanga e de outras berries

Ao aprofundar as análises, pesquisadores brasileiros quantificaram o teor de compostos bioativos presentes em diferentes berries.

Os mirtilos apresentaram o maior teor total de antocianinas, que são pigmentos naturais responsáveis pelas cores arroxeadas e avermelhadas das frutas e conhecidos pelo alto poder antioxidante.

Eles também demonstraram maior diversidade desses compostos.

Ainda assim, a pitanga mostrou resultados expressivos.

No fruto, foram identificadas oito antocianinas que até então não haviam sido descritas nessa espécie, o que reforça seu potencial nutricional e amplia o interesse científico sobre essa fruta.

Já o araçá apresentou o menor teor total de antocianinas entre os frutos analisados, mas trouxe um achado relevante: a identificação inédita de cianidina-O-glicosídeo, um tipo específico de antocianina.

Por que a pitanga merece mais espaço na alimentação?

Em síntese, esses achados confirmam que a pitanga vai muito além do sabor característico e do uso tradicional.

Ela se destaca como uma fonte rica e promissora de compostos bioativos, com potencial para contribuir positivamente com a saúde.

Essas informações estão detalhadas no estudo de E. M. Fidelis e colaboradores, intitulado “Pitanga (Eugenia uniflora L.) as a source of bioactive compounds for health benefits: A review” (Volume 15, Issue 4, 2022).

Elas reforçam o valor nutricional das frutas tropicais brasileiras, muitas vezes subestimadas, apesar de sua riqueza natural.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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