Ela reconhece o rosto, mas acredita que é um impostor: entenda o Capgras

Imagine olhar para o marido, a esposa, um filho ou os próprios pais e reconhecer perfeitamente aquela pessoa. O rosto é familiar, a voz é conhecida, os gestos são os mesmos. Ainda assim, existe uma certeza desconcertante. Aquela pessoa não é quem diz ser. É um impostor que tomou seu lugar.

Não se trata de uma brincadeira, de uma desconfiança passageira ou de uma simples confusão. A convicção pode ser tão real que a pessoa passa a agir de acordo com ela.

Esse fenômeno é conhecido como síndrome de Capgras, um dos chamados transtornos delirantes de identificação.

O que acontece na síndrome de Capgras

Na síndrome de Capgras, alguém próximo passa a ser visto como um impostor, mesmo que a pessoa reconheça suas características e saiba quem deveria estar diante dela.

Essa crença não é apenas uma dúvida ou um erro momentâneo. Ela pode se tornar persistente e influenciar a forma como a pessoa interpreta e reage ao que está acontecendo.

Quando reconhecer não basta para sentir familiaridade

Uma das hipóteses para explicar o Capgras ajuda a entender essa sensação estranha.

A pessoa pode olhar para alguém que conhece bem e reconhecer seu rosto, mas não sentir que aquela pessoa é realmente familiar.

É como se o reconhecimento acontecesse, mas viesse acompanhado de uma sensação de estranheza. Isso pode ajudar a explicar por que alguém conhecido pode parecer um impostor para quem vive o fenômeno.

A hipótese de uma alteração na sensação de familiaridade é uma das explicações estudadas, mas não a única.

Um estudo publicado recentemente na revista Brain, que analisou pessoas com síndrome de Capgras, indica que o fenômeno pode envolver diferentes redes do cérebro.

Capgras não significa necessariamente esquizofrenia

A associação com esquizofrenia é comum, mas não define a síndrome.

O Capgras pode aparecer em diferentes condições psiquiátricas e neurológicas.

Entre elas estão alguns transtornos psicóticos, demências, doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy, epilepsia e alterações cerebrais decorrentes de lesões ou outros problemas neurológicos.

Isso é importante porque a presença do fenômeno não permite, sozinha, concluir qual é a causa.

Em alguns casos, ele faz parte de um quadro psiquiátrico. Em outros, pode estar relacionado a alterações neurológicas, cognitivas ou à combinação de diferentes fatores.

A crença pode parecer verdadeira para quem a vive

Quem apresenta Capgras geralmente não está apenas dizendo que “acha” alguém estranho. A ideia pode ser experimentada como uma certeza, mesmo quando outras pessoas tentam mostrar que ela não corresponde à realidade.

É justamente essa convicção que diferencia o fenômeno de uma suspeita comum.

Também não se deve confundir Capgras com o chamado fenômeno do impostor, popularmente conhecido como “síndrome do impostor”.

Nesse caso, a pessoa duvida das próprias conquistas e teme que os outros descubram que ela não seria tão competente quanto parece. É uma experiência de autodesconfiança, bem diferente da crença de que alguém conhecido foi substituído por um impostor.

Como os médicos investigam e tratam

Não existe um exame único para diagnosticar a síndrome de Capgras. O médico conversa com o paciente para entender quando a mudança começou, quais sintomas apareceram e o que pode estar por trás dela.

Dependendo do caso, podem ser necessários exames do cérebro, testes de memória e outras avaliações.

Também não existe um tratamento único. Quando o Capgras está ligado a outro problema de saúde, o tratamento é direcionado a essa condição.

As pesquisas sobre o tratamento específico do Capgras ainda são limitadas.

Orientar os familiares também pode ajudar a lidar com a situação sem confrontar a pessoa sobre aquilo em que ela acredita.

Uma mudança nova na percepção merece investigação

Quando alguém passa a acreditar persistentemente que uma pessoa conhecida foi substituída, é importante procurar avaliação profissional.

A atenção deve ser maior se houver também confusão, alucinações, alterações importantes de memória ou outros sinais neurológicos.

O Capgras mostra que reconhecer alguém envolve mais do que identificar um rosto. Memória, percepção e sensação de familiaridade também fazem parte desse processo.

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Redação SaúdeLab

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