Da primeira menstruação à menopausa: os sinais no corpo que muitas mulheres confundem com ganho de peso

Dor nas pernas, aumento de volume e mudanças na silhueta podem aparecer em diferentes fases da vida; reconhecer os sinais ajuda a buscar avaliação sem culpa

“Depois da primeira menstruação, percebi que meu corpo parecia dividido em dois: a parte de cima mais magra e a parte de baixo mais inchada. Eu sentia dores e não sabia por quê.” Esse relato de uma paciente traduz uma experiência comum entre mulheres com lipedema.

A condição é crônica e caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, geralmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, braços. Pode causar dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para formar hematomas.

Por afetar predominantemente mulheres, costuma surgir ou se intensificar em momentos de mudanças hormonais.

Puberdade: quando os primeiros sinais aparecem

A adolescência é uma das fases mais citadas para o início dos sintomas. Mudanças hormonais podem favorecer o acúmulo de gordura nos quadris, coxas e pernas, enquanto a jovem ainda não entende por que o volume não acompanha o restante do corpo.

Nessa fase, é comum surgirem pernas doloridas, sensação de peso, hematomas frequentes e dificuldade para reduzir o volume mesmo com atividade física e alimentação equilibrada.

O diagnóstico precoce é importante para orientar hábitos e acompanhamento, ajudando a controlar os sintomas e a preservar a qualidade de vida.

Gestação e menopausa

A gravidez é outro momento em que o lipedema pode ser desencadeado ou piorar. As alterações hormonais, o aumento do volume sanguíneo e a maior retenção de líquidos podem intensificar dor, peso e inchaço nas pernas.

A transição para a menopausa também pode alterar o quadro. A queda do estrogênio, as mudanças na distribuição da gordura corporal e a redução da massa muscular podem contribuir para alterações no contorno corporal e desconforto, mesmo sem grande variação de peso.

O lipedema não é falta de cuidado com o corpo nem consequência exclusiva do ganho de peso. Reconhecer que ele pode aparecer ou piorar em momentos específicos da vida ajuda a reduzir a culpa e a buscar avaliação no momento certo.

Avaliação vai além da aparência

O diagnóstico não deve ser feito apenas pela comparação entre a parte superior e a inferior do corpo. É necessário avaliar sintomas, histórico, mobilidade, dor e a presença de outras condições que também podem causar inchaço.

O acompanhamento pode incluir atividade física adequada, orientação nutricional, terapia compressiva quando indicada e cuidados com a pele e a mobilidade. A escolha do tratamento deve ser individualizada e discutida com a equipe de saúde.

Cada fase pede uma escuta diferente. O objetivo é intervir cedo, reduzir sintomas e preservar a funcionalidade.

Continue lendo: A cirurgia do lipedema acabou. Por que a recuperação ainda exige tantos cuidados

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Fisio Mariana Milazzotto

A fisioterapeuta Mariana Milazzotto tem 20 anos de atuação profissional. É mestre em Ciências Médicas e tem experiência na condução clínica de pacientes com lipedema, bem como na reabilitação de mulheres no pós-operatório de câncer de mama.

Também desenvolve atividades voltadas à formação de fisioterapeutas e terapeutas corporais, com ênfase em práticas de cuidado, movimento e reabilitação funcional.

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