Suspeita de autismo: quando a família precisa de tempo para aceitar um possível diagnóstico

Receber a possibilidade de que um filho possa estar no espectro autista não é simples para muitas famílias. Antes mesmo de qualquer diagnóstico, existe um período marcado por dúvidas, medo, insegurança e, algumas vezes, pela dificuldade de aceitar que aquele desenvolvimento pode estar seguindo um caminho diferente do esperado.

É comum que os pais cheguem às primeiras consultas ainda tentando encontrar outra explicação. Em alguns casos, um deles consegue perceber e aceitar os sinais antes do outro.

Enquanto um busca informações e profissionais, o outro pode preferir esperar, observar mais ou até evitar novas consultas.

Não se trata, necessariamente, de falta de amor ou de cuidado. Muitas vezes, é uma forma de lidar com uma notícia que provoca impacto emocional.

O problema é quando esse tempo de elaboração se transforma em uma espera que impede a criança de receber estímulos importantes.

Suspeita de autismo: o acompanhamento pode começar antes do diagnóstico

Na fonoaudiologia, por exemplo, podemos acompanhar aspectos relacionados à comunicação, à linguagem e à interação.

Quando existem sinais de que uma criança precisa de apoio, podemos trabalhar essas habilidades independentemente de a família já ter ou não um diagnóstico fechado.

O acompanhamento profissional permite observar o desenvolvimento, identificar necessidades e orientar os responsáveis sobre como favorecer a comunicação no dia a dia.

É importante lembrar que cada criança aprende no próprio ritmo. Nem todo atraso de fala significa autismo, assim como o autismo não se manifesta da mesma maneira em todas as crianças.

Por isso, a avaliação adequada e o acompanhamento de diferentes profissionais são fundamentais para compreender cada caso.

Costumo dizer às famílias que um diagnóstico não muda quem aquela criança é. Ela continuará sendo o filho ou a filha que sempre foi.

O diagnóstico não apaga sua personalidade, seus afetos, suas capacidades ou sua história. Ele pode, porém, ajudar os adultos a compreender melhor suas necessidades e a encontrar os caminhos mais adequados para apoiá-la.

Acolher a família também faz parte do processo

Por isso, não é preciso esperar que toda a família esteja emocionalmente pronta para começar a olhar para o desenvolvimento da criança. O acolhimento também faz parte desse processo.

Em vez de pressionar os pais, é possível ajudá-los a transformar o medo em informação e a informação em cuidado.

O tempo entre a primeira suspeita e a aceitação da possibilidade diagnóstica pode ser difícil, mas também pode ser aproveitado.

Enquanto a família busca respostas, pode observar a criança, aprender novas formas de interagir com ela e buscar orientação profissional.

Investir no desenvolvimento não significa colocar um rótulo na criança. Significa oferecer oportunidades para que ela desenvolva suas habilidades e tenha suas necessidades compreendidas.

E, muitas vezes, o primeiro passo não é aceitar imediatamente um diagnóstico. É simplesmente aceitar que aquela criança merece ser olhada com atenção, acolhida em suas particularidades e estimulada a desenvolver todo o seu potencial.

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Paula Anderle
Fono Paula Anderle

Paula Anderle é fonoaudióloga analista do comportamento, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atua com avaliação e intervenção precoce, com foco na comunicação funcional, incluindo fala, linguagem e recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Seu trabalho é voltado à promoção da autonomia e da interação social de crianças autistas, com abordagem individualizada e baseada em evidências.

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