AVC, hospitalização e o que a insônia tem a ver com isso

Passar uma noite em claro de vez em quando pode acontecer por causa de uma fase mais estressante, uma preocupação ou uma mudança na rotina. O problema é quando dormir mal deixa de ser exceção e começa a fazer parte da vida.

A insônia não significa apenas demorar para dormir. Ela também pode envolver acordar várias vezes durante a noite ou despertar cedo demais, com impacto no funcionamento durante o dia.

Uma nova revisão de estudos encontrou associações entre insônia e maior risco de AVC, hospitalização e alguns problemas neurológicos e de saúde mental.

Insônia foi associada a maior risco de AVC

Entre os resultados que mais chamam atenção está a relação com o acidente vascular cerebral (AVC).

Ao reunir dados de diferentes pesquisas, os autores encontraram um risco 26% maior de AVC entre pessoas com insônia. A análise incluiu mais de 1,3 milhão de participantes.

Isso não significa que a insônia cause um AVC. Os estudos mostram que os dois problemas aparecem relacionados, mas não permitem afirmar que dormir mal seja o que provoca um derrame.

No entanto, o resultado reforça que dificuldades persistentes para dormir não devem ser tratadas apenas como um incômodo que causa cansaço no dia seguinte.

Quem tem insônia também foi mais hospitalizado

A revisão encontrou outro dado que chama atenção. Pessoas com insônia apresentaram 28% mais chances de serem hospitalizadas por qualquer motivo.

O resultado sugere que a insônia pode estar associada a uma saúde geral mais fragilizada, embora os pesquisadores ressaltem que os estudos analisados não permitem afirmar uma causa direta.

Riscos da insônia: qual a relação com demência

A saúde do cérebro também apareceu na análise.

A maior parte das revisões avaliadas encontrou associação entre insônia e demência em geral. A relação foi mais consistente quando os pesquisadores analisaram especificamente a doença de Alzheimer.

Já para a demência vascular, os resultados foram mais variados.

Ainda não é possível dizer que dormir mal cause demência. A revisão aponta uma relação entre os problemas, mas não determina se a insônia contribui diretamente para o desenvolvimento dessas doenças.

Insônia também aparece ligada à saúde mental

A revisão encontrou ainda associações entre insônia e depressão e comportamentos suicidas.

Isso reforça uma questão importante. O sono não está separado da saúde mental. Alterações persistentes no sono podem acompanhar problemas emocionais e, em alguns casos, merecem ser investigadas junto com eles.

Por isso, quando a dificuldade para dormir se torna frequente e começa a afetar a rotina, a disposição ou o bem-estar, vale conversar com um profissional de saúde.

Quando a dificuldade para dormir merece atenção?

Uma noite ruim acontece com todo mundo e, sozinha, não significa que exista um problema de saúde. O sinal de atenção é quando a dificuldade para dormir se torna frequente e começa a afetar a rotina.

Isso pode acontecer quando a pessoa passa o dia cansada, tem dificuldade para se concentrar ou percebe que o sono está afetando seu bem-estar.

Publicado na revista Sleep Medicine Reviews, o estudo reforça que a insônia merece atenção quando deixa de ser ocasional e passa a interferir no dia a dia.

Nesse caso, vale procurar ajuda para entender o que está acontecendo.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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