Além do remédio: o que a fisioterapia pode fazer pela asma infantil

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, ou seja, dos canais por onde o ar passa até os pulmões, caracterizada por hiperresponsividade brônquica (reação exagerada dos brônquios a estímulos) e limitação variável do fluxo aéreo.

Os sintomas mais frequentes incluem sibilância (chiado no peito), dispneia (falta de ar), tosse e sensação de aperto no peito.

Trata-se de uma condição multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, ambientais e imunológicos, com impacto significativo na infância e adolescência.

Estima-se que cerca de 334 milhões de pessoas vivam com asma em todo o mundo, segundo dados do Global Burden of Disease.

No Brasil, aproximadamente 20 milhões de indivíduos convivem com a doença, conforme informações do DATASUS.

A asma figura entre as principais causas de internações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde, com média anual de cerca de 350 mil internações, o que a posiciona como uma das doenças crônicas de maior impacto na saúde pública nacional.

Na população pediátrica, a asma representa a doença crônica mais prevalente.

As exacerbações frequentes, conhecidas como crises, interferem diretamente na rotina escolar da criança e na vida profissional dos responsáveis, além de comprometerem o desenvolvimento físico e psicossocial.

Treinamento muscular inspiratório em crianças com asma: por que a fisioterapia é importante

Entre os principais fatores associados às crises estão a baixa adesão ao tratamento, a exposição a alérgenos, infecções respiratórias virais, variações climáticas, fatores emocionais e o exercício físico mal controlado.

Embora o exercício seja reconhecido como parte importante do tratamento da asma, muitas crianças passam a evitá-lo por medo da dispneia, isto é, da sensação de falta de ar.

Isso contribui para o sedentarismo, a perda do condicionamento cardiorrespiratório e a fraqueza da musculatura respiratória.

Esse cenário reforça a importância da fisioterapia como estratégia complementar no manejo da doença.

Como o treinamento muscular inspiratório pode ajudar crianças com asma

A fisioterapia desempenha papel relevante no tratamento da asma ao contribuir para uma respiração mais eficiente, fortalecer a musculatura respiratória e melhorar o condicionamento cardiorrespiratório.

Também auxilia na remoção de secreções.

Esses efeitos ajudam a reduzir a falta de ar, diminuir a frequência das crises e aumentar a tolerância ao esforço físico.

Entre os recursos utilizados, o treinamento muscular inspiratório, conhecido como TMI, tem como objetivo aumentar a força e a resistência dos músculos responsáveis pela inspiração, ou seja, pela entrada do ar nos pulmões.

Apesar de ser amplamente utilizado em adultos e em outras doenças respiratórias crônicas, sua aplicação em crianças ainda apresenta limitações na literatura científica.

Durante as crises de asma, ocorre inflamação da musculatura lisa dos brônquios, levando ao estreitamento dessas vias e à dificuldade para a saída do ar.

Esse aprisionamento aéreo pode causar hiperinsuflação pulmonar e alterar a mecânica da respiração.

Nessa situação, o diafragma trabalha em desvantagem, aumentando o esforço necessário para respirar.

O uso prolongado de corticosteroides também pode contribuir para a fraqueza muscular respiratória.

O papel do treinamento muscular inspiratório no cuidado de crianças com asma

O treinamento muscular inspiratório atua nesse contexto ao fortalecer a musculatura respiratória e melhorar a eficiência da respiração.

Com isso, há melhor aproveitamento dos volumes pulmonares e da troca gasosa, processo pelo qual o organismo recebe oxigênio e elimina o gás carbônico.

Esses efeitos reduzem a sensação de falta de ar durante o esforço e contribuem para uma melhor qualidade de vida da criança com asma.

Essa prática demonstra potencial como recurso complementar no tratamento da asma pediátrica, com efeitos positivos sobre a força muscular respiratória e a função pulmonar.

No entanto, seu uso deve fazer parte de um plano terapêutico individualizado e ser conduzido por profissional capacitado.

O avanço das pesquisas nessa área é fundamental para consolidar protocolos baseados em evidências e ampliar a segurança e a eficácia da aplicação do TMI em crianças com asma.

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Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e referência nacional no tratamento clínico do lipedema e na reabilitação de mulheres no pós-operatório de câncer de mama. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais em práticas de acolhimento, movimento e reabilitação funcional.

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Fisio Mariana Milazzotto

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