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Como urologista, vejo homens descobrindo o diabetes por sintomas sexuais e genitais — não pela glicose
Ao longo dos anos, perdi as contas de quantas vezes isso aconteceu no consultório.
Muitos pacientes chegam preocupados com a ereção, com uma coceira que insiste em voltar ou com uma infecção que apareceu sem motivo aparente.
Quase nunca chegam pensando no diabetes. E é justamente por isso que alguns sinais acabam sendo ignorados.
Disfunção erétil pode ser um dos primeiros sinais
Esse é um assunto que muitos homens ainda evitam comentar.
Mas, na prática, a dificuldade de ereção pode ser uma das primeiras manifestações de que o diabetes já está afetando vasos sanguíneos e nervos.
Já atendi pacientes que procuraram ajuda por causa da vida sexual e acabaram descobrindo que a glicemia estava longe do ideal.
Por isso, alterações persistentes da ereção não devem ser atribuídas automaticamente ao estresse, à rotina ou simplesmente à idade.
Coceira e inflamações na região genital que vivem voltando
Outra situação relativamente frequente é a do homem que trata uma irritação na região íntima, melhora por alguns dias e, pouco tempo depois, tudo volta novamente.
Coceira, vermelhidão, ardência e episódios repetidos de inflamação da glande podem estar relacionados ao diabetes.
Além disso, alguns medicamentos utilizados no tratamento da doença aumentam a eliminação de glicose pela urina, favorecendo esse tipo de quadro em pessoas predispostas.
Uma frase que escuto bastante é: “Doutor, passa a pomada, melhora e depois volta tudo de novo.” Quando isso começa a virar rotina, vale a pena investigar.
Infecções urinárias merecem atenção
Quando o diabetes não está bem controlado, o organismo pode ficar mais vulnerável às infecções.
Nas mulheres, as infecções urinárias recorrentes são relativamente frequentes. Nos homens, porém, a situação é diferente.
Infecção urinária em homem nunca deve ser considerada algo normal.
Mesmo um único episódio merece avaliação médica.
Além do diabetes, problemas como aumento da próstata, cálculos urinários e alterações do esvaziamento da bexiga também precisam ser investigados.
Por isso, tratar apenas a infecção sem procurar a causa pode fazer com que o problema volte a acontecer.
Quando a bexiga começa a perder a capacidade de esvaziar completamente
Existe ainda uma alteração pouco conhecida pelos pacientes.
Com o passar dos anos, o diabetes pode comprometer os nervos responsáveis pelo funcionamento da bexiga.
Algumas pessoas começam a perceber que o jato urinário não é mais o mesmo.
Outras sentem que terminam de urinar, mas a impressão é de que ainda ficou algo na bexiga.
Essas alterações costumam surgir de forma lenta e muitas vezes acabam sendo atribuídas apenas ao envelhecimento.
Mas, em alguns casos, o diabetes pode estar por trás desse problema.
Alguns sinais merecem avaliação:
- Dificuldade de ereção persistente
- Coceira, vermelhidão ou irritação recorrente na região íntima
- Inflamações repetidas da glande
- Ardência ou dor ao urinar
- Infecção urinária
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
- Jato urinário mais fraco do que antes
Depois de anos acompanhando pacientes com diabetes, uma coisa ficou clara para mim. Muitas pessoas associam a doença apenas ao açúcar no sangue.
Mas, na prática, ela pode se manifestar de formas que poucos imaginam.
E, quando explico isso durante a consulta, a reação costuma ser parecida: “Doutor, achei que isso não tinha nada a ver com diabetes.” Na prática, muitas vezes tem.
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