Memória mais afiada, melhora da circulação, apoio à saúde do cérebro e até alívio da ansiedade. Esses são alguns dos benefícios mais atribuídos ao ginkgo biloba, um dos fitoterápicos mais conhecidos e estudados do mundo. Mas será que todos eles são realmente comprovados pela ciência?
Embora as pesquisas indiquem benefícios em algumas situações, a qualidade das evidências varia conforme a condição avaliada.
Para alguns usos, existem evidências moderadas. Para outros, os estudos ainda são conflitantes ou insuficientes para confirmar sua eficácia.
Mas, afinal, para que serve o ginkgo biloba? Neste artigo, você vai entender o que a ciência realmente sabe sobre esse fitoterápico e quais benefícios têm mais evidências de que podem funcionar.
Também verá qual é o melhor horário para tomar ginkgo biloba, se ele pode ser usado todos os dias, quanto tempo leva para começar a fazer efeito e quais cuidados são importantes para utilizá-lo com segurança.
Resposta rápida: O ginkgo biloba pode oferecer benefícios modestos em algumas situações, principalmente relacionadas ao comprometimento cognitivo leve e à doença arterial periférica. Para outros usos, como ansiedade, zumbido e glaucoma, as evidências ainda são limitadas.
O ginkgo biloba é um fitoterápico produzido a partir das folhas da árvore Ginkgo biloba, considerada uma das espécies vegetais mais antigas do mundo.
Originária da China, essa planta é utilizada há séculos na medicina tradicional e, atualmente, também é estudada pela ciência por seus possíveis efeitos sobre a memória, a circulação sanguínea e a saúde do cérebro.
Mas existe um detalhe importante. Os estudos que encontraram possíveis benefícios não foram feitos com qualquer produto de ginkgo biloba vendido no mercado.
Eles utilizaram extratos preparados de forma padronizada, com uma composição controlada.
Isso significa que um chá, folhas secas ou até mesmo alguns suplementos podem ser diferentes dos produtos usados nas pesquisas. Por isso, eles não necessariamente terão os mesmos efeitos observados nos estudos.
Para que serve ginkgo biloba?
O ginkgo biloba é estudado há décadas e seus possíveis benefícios vêm sendo investigados em diversas áreas da saúde. No entanto, as pesquisas não chegaram às mesmas conclusões para todos os usos da planta.
Enquanto alguns efeitos contam com mais estudos, outros ainda precisam de pesquisas maiores para serem confirmados.
A seguir, veja o que a ciência sabe até o momento sobre cada um deles.
1. Pode ajudar alguns pacientes com comprometimento cognitivo leve e demência
Este é um dos usos mais estudados do ginkgo biloba.
Algumas pesquisas mostram que determinados extratos padronizados podem proporcionar melhora discreta em sintomas cognitivos e na capacidade de realizar atividades do dia a dia em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou alguns tipos de demência.
Entretanto, os resultados não são unânimes entre os estudos, e os benefícios, quando observados, costumam ser modestos.
Por isso, o ginkgo biloba não deve ser considerado um tratamento para Alzheimer nem uma forma comprovada de prevenir a doença. Também não substitui os medicamentos prescritos pelo médico.
2. Possível benefício em alguns pacientes com doença arterial periférica
A doença arterial periférica acontece quando as artérias das pernas ficam estreitadas, dificultando a passagem do sangue.
Um dos principais sintomas é a dor nas pernas ao caminhar, que costuma melhorar após alguns minutos de descanso.
Alguns estudos sugerem que determinados produtos de ginkgo biloba podem ajudar algumas pessoas a caminhar um pouco mais antes que essa dor apareça.
No entanto, os resultados das pesquisas ainda variam e, quando há benefício, ele costuma ser discreto.
Por isso, o ginkgo biloba não deve ser usado como tratamento para problemas de circulação sem orientação médica nem substituir os cuidados indicados pelo profissional de saúde.
3. Possui ação antioxidante
Os flavonoides presentes no ginkgo biloba apresentam atividade antioxidante.
Na prática, isso significa que ajudam a neutralizar parte dos radicais livres, moléculas produzidas naturalmente pelo organismo e que, em excesso, podem contribuir para danos celulares.
Embora essa propriedade seja bem estabelecida em estudos laboratoriais, ela não significa, por si só, prevenção de doenças ou envelhecimento saudável.
Esses efeitos dependem de diversos fatores e ainda são objeto de pesquisa.
4. O efeito anti-inflamatório ainda está em estudo
Além da ação antioxidante, alguns componentes do ginkgo biloba parecem atuar em mecanismos relacionados ao processo inflamatório.
Os resultados observados em estudos experimentais são promissores, mas ainda não existem evidências suficientes para recomendar o fitoterápico como tratamento para doenças inflamatórias específicas.
Portanto, esse possível benefício deve ser interpretado com cautela.
5. Pode ajudar em alguns casos de ansiedade, mas as evidências ainda são limitadas
O ginkgo biloba também foi estudado como uma possível opção para ajudar pessoas com ansiedade.
Alguns estudos encontraram uma pequena melhora dos sintomas em determinados pacientes.
No entanto, o número de pesquisas ainda é pequeno e os resultados não são suficientes para indicar o fitoterápico como um dos principais tratamentos para ansiedade.
Quem apresenta sintomas persistentes deve procurar avaliação médica. Isso porque a ansiedade pode ter diferentes causas e exige um diagnóstico correto antes de iniciar qualquer tratamento.
6. Vertigem e tontura: ainda há incertezas
Também foi estudado em pessoas com vertigem e outros problemas que afetam o equilíbrio.
Alguns estudos sugerem uma pequena melhora dos sintomas em determinados pacientes, principalmente quando o fitoterápico é usado junto com o tratamento indicado pelo médico.
No entanto, as pesquisas ainda são limitadas e não permitem afirmar que ele seja um tratamento comprovado para esses casos.
Também é importante lembrar que a tontura pode ter muitas causas diferentes. Por isso, o ginkgo biloba não deve substituir a avaliação médica.
Vale destacar outro ponto. Muitas pessoas chamam qualquer episódio de tontura de “labirintite”. Na prática, a verdadeira labirintite é uma doença relativamente rara, e nem toda tontura tem essa origem.
7. O ginkgo biloba funciona para zumbido?
Esta é uma das dúvidas mais comuns.
Apesar da popularidade do ginkgo biloba para zumbido, as pesquisas não demonstraram benefício consistente.
Alguns estudos antigos sugeriram melhora, mas revisões sistemáticas mais recentes não encontraram evidências suficientes para recomendar seu uso como tratamento para o zumbido.
Por isso, quem apresenta esse sintoma deve procurar avaliação médica, já que ele pode estar relacionado a diferentes doenças do ouvido, alterações vasculares ou perda auditiva.
Pra que serve ginkgo biloba / Canva
8. Saúde dos olhos: pesquisas continuam, mas ainda não há comprovação
O possível papel do ginkgo biloba em doenças oculares, como glaucoma e degeneração macular relacionada à idade, continua sendo investigado.
Alguns estudos pequenos sugeriram melhora de determinados parâmetros relacionados ao fluxo sanguíneo ocular.
Entretanto, não existe evidência suficiente para afirmar que o ginkgo biloba trate glaucoma, melhore a visão ou previna degeneração macular.
Quem tem qualquer doença ocular deve manter o acompanhamento com o oftalmologista e seguir o tratamento indicado.
9. Pode aliviar sintomas da TPM? As evidências ainda são limitadas
Alguns estudos avaliaram o uso do ginkgo biloba para aliviar sintomas da tensão pré-menstrual (TPM), como irritabilidade, sensibilidade nas mamas e retenção de líquidos.
Embora alguns resultados sejam positivos, as pesquisas disponíveis ainda são pequenas e não permitem afirmar que o fitoterápico seja um tratamento comprovado para a TPM.
Se os sintomas interferem na qualidade de vida, o ideal é procurar orientação médica para investigar outras causas e discutir as opções de tratamento.
10. Ginkgo biloba melhora a função sexual?
Esse é outro benefício frequentemente divulgado na internet, mas que deve ser interpretado com cautela.
A hipótese é que, ao favorecer o fluxo sanguíneo, o ginkgo biloba possa contribuir para a função sexual em algumas pessoas, principalmente quando há comprometimento vascular.
No entanto, os estudos realizados até agora apresentam resultados inconsistentes e não há evidências suficientes para recomendar o fitoterápico como tratamento para disfunção erétil ou diminuição da libido.
Qual é o melhor horário para tomar ginkgo biloba?
Não existe um horário único considerado ideal para todas as pessoas.
Em geral, muitos profissionais orientam o uso pela manhã ou no início da tarde, especialmente porque algumas pessoas relatam leve sensação de disposição após iniciar o suplemento.
Quando a dose diária é dividida, normalmente ela é distribuída em duas tomadas, conforme orientação do profissional de saúde e do fabricante.
Independentemente do horário escolhido, o mais importante é manter o uso de forma regular, respeitando a dose recomendada.
Posso tomar ginkgo biloba todos os dias?
Sim, o uso diário pode ser indicado em algumas situações, desde que exista orientação de um profissional de saúde.
Nos estudos clínicos, os extratos padronizados costumam ser utilizados em doses entre 120 mg e 240 mg por dia, geralmente divididas em duas tomadas.
Entretanto, isso não significa que qualquer suplemento vendido como ginkgo biloba deva ser utilizado nessa dose, já que a composição e a concentração dos princípios ativos podem variar entre os produtos.
Além disso, o uso contínuo deve ser reavaliado periodicamente, principalmente em pessoas idosas ou que utilizam outros medicamentos.
Quanto tempo leva para o ginkgo biloba começar a fazer efeito?
O ginkgo biloba não costuma produzir efeitos imediatos.
Nos estudos clínicos, quando algum benefício foi observado, ele geralmente apareceu após quatro a oito semanas de uso contínuo, podendo demorar ainda mais dependendo da condição avaliada.
Por isso, promessas de resultados rápidos ou de melhora em poucos dias não são compatíveis com as evidências científicas disponíveis.
Ginkgo biloba/ SaúdeLab
Quem não deve usar ginkgo biloba?
Apesar de ser um fitoterápico, o ginkgo biloba não é indicado para todas as pessoas.
O uso deve ser evitado ou realizado apenas com orientação médica nos seguintes casos:
gestantes;
mulheres que estão amamentando;
crianças, salvo orientação médica específica;
pessoas com histórico de convulsões;
indivíduos com distúrbios de coagulação;
pessoas que passarão por cirurgia nas próximas semanas.
Em geral, recomenda-se suspender o uso cerca de duas semanas antes de procedimentos cirúrgicos, devido ao possível aumento do risco de sangramento.
Ginkgo biloba pode interagir com medicamentos?
Sim. Esse é um dos aspectos mais importantes sobre o uso do suplemento.
O ginkgo biloba pode aumentar o risco de sangramentos quando utilizado junto com medicamentos que interferem na coagulação, como:
Também existem relatos de interação com outros medicamentos, razão pela qual é importante informar ao médico ou farmacêutico sobre todos os produtos utilizados, inclusive suplementos e fitoterápicos.
Quais são os possíveis efeitos colaterais?
Quando usado nas doses recomendadas e por pessoas que não tenham contraindicações, o ginkgo biloba costuma ser bem tolerado.
Mesmo assim, alguns efeitos colaterais podem ocorrer, como:
dor de cabeça;
desconforto no estômago;
náusea;
tontura;
palpitações;
reações alérgicas em pessoas mais sensíveis.
Se surgirem sintomas intensos ou sinais de sangramento, interrompa o uso e procure atendimento médico imediatamente.
Como escolher um suplemento de ginkgo biloba?
Nem todos os suplementos de ginkgo biloba têm a mesma qualidade ou composição.
Os estudos que encontraram possíveis benefícios foram feitos com produtos específicos, fabricados com um padrão de qualidade bem definido. Por isso, um suplemento vendido no mercado pode não ser igual ao usado nas pesquisas.
Na hora de escolher um produto, vale a pena verificar se o fabricante informa que o extrato é padronizado e se segue padrões reconhecidos de qualidade. Em caso de dúvida, peça orientação ao médico ou farmacêutico.
Vale a pena tomar ginkgo biloba?
O ginkgo biloba continua sendo um dos fitoterápicos mais estudados do mundo.
As pesquisas sugerem que ele pode trazer benefícios modestos em algumas situações específicas, principalmente quando são utilizados os produtos estudados pelos pesquisadores e há orientação de um profissional de saúde.
Ao mesmo tempo, muitos dos benefícios divulgados nas redes sociais e em sites da internet ainda não foram confirmados por estudos de boa qualidade.
Antes de começar a usar o ginkgo biloba, converse com um médico ou nutricionista.
Esse cuidado é ainda mais importante para quem usa medicamentos de forma contínua, tem doenças crônicas ou apresenta maior risco de sangramento.
Mais do que buscar uma solução rápida, vale a pena tomar decisões baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis e utilizar suplementos apenas quando realmente houver indicação.
Fontes consultadas: National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) – Ginkgo; European Medicines Agency (EMA) – Ginkgo folium; Anvisa – Monografia traduzida de Ginkgo biloba.
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Farm. Elizandra Civalsci Costa
Editora-chefe do SaúdeLAB. Farmacêutica (CRF MT nº 3490), formada pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner.
Atua na supervisão editorial e na produção de conteúdos jornalísticos e informativos sobre saúde, ciência e bem-estar, seguindo critérios de apuração, revisão e responsabilidade editorial.
Possui formação em revisão de conteúdo para web pela Rock Content University e capacitação em fact-checking pelo Poynter Institute.