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Carne vermelha pode piorar a inflamação no intestino? Veja o que pode estar por trás
Quem convive com doença inflamatória intestinal (DII), como doença de Crohn e retocolite ulcerativa, costuma perceber que alguns alimentos parecem influenciar os sintomas. Mas isso acontece mesmo ou é apenas uma impressão?
Embora não exista uma dieta que funcione da mesma forma para todos os pacientes, a ciência tenta entender como diferentes alimentos afetam o intestino.
A carne vermelha já havia sido associada, em estudos anteriores, a um maior risco de recaídas. Agora, uma nova pesquisa ajuda a explicar por que isso pode acontecer.
Carne vermelha inflama o intestino? O que a pesquisa descobriu
Os pesquisadores compararam cinco fontes de proteína:
- carne bovina;
- ovos;
- laticínios;
- soja;
- ervilha.
Entre elas, a carne bovina esteve relacionada aos quadros mais intensos de inflamação intestinal, enquanto a ervilha apresentou os resultados mais favoráveis.
Os resultados sugerem que a origem da proteína pode fazer diferença na intensidade da inflamação intestinal.
O que acontece dentro do intestino?
A explicação parece estar no equilíbrio das bactérias que vivem naturalmente no intestino e ajudam a protegê-lo.
Dependendo da fonte de proteína consumida, esse equilíbrio pode mudar, deixando a barreira natural de proteção do intestino mais vulnerável.
Isso facilita a ação de substâncias que estimulam a inflamação.
Os pesquisadores também observaram alterações nos ácidos biliares, substâncias produzidas durante a digestão que ajudam a regular o funcionamento do intestino e a resposta do sistema imunológico.
Essas mudanças também podem influenciar a intensidade da inflamação.
Isso significa que a carne vermelha deve ser evitada?
Não necessariamente. O estudo foi realizado em animais e, por isso, seus resultados ainda não podem ser aplicados diretamente às pessoas.
Além disso, quem convive com doença de Crohn ou retocolite ulcerativa pode reagir de maneira diferente aos alimentos.
Por esse motivo, a alimentação deve ser planejada de forma individualizada, com orientação de um profissional de saúde.
Mesmo assim, a pesquisa reforça evidências de estudos anteriores que já apontavam uma associação entre o consumo elevado de carne vermelha e um maior risco de recaídas ou agravamento dessas doenças.
O que isso muda na prática?
O principal recado do estudo é que a origem da proteína pode influenciar processos importantes para a saúde do intestino.
Entre as fontes avaliadas, ervilha e soja apresentaram resultados mais favoráveis do que a carne bovina.
Publicado na revista científica Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology, o estudo amplia o entendimento sobre a relação entre alimentação e inflamação intestinal.
Embora novas pesquisas em humanos ainda sejam necessárias, os resultados reforçam a importância de uma alimentação equilibrada para quem convive com doenças inflamatórias intestinais.
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