Superdotação ou TDAH? Neurologista aponta fatos em comum que geram confusão

Você conhece alguém extremamente inteligente que faz perguntas o tempo todo?

Alguém que mergulha profundamente nos assuntos que ama e, mesmo assim, já foi chamado de desatento ou desorganizado?

Quando o excesso de curiosidade é confundido com desatenção, podemos não estar falando sobre TDAH, mas sim sobre superdotação.

Superdotação pode parecer TDAH?

A superdotação pode compartilhar algumas características com transtornos do desenvolvimento, como o TDAH: interesses muito intensos, hiperfoco quando algo desperta a curiosidade, muitos questionamentos.

E uma sensação de estar sempre um passo à frente em algumas áreas, mas não em outras.

Esse desenvolvimento desigual é chamado de assincronia.

É quando uma pessoa pode apresentar um raciocínio muito avançado para a idade e, ao mesmo tempo, ter dificuldades para lidar com frustrações, com a rotina ou com demandas simples do dia a dia.

Mas existe um ponto fundamental aqui: parecer não é ser.

A grande questão não é quantas características existem em comum, mas por que elas existem.

No TDAH, o problema central envolve alterações de funções executivas: é como se o cérebro tivesse dificuldade para filtrar o mundo.

Já na superdotação, essas manifestações podem acontecer como consequência de um desenvolvimento cognitivo muito acima da média: é como se o cérebro tivesse dificuldade para experimentar o mundo.

E tem um detalhe importante aqui: a superdotação pode acontecer em conjunto com o TDAH. É o que chamamos de dupla excepcionalidade.

Superdotação pode parecer TDAH.

Por que o diagnóstico não pode ser um checklist

Tanto o excesso de curiosidade quanto o tédio podem ser confundidos com desatenção.

Nem toda desatenção é TDAH. E nem toda facilidade para aprender significa superdotação.

Mais do que isso, as duas condições podem estar presentes ao mesmo tempo, em uma mesma pessoa.

Quando diferentes características se parecem, o diagnóstico não pode ser feito pela soma de sintomas.

É preciso compreender individualmente a história, o contexto e o funcionamento daquele cérebro.

Um bom diagnóstico não serve apenas para dar um nome ao que acontece.

Ele orienta decisões que fazem diferença na vida de quem está sendo avaliado.

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Dra. Marília Graner
Dra. Marília Graner

Neurologista, com especialização em neurociência comportamental e cognitiva, atua com foco na compreensão dos processos cerebrais relacionados a pensamentos, emoções e comportamentos.

Desenvolve conteúdo voltado à tradução da ciência do cérebro para o cotidiano, abordando temas como saúde mental, hábitos e organização da rotina, com ênfase em aplicações práticas baseadas em evidências.

CRM 164058 | RQE 68446

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