Dedão do pé dormente: 6 causas que podem explicar o sintoma

Sentir o dedão do pé dormente pode assustar, mas nem sempre significa que existe um problema grave. Muitas vezes, a sensação aparece depois de usar um sapato apertado ou permanecer muito tempo na mesma posição e desaparece em poucos minutos.

Quando a dormência passa a ser frequente, dura várias horas ou vem acompanhada de dor, fraqueza ou dificuldade para caminhar, porém, vale a pena investigar. Em alguns casos, ela pode estar relacionada a alterações nos nervos, na coluna ou a doenças como o diabetes.

6 causas mais comuns do dedão do pé dormente

1. Compressão temporária do nervo

É a causa mais frequente.

Cruzar as pernas por muito tempo, dormir na mesma posição ou usar calçados apertados pode comprimir temporariamente um nervo da perna ou do pé. Nesses casos, a sensibilidade costuma voltar ao normal depois de caminhar ou mudar de posição.

2. Joanete e outras alterações no pé

O joanete (hálux valgo) e outras alterações na estrutura do pé podem aumentar a pressão sobre nervos próximos ao dedão, favorecendo episódios de dormência em algumas pessoas.

Sapatos estreitos ou de bico fino também podem agravar esse desconforto.

3. Problemas na coluna lombar

Hérnia de disco e outras alterações na coluna podem comprimir as raízes nervosas que chegam aos pés.

Além da dormência, é comum haver dor lombar, dor irradiando para a perna (ciatalgia), formigamento ou fraqueza muscular.

4. Neuropatia periférica

Quando a dormência é persistente ou afeta os dois pés, uma possibilidade é a neuropatia periférica, condição causada por lesões nos nervos periféricos.

Segundo uma revisão publicada na revista científica Nature Reviews Neurology, a neuropatia periférica diabética (uma das formas mais comuns da doença) pode afetar até metade das pessoas com diabetes.

Além da perda de sensibilidade, ela aumenta o risco de úlceras nos pés e outras complicações quando não é identificada e tratada precocemente.

A neuropatia periférica pode ter diversas causas, entre elas:

  • diabetes;
  • deficiência de vitamina B12;
  • consumo excessivo de álcool;
  • doença renal crônica;
  • alguns medicamentos, principalmente certos quimioterápicos.

Também podem surgir queimação, sensação de choques e redução da sensibilidade.

5. Compressão de nervos no tornozelo ou no pé

Alguns nervos podem ser comprimidos próximo ao tornozelo, como ocorre na síndrome do túnel do tarso.

Além da dormência, podem aparecer dor, formigamento ou sensação de queimação na planta do pé.

6. Problemas circulatórios

Embora sejam lembrados com frequência, os problemas circulatórios costumam provocar outros sintomas antes da dormência isolada no dedão.

Dor nas pernas ao caminhar, pés frios, mudança na cor da pele e feridas que demoram para cicatrizar são sinais mais característicos e merecem avaliação médica.

Leia também: Acordar com as mãos dormentes: o que pode ser? Entenda

Quando procurar um médico?

Procure atendimento se a dormência:

  • durar mais do que algumas horas ou voltar com frequência;
  • piorar ao longo do tempo;
  • vier acompanhada de dor intensa;
  • causar dificuldade para caminhar;
  • estiver associada à perda de força no pé ou na perna.

Já uma perda súbita de força ou sensibilidade em um lado do corpo, especialmente se vier acompanhada de dificuldade para falar, alteração da visão ou perda de equilíbrio, exige atendimento imediato.

O que fazer quando o dedão fica dormente?

Se o sintoma surgiu depois de permanecer muito tempo na mesma posição ou usar um calçado apertado, normalmente basta:

  • levantar e caminhar;
  • movimentar os dedos e o tornozelo;
  • trocar para um calçado mais confortável.

Se a dormência persistir ou voltar com frequência, o mais importante é descobrir sua causa, em vez de apenas tentar aliviar o desconforto.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela avaliação clínica. Dependendo dos sintomas, o médico pode solicitar exames de sangue, eletroneuromiografia, ressonância magnética da coluna ou exames para avaliar a circulação.

Nem todas as pessoas precisam realizar todos esses exames. A investigação depende da suspeita clínica.

Dormência persistente merece investigação

Na maioria das vezes, o dedão do pé dormente está relacionado a uma compressão temporária do nervo e melhora rapidamente.

Se o sintoma persistir, voltar com frequência ou vier acompanhado de dor, fraqueza ou dificuldade para caminhar, procure avaliação médica. Identificar a causa precocemente permite iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações.

Continue lendo: Dedos gelados e dormentes: quando é normal e quando merece atenção

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Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

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