Seu filho prefere brincar sozinho? Isso nem sempre significa solidão

É hora do recreio. Enquanto a maioria das crianças corre para brincar, uma delas fica sentada lendo, desenhando ou simplesmente fazendo alguma coisa por conta própria.

Para um adulto, a cena pode despertar preocupação. “Será que ele não tem amigos?”, “Será que está sendo excluído?” ou “Será que preciso incentivar mais a socialização?”.

Nem sempre.

Uma criança pode gostar de ficar sozinha e, ainda assim, ter amigos e se sentir bem com os colegas. O fato de brincar sozinha, por si só, não significa que esteja triste ou se sentindo excluída.

Brincar sozinho não conta toda a história

Uma criança pode ficar sozinha porque quer ou porque gostaria de participar, mas não consegue.

Essa diferença é fundamental. Uma criança que escolhe desenhar sozinha no recreio e depois aceita brincar com um colega está em uma situação bem diferente daquela que gostaria de ter amigos, mas sempre acaba afastada do grupo.

No estudo, algumas crianças identificadas pelos colegas como pouco sociáveis estavam insatisfeitas com sua posição na turma.

Elas podiam até manter amizades individuais, mas se incomodavam por não serem chamadas para determinadas atividades ou por ficarem frequentemente sozinhas.

Outras, porém, preferiam passar algum tempo sozinhas e ainda assim se sentiam parte do grupo.

O sentimento de pertencimento faz diferença

A pesquisa encontrou uma característica importante entre essas crianças: elas consideravam importante pertencer ao grupo.

Isso parece permitir uma espécie de equilíbrio. A criança pode recusar uma brincadeira hoje porque prefere fazer outra coisa, mas sabe que continuará sendo aceita e poderá participar em outro momento.

É diferente de uma criança que vai se afastando dos colegas e, com o tempo, deixa de ser convidada.

Os autores levantam a possibilidade de que rejeitar repetidamente convites para brincar reduza as oportunidades de convivência.

Mas esse ponto precisa ser interpretado com cuidado. O estudo identificou associações entre esses comportamentos, não provou que recusar convites cause isolamento.

Pais não precisam obrigar a criança a socializar

Diante disso, pressionar uma criança a entrar em uma brincadeira com muitas outras crianças pode não ser a melhor estratégia.

Para quem prefere atividades individuais, pode ser mais confortável começar com uma interação menor, como brincar com apenas um colega ou participar de uma atividade com outras crianças que tenham interesses parecidos.

A ideia não é transformar uma criança mais reservada em alguém extrovertido.

Ela precisa aprender, principalmente, que pode escolher ficar sozinha algumas vezes sem perder a conexão com os outros.

Quando vale prestar mais atenção

O problema não está simplesmente em a criança brincar sozinha.

A situação merece atenção quando existe sofrimento por trás desse comportamento, por exemplo, se ela:

  • quer fazer amigos, mas não consegue se aproximar dos colegas;
  • demonstra tristeza por ser deixada de fora das brincadeiras;
  • evita a escola ou atividades por causa das relações com outras crianças;
  • muda de comportamento de forma repentina e passa a se isolar.

Nessas situações, vale conversar com a criança e observar também o que acontece na escola.

Muitas vezes, esse contexto ajuda a entender se ela está apenas exercendo sua preferência ou enfrentando dificuldades para se conectar com os colegas.

No fim, a pergunta mais importante talvez não seja: “Por que meu filho fica sozinho?”

E sim: ele está sozinho porque gosta ou porque gostaria de estar com os outros, mas não consegue?

Essa diferença muda completamente a forma de olhar para a criança.

O estudo analisou 473 alunos do quarto e quinto anos do ensino fundamental e foi publicado no The Elementary School Journal.

Leitura Recomendada: Água de coco faz bem aos rins? Veja o que acontece com o consumo frequente

Compartilhe este conteúdo
Avatar photo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS