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Cacau colocado à prova: o que a ciência diz sobre humor, depressão e memória
Quem nunca recorreu a um pedaço de chocolate depois de um dia difícil? Para muita gente, o doce está associado a uma sensação de prazer e conforto. Mas será que o cacau pode fazer mais do que isso e ter algum efeito sobre o cérebro?
Essa é justamente a questão que vem despertando interesse entre os pesquisadores.
Uma nova revisão reuniu evidências sobre os polifenóis do cacau e a saúde cerebral, avaliando possíveis efeitos sobre o humor, sintomas depressivos, memória e outras funções cognitivas.
Os resultados são interessantes, mas não contam uma história tão simples.
Os sinais mais promissores aparecem quando o assunto é humor. Já para memória e outras capacidades cognitivas, as evidências ainda são bem menos consistentes.
Cacau pode melhorar o humor? Veja seu possível efeito
O cacau é rico em polifenóis, principalmente flavanóis. Essas substâncias podem participar de processos ligados à circulação sanguínea, à inflamação e ao funcionamento das células nervosas.
Em alguns dos estudos analisados, houve melhora em sintomas depressivos e aspectos do humor após o consumo de cacau ou chocolate amargo.
Isso, porém, não aconteceu da mesma forma em todas as pesquisas. Em alguns casos, a diferença foi pequena, o que torna difícil saber o quanto o cacau contribuiu para o resultado.
Por isso, ainda é cedo para dizer que o cacau previne ou trata a depressão. Ele pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas não substitui o tratamento médico ou psicológico quando ele é necessário.
E a memória? A resposta ainda não é clara
Quando o assunto é memória, atenção e outras funções do cérebro, os resultados são bem menos animadores.
Em estudos com animais, os compostos do cacau chegaram a melhorar alguns testes de memória. Isso despertou a hipótese de que eles também poderiam beneficiar o cérebro humano.
Mas os estudos com pessoas ainda não chegaram a uma conclusão consistente. Alguns encontraram pequenas melhorias em determinadas tarefas mentais, enquanto outros não observaram diferença significativa em atenção, memória ou desempenho cognitivo.
Por isso, ainda não há evidência suficiente para dizer que comer chocolate amargo melhora a memória ou protege contra doenças como Alzheimer.
O intestino também pode entrar nessa história
Os possíveis efeitos do cacau sobre o humor podem ter relação também com o intestino. Isso porque os polifenóis presentes no cacau interagem com as bactérias que vivem ali.
Em alguns estudos, o consumo de cacau foi acompanhado por mudanças nessas bactérias e também por alterações no humor.
A hipótese é que essa comunicação entre intestino e cérebro possa participar dos efeitos observados.
Mas ainda não dá para dizer que foi o intestino que provocou a melhora.
Os estudos encontraram as duas coisas ao mesmo tempo, mas não conseguiram provar que a mudança nas bactérias seja a responsável pelo efeito sobre o humor.
Então chocolate faz bem para o cérebro?
A resposta mais honesta, hoje, é: talvez em alguns aspectos, mas não da forma que manchetes podem sugerir.
O sinal mais interessante está relacionado ao humor e ao bem-estar emocional. Para memória, atenção e outras capacidades cognitivas, os resultados ainda são inconsistentes.
Também é preciso lembrar que os estudos analisaram produtos e quantidades diferentes.
Chocolate com alto teor de cacau não é necessariamente equivalente a qualquer chocolate disponível no mercado, especialmente aqueles com muito açúcar e gordura.
A revisão publicada na Frontiers in Nutrition reforça que o cacau é uma possibilidade interessante para a pesquisa, mas ainda não uma solução comprovada para melhorar a saúde do cérebro.
Estudos maiores e mais longos deverão mostrar se os efeitos observados até agora realmente fazem diferença na vida das pessoas.
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