Cardiologista explica quando a ansiedade imita um infarto

A mente e o coração estão em constante diálogo. Em momentos de forte tensão, estresse ou crises de ansiedade, é comum o corpo reprimir a emoção até que ela transborde em reações físicas imediatas.

No entanto, muitas pessoas se assustam ao perceber que um estado emocional, algo aparentemente intangível, é capaz de desencadear sintomas extremamente dolorosos e assustadores, como aperto no peito e falta de ar.

Esse fenômeno tem uma explicação fisiológica direta.

Quando o cérebro interpreta uma situação como ameaçadora (seja um perigo real ou uma crise de ansiedade), ele ativa o sistema nervoso simpático, liberando uma descarga imediata de hormônios como adrenalina e cortisol na corrente sanguínea.

Essa tempestade hormonal prepara o organismo para a reação de ‘luta ou fuga’: os vasos sanguíneos se contraem, a pressão arterial eleva-se e a frequência cardíaca dispara para irrigar os músculos rapidamente.

O problema ocorre quando esse alarme do corpo é acionado com frequência na ausência de um perigo físico real, gerando uma sobrecarga contínua sobre o sistema cardiovascular.

A reação do sistema cardiovascular à ansiedade pode provocar manifestações bastante diversas, como taquicardia, palpitações, dor ou aperto torácico, falta de ar e hiperventilação.

Síndrome do coração partido: quando o estresse imita um infarto

Em cenários de estresse emocional extremo, como a perda súbita de um ente querido ou um grande trauma, a descarga hormonal pode ser tão violenta que provoca a chamada Síndrome de Takotsubo, conhecida como Síndrome do Coração Partido.

Nessa condição, uma parte do músculo cardíaco fica temporariamente paralisada, simulando exatamente os sintomas de um infarto agudo.

Ansiedade ou emergência cardíaca? Como diferenciar

O maior desafio para quem vivencia o problema é diferenciar uma crise de ansiedade de uma emergência cardíaca real, já que ambas podem causar dor no peito, suor frio e sensação de fatalidade iminente.

Nesses casos, a conduta mais indicada é passar por triagem médica.

Uma avaliação eletrocardiográfica e exames laboratoriais são essenciais para descartar problemas estruturais ou isquêmicos.

Uma vez confirmado que o coração está fisicamente saudável, o foco se volta para cuidar da saúde mental.

Cuidar do estresse crônico e da ansiedade, por meio de acompanhamento psicológico, atividade física regular e ajustes no estilo de vida, é uma medida preventiva direta para proteger o ritmo e a longevidade do coração.

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Dr. Ricardo Ferreira

Dr. Ricardo Ferreira Silva é médico cardiologista, especializado no diagnóstico e tratamento de arritmias cardíacas. Possui formação em instituições como o Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, Hospital do Coração (HCor) e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP).

É fundador do Centro Cardiológico em Uberaba (MG) e também atua em São Paulo, em hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo.

CRM 141475 (SP)

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