Prevenção do Alzheimer: em que idade começar, o que fazer e suplementos ajudam?

Há hábitos que entram na rotina pensando no coração, no peso ou na disposição, mas que também podem fazer parte do cuidado com o cérebro. É nesse conjunto de escolhas que começa a prevenção do Alzheimer.

Manter o corpo ativo, controlar a pressão e o diabetes, cuidar do sono, ter uma alimentação equilibrada, não fumar, evitar o excesso de álcool e preservar a convivência com outras pessoas são atitudes que podem ser cultivadas ao longo da vida.

Nenhuma delas garante que a doença não vai acontecer. Ainda assim, cuidar desses fatores pode contribuir para a saúde cerebral.

A atualização mais recente da Organização Mundial da Saúde reforça essa visão. O risco de demência é influenciado por diferentes fatores ao longo da vida, e parte deles pode ser modificada.

A prevenção do Alzheimer não está em uma cápsula

A neurologista Dra. Marília Graner chama atenção para um erro comum quando o assunto é prevenção, a busca por uma solução isolada.

“A prevenção da doença de Alzheimer não está em um suplemento, em algo que você tome e que magicamente vai evitar que o processo fisiopatológico da doença aconteça”, explica Marília.

Para pessoas sem uma deficiência nutricional diagnosticada, a Organização Mundial da Saúde não recomenda vitaminas B e E, ômega-3 ou multivitamínicos e minerais como estratégia para reduzir o risco de declínio cognitivo ou demência.

O cuidado passa, na verdade, por um conjunto de hábitos e pelo controle de fatores de risco ao longo da vida.

A atividade física é um exemplo. Além de contribuir para a saúde do cérebro, preservar a massa muscular ajuda a manter a autonomia ao longo do envelhecimento. O exercício também pode ampliar as oportunidades de convivência social.

Para Marília, esses aspectos fazem parte de uma visão mais ampla de prevenção, que não se resume à memória nem depende de uma única intervenção.

A meia-idade também merece atenção

A prevenção do Alzheimer não precisa ficar para a velhice. Na avaliação de Marília, entre os 50 e os 60 anos já existe uma oportunidade importante para investir na saúde do cérebro.

Isso não significa que a prevenção comece nessa fase. A atualização mais recente da Organização Mundial da Saúde reforça que os fatores relacionados ao risco de declínio cognitivo e demência podem ser trabalhados ao longo da vida.

A meia-idade aparece, portanto, como uma fase especialmente importante para fortalecer hábitos que já fazem parte da rotina ou para incorporar aqueles que ainda ficaram de lado.

Quando o cuidado muda de etapa

Prevenção não significa garantia. Mesmo com hábitos saudáveis, idade, genética e outros fatores também participam do risco de Alzheimer.

Quando uma mudança começa a interferir na rotina, o foco deixa de ser apenas a prevenção e passa a ser entender o que está acontecendo.

De acordo com o geriatra Rafael Rondineli Ceregatti, esse é o momento em que a atenção precisa aumentar.

“O sinal de alerta aparece quando as mudanças de memória, comportamento ou capacidade de realizar atividades do cotidiano começam a interferir de maneira significativa na vida da pessoa”, explica.

A avaliação pode ajudar a esclarecer a situação e também permitir que a pessoa e a família se preparem para os próximos passos.

“O diagnóstico também permite que a pessoa e a família se organizem”, ressalta o geriatra.

Esse planejamento pode envolver cuidados de saúde, adaptações na rotina e decisões sobre o futuro.

A pessoa vem antes do diagnóstico

Mesmo depois de uma demência ser identificada, existe algo que nenhum exame mede. A pessoa continua tendo sua história, seus vínculos e suas preferências.

“Uma pessoa com demência continua tendo sentimentos, preferências, história de vida e necessidade de afeto. Ela não se resume ao diagnóstico”, lembra Ceregatti.

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Redação SaúdeLab

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