O que você come ou deixa de comer pode mexer com a ansiedade? A ciência responde

Quando a ansiedade aparece com frequência, é comum começar a prestar mais atenção em tudo o que pode estar influenciando os sintomas, inclusive na alimentação.

E é justamente nesse contexto que surge a pergunta: será que existem alimentos que combatem a ansiedade? E mais: será que alguns alimentos podem piorar o problema?

A ciência não aponta um alimento específico capaz de tratar a ansiedade, mas indica que a alimentação pode ter relação com a forma como os sintomas aparecem.

Isso não significa que basta mudar o que vai ao prato para controlar o problema. Mas alguns alimentos e bebidas podem interferir em sintomas como agitação e dificuldade para dormir, enquanto a qualidade geral da alimentação também vem sendo estudada em relação à saúde mental.

É por isso que café, álcool, ultraprocessados e alimentos ricos em nutrientes aparecem nessa conversa, mas não pelos mesmos motivos.

Quais alimentos podem ajudar?

Mais do que procurar um alimento com efeito antiansiedade, vale olhar para o que aparece com frequência na alimentação.

Frutas, verduras, legumes, feijão, outras leguminosas, grãos integrais, castanhas e sementes fornecem fibras, vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para o organismo.

Eles costumam aparecer em padrões alimentares considerados mais saudáveis e que vêm sendo estudados também em relação à saúde mental.

Peixes como sardinha, atum e salmão são fontes de ômega-3. Estudos que avaliaram a suplementação dessa gordura encontraram possível redução dos sintomas de ansiedade, mas a certeza da evidência ainda é baixa ou muito baixa.

E o café: precisa ser cortado?

Não necessariamente. Mas a cafeína pode piorar alguns sintomas, principalmente quando consumida em grandes quantidades.

Café, energéticos, alguns chás e refrigerantes de cola podem aumentar agitação, tremores, palpitações e dificuldade para dormir. Para quem já está ansioso, esses efeitos podem ser particularmente desconfortáveis.

Uma análise de estudos publicada em 2024 encontrou associação entre o consumo de cafeína e maior risco de sintomas de ansiedade, com efeito mais evidente em doses elevadas.

Por isso, não é preciso concluir que toda pessoa com ansiedade deve abandonar o café. A sensibilidade varia.

Se a bebida parece aumentar a agitação ou atrapalhar o sono, reduzir a quantidade, especialmente no fim do dia, pode ser uma medida simples a experimentar.

Álcool e ultraprocessados também merecem atenção?

Sim, mas por razões diferentes.

O álcool pode provocar uma sensação inicial de relaxamento, mas não deve ser usado para controlar a ansiedade.

O Ministério da Saúde inclui a redução do consumo de álcool e cafeína entre as orientações de estilo de vida para pessoas com transtornos de ansiedade.

Já os ultraprocessados aparecem em pesquisas que analisam a qualidade geral da alimentação.

Uma análise de estudos publicada em 2026 encontrou associação entre padrões alimentares considerados pouco saudáveis, incluindo maior consumo de ultraprocessados e fast-food, e mais sintomas de ansiedade.

Essa associação não quer dizer que os ultraprocessados ou o fast-food provoquem ansiedade. A própria ansiedade pode levar algumas pessoas a mudar a alimentação, comer mais ou menos e alterar a rotina.

O que vale mudar no prato?

Para quem quer melhorar a alimentação, a estratégia mais consistente é menos complicada do que procurar uma lista de “alimentos antiansiedade”.

Vale priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e variar frutas, verduras, legumes, feijão, cereais integrais e fontes de proteínas e gorduras.

Peixes podem fazer parte dessa rotina quando estiverem disponíveis e fizerem sentido para a alimentação da pessoa.

Também pode ser útil observar a própria relação com a cafeína. Se café ou energéticos parecem piorar a ansiedade, reduzir o consumo pode ser uma mudança prática.

E existe uma diferença importante entre cuidar da alimentação e tratar um transtorno de ansiedade.

Quando a ansiedade é persistente, provoca sofrimento ou interfere na rotina, alimentação sozinha não substitui avaliação e tratamento profissional.

Leitura Recomendada: AVC, hospitalização e o que a insônia tem a ver com isso

Compartilhe este conteúdo
Avatar photo
Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS