“Eu sabia que isso iria acontecer.”
É algo que pode parecer uma previsão ou uma lembrança, mas que pode ser apenas uma edição da sua memória. Quando um relacionamento termina, um trabalho muda ou um plano não dá certo, as dúvidas que tínhamos no início daquela história parecem desaparecer.
É como se o final tornasse o começo muito mais lógico e previsível do que ele realmente foi.
Mas por que isso acontece? Por que, depois que conhecemos o desfecho de uma história, temos a impressão de que já existiam sinais suficientes para saber o que viria pela frente?
Por que a memória muda a forma como enxergamos o passado
Acontece que a nossa memória não funciona como um simples rebobinar de filme. Ela também funciona como uma edição de histórias.
Então, quando já sabemos o final, tendemos a reorganizar as lembranças do que aconteceu antes, como se aquele desfecho fosse mais previsível do que realmente era.
Passamos a olhar para os sinais do passado com as informações que temos hoje, esquecendo que, naquele momento, ainda não sabíamos como tudo iria terminar.
E isso pode ser muito cruel com a versão anterior de nós mesmos. Afinal, não é justo cobrar que ela soubesse coisas que só puderam ser compreendidas com o desenrolar dos fatos.
Naquele momento, você estava vivendo a situação com as informações, os sentimentos e as possibilidades que tinha. Você não tinha como conhecer todas as respostas que só apareceriam depois.
Por isso, sempre que você se pegar usando a frase “Eu sabia que isso ia acontecer” para justificar a autoculpa, o sofrimento ou a tristeza, lembre-se de ter um pouco mais de compaixão pela sua versão anterior, aquela que estava começando a viver essa história.
Ela não sabia tudo o que você sabe agora e não merece ser julgada como se tivesse tido acesso ao futuro.
Não deixe que a sua memória reescreva toda a história de uma maneira tão sofrida ou cruel.
Você pode olhar para trás, reconhecer o que aprendeu e compreender os sinais que não percebeu na época, sem transformar esse aprendizado em motivo para se culpar pelo que aconteceu.
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