Ovos orgânicos: o que muda quando a galinha tem acesso ao pasto

Quando pensamos em ovos, o primeiro nutriente que vem à mente costuma ser a proteína. No entanto, pesquisas científicas também têm voltado os holofotes para a gema dos ovos orgânicos, investigando diferenças na concentração de compostos bioativos e ácidos graxos em comparação com os ovos convencionais.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por produtos sustentáveis, que respeitem o bem-estar animal, tornando essa escolha uma forma de considerar tanto a saúde quanto o cuidado com o planeta.

O que muda na composição dos ovos orgânicos

A qualidade nutricional de um ovo depende diretamente da alimentação da galinha, independentemente do sistema de produção.

O modelo orgânico se destaca por permitir que as aves expressem seus comportamentos naturais e por estabelecer regras específicas de manejo.

No Brasil, a regulamentação da produção orgânica estabelece um período mínimo de 75 dias de manejo orgânico para galinhas poedeiras, conforme as condições previstas na legislação.

Além das condições de criação, a alimentação das galinhas também pode influenciar a composição dos ovos.

Embora a comunidade científica ainda busque dados mais detalhados para comparação, estudos indicam que o acesso livre ao pasto pode melhorar o perfil nutricional dos ovos, com maiores concentrações de ômega-3, como o ácido alfa-linolênico e o DHA.

Além disso, esses ovos podem apresentar níveis mais elevados de alfa-tocoferol, uma forma de vitamina E, e de carotenoides, como o betacaroteno e a luteína.

Esses compostos desempenham funções importantes no organismo.

O que os ovos orgânicos podem oferecer à saúde

A vitamina E e a luteína, por exemplo, estão relacionadas à proteção das células contra danos oxidativos e à manutenção da saúde ocular.

Os possíveis efeitos do consumo desses ovos sobre a inflamação e a imunidade, porém, ainda precisam ser mais bem estudados.

Nesse contexto, escolher ovos orgânicos na hora das compras vai muito além de um capricho.

É também uma forma de valorizar sistemas de produção que seguem critérios específicos de alimentação e manejo das aves, incluindo cuidados com o bem-estar animal.

Assim, essa escolha pode fazer parte de um consumo mais consciente, que considera tanto o alimento quanto a maneira como ele é produzido.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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