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O que chá, frutas vermelhas e chocolate amargo têm a ver com Parkinson
Uma xícara de chá no café da manhã, algumas frutas vermelhas ao longo do dia ou um pedaço de chocolate amargo depois do almoço podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. Mas será que esses alimentos também têm alguma relação com a saúde do cérebro?
Uma nova pesquisa encontrou uma associação entre uma alimentação com maior presença de alimentos ricos em flavonoides e uma menor ocorrência de doença de Parkinson.
O resultado chama atenção porque reúne hábitos comuns à mesa e uma das doenças neurodegenerativas mais conhecidas.
O que os alimentos têm a ver com Parkinson?
Flavonoides são compostos encontrados em vários alimentos de origem vegetal. Eles estão presentes em chás, frutas, verduras, cacau e outros alimentos.
Essas substâncias despertam interesse científico porque podem participar de processos relacionados à inflamação e ao estresse oxidativo, fenômenos que também aparecem em doenças neurodegenerativas.
Em vez de procurar um alimento “protetor”, os pesquisadores quiseram saber se o conjunto desses alimentos poderia estar relacionado ao risco de Parkinson.
O que a pesquisa encontrou
O estudo acompanhou 123.655 participantes do UK Biobank, um grande banco de dados britânico. Durante o acompanhamento, que durou em média quase 14 anos, foram identificados 796 casos de Parkinson registrados em hospitais.
As pessoas foram agrupadas de acordo com o consumo de alimentos ricos em flavonoides, incluindo chá preto e verde, frutas vermelhas, maçã, uva, frutas cítricas, cebola, pimentão e chocolate amargo.
Aquelas com maior pontuação nesse padrão alimentar apresentaram cerca de 25% menos risco de ter Parkinson registrado em hospital do que aquelas com menor pontuação.
Nenhum alimento se destacou sozinho
Esse detalhe muda bastante a interpretação do resultado.
Quando os pesquisadores analisaram alimentos e tipos específicos de flavonoides separadamente, nenhuma associação permaneceu significativa após os ajustes estatísticos.
Portanto, não dá para dizer que frutas vermelhas, chá ou chocolate amargo, individualmente, sejam responsáveis pelo resultado.
O café também merece atenção. Quando o consumo da bebida foi considerado na análise, a associação observada ficou mais fraca.
Isso é relevante porque o café já foi relacionado a um menor risco de Parkinson em estudos anteriores e pode se sobrepor a outros hábitos alimentares.
O que isso significa para quem quer proteger o cérebro?
A pesquisa, publicada na Frontiers in Nutrition, reforça o interesse da ciência pela relação entre alimentação e saúde cerebral.
Mas não há motivo para transformar um alimento em “remédio” contra Parkinson.
Chá, frutas, verduras, chocolate amargo e outros alimentos ricos em flavonoides podem fazer parte de uma alimentação saudável por várias razões, enquanto a relação entre esse padrão alimentar e a doença ainda é estudada.
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