Alimentos que pioram o fogacho: o que realmente influencia as ondas de calor

Os fogachos (também chamados de ondas de calor) estão entre os sintomas mais marcantes da menopausa.

A sensação é conhecida: um calor súbito que começa no peito ou no rosto, sobe pelo pescoço, vem acompanhado de vermelhidão, suor e, às vezes, palpitação.

Em poucos minutos, o corpo parece “fora de controle”. Para muitas mulheres, isso acontece várias vezes ao dia e também durante a noite, prejudicando o sono e o bem-estar.

Desta forma, é comum surgir a dúvida: existem alimentos que pioram o fogacho? A resposta é sim, pelo menos para uma parte das mulheres.

A alimentação não é a causa da menopausa, mas pode funcionar como gatilho em um organismo que já está mais sensível às variações hormonais.

Entender como isso acontece ajuda a fazer escolhas mais conscientes e menos baseadas em restrições aleatórias.

Por que os fogachos acontecem?

Durante a menopausa, há uma queda progressiva dos níveis de estrogênio. Esse hormônio participa da regulação do centro termorregulador do cérebro, localizado no hipotálamo, a “central de controle” da temperatura corporal.

Com menos estrogênio circulando, esse sistema fica mais instável. Pequenas variações internas, que antes seriam ignoradas, passam a ser interpretadas como calor excessivo.

O corpo reage ativando mecanismos de resfriamento, como vasodilatação (dilatação dos vasos sanguíneos) e sudorese. É isso que gera o fogacho.

As ondas de calor como um dos sintomas mais comuns e reconhece que elas podem variar bastante em intensidade e frequência, afetando a qualidade de vida.

Do ponto de vista clínico, entidades médicas como a North American Menopause Society também apontam que fatores comportamentais e ambientais (incluindo a alimentação) podem atuar como desencadeadores em parte das mulheres.

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Alimentos que pioram o fogacho: principais gatilhos alimentares

Nem todas as mulheres reagem da mesma forma, mas alguns grupos de alimentos são mais frequentemente associados ao aumento da frequência ou intensidade dos fogachos.

Alimentos picantes e condimentados

Pimentas e temperos muito intensos contêm capsaicina, uma substância que ativa receptores nervosos ligados à sensação de calor. O corpo interpreta esse estímulo como aumento de temperatura e responde com sudorese e vasodilatação.

Em uma mulher com o centro termorregulador já mais sensível, esse estímulo pode precipitar um fogacho. Muitas relatam que pratos muito apimentados no jantar resultam em ondas de calor noturnas.

Isso não significa que toda pimenta precise ser eliminada, mas observar a relação entre consumo e sintomas pode ser útil.

Bebidas alcoólicas

O álcool é um dos gatilhos mais consistentes quando se fala em alimentos que pioram o fogacho. Ele promove vasodilatação periférica, ou seja, dilata os vasos sanguíneos da pele, o que gera sensação de calor e vermelhidão.

Além disso, pode interferir no sistema nervoso central e desregular ainda mais o controle térmico. Algumas mulheres percebem que uma taça de vinho já é suficiente para desencadear ondas de calor horas depois.

Na prática clínica, recomendações de sociedades de menopausa frequentemente citam o álcool como um fator que pode agravar sintomas vasomotores em parte das mulheres, reforçando que a sensibilidade é individual.

Cafeína

A cafeína estimula o sistema nervoso simpático — o mesmo envolvido na resposta de alerta do organismo. Esse estímulo pode aumentar a frequência cardíaca, gerar leve sudorese e sensação de calor.

Café, chá preto, chá verde, refrigerantes à base de cola e energéticos são fontes comuns. Para mulheres particularmente sensíveis, mesmo uma xícara no final da tarde pode piorar os fogachos noturnos.

Não é raro que a simples redução da cafeína já traga melhora parcial da intensidade dos sintomas.

Açúcar refinado e picos glicêmicos

Alimentos ricos em açúcar simples provocam rápida elevação da glicose no sangue, seguida por uma resposta intensa de insulina. Essas oscilações metabólicas podem influenciar o sistema nervoso autônomo e a estabilidade térmica.

Além disso, padrões alimentares com alta carga glicêmica tendem a favorecer inflamação sistêmica e piora do bem-estar metabólico — o que pode deixar algumas mulheres mais suscetíveis a sintomas desconfortáveis no dia a dia.

Doces, refrigerantes, sucos industrializados e cereais açucarados são exemplos frequentes. Muitas mulheres relatam que dias com consumo elevado de açúcar coincidem com mais episódios de calor súbito.

Alimentos ultraprocessados e refeições muito gordurosas

Refeições pesadas exigem maior esforço digestivo. O próprio processo de digestão aumenta temporariamente a produção de calor corporal — um efeito esperado do metabolismo.

Quando isso se soma a alimentos ricos em gorduras saturadas, sódio e aditivos, pode haver maior sensação de desconforto térmico, além de piora de fatores de saúde importantes nessa fase, como pressão arterial e risco cardiovascular.

Fast food, embutidos e salgadinhos industrializados não apenas podem piorar o fogacho em algumas mulheres, como também atrapalham a construção de um padrão alimentar mais estável e favorável no climatério.

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Cada mulher reage de forma diferente

É importante reforçar que não existe uma “lista universal” de proibições. O que intensifica os sintomas em uma mulher pode não ter qualquer efeito em outra.

Manter um diário alimentar por algumas semanas pode ajudar a identificar padrões. Observar o horário das refeições, o tipo de alimento consumido e a ocorrência de ondas de calor nas horas seguintes costuma trazer clareza.

Entidades médicas voltadas à saúde na menopausa recomendam estratégias individualizadas no manejo dos sintomas vasomotores, justamente porque o gatilho pode variar bastante entre pessoas.

O que pode ajudar a reduzir os fogachos

Mais importante do que cortar alimentos isoladamente é construir um padrão alimentar mais estável.

Dietas ricas em vegetais, frutas, grãos integrais, proteínas magras e gorduras insaturadas tendem a promover melhor equilíbrio metabólico. Manter hidratação adequada também é essencial, já que a sudorese frequente pode aumentar a sensação de desconforto.

Além da alimentação, prática regular de atividade física, controle do estresse e sono adequado fazem parte do manejo global dos sintomas da menopausa.

Quando procurar avaliação médica

Embora os fogachos sejam comuns na menopausa, alguns sinais exigem avaliação profissional.

Procure um médico se as ondas de calor forem extremamente intensas, acompanhadas de palpitações persistentes, perda de peso inexplicada, suores noturnos incapacitantes ou se surgirem antes dos 40 anos, o que pode indicar menopausa precoce.

Também é importante investigar sintomas que interfiram de forma significativa na qualidade de vida, no humor ou no sono. Existem opções terapêuticas (hormonais e não hormonais) que podem ser consideradas de forma individualizada.

O Ministério da Saúde orienta que o acompanhamento no climatério deve incluir avaliação global da saúde da mulher, considerando risco cardiovascular, saúde óssea e impacto dos sintomas.

Alimentação consciente, não restrição radical

Falar sobre alimentos que pioram o fogacho não significa criar uma dieta restritiva ou gerar culpa. O objetivo é ampliar a percepção sobre como o corpo reage nessa fase da vida.

A menopausa é uma transição fisiológica, não uma doença. Ajustes simples, como reduzir álcool, moderar cafeína ou evitar refeições muito pesadas à noite, podem trazer alívio significativo para algumas mulheres.

O caminho mais seguro é observar, testar pequenas mudanças e buscar orientação profissional quando necessário. Com informação clara e decisões conscientes, é possível atravessar essa fase com mais conforto e autonomia.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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