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Quer comer mais fibras sem ficar com a barriga estufada? Veja como fazer do jeito certo
Se você já tentou melhorar a alimentação e decidiu investir em mais frutas, verduras, grãos integrais e sementes, talvez tenha passado por uma situação frustrante: poucos dias depois, veio a sensação de barriga estufada, gases e desconforto.
A dúvida surge quase automaticamente: será que fibra faz mal?
A resposta é não. O que costuma causar desconforto não é a fibra em si, mas a forma como ela é introduzida na rotina. Entender como consumir mais fibras de maneira estratégica faz toda a diferença entre colher benefícios metabólicos e sofrer com inchaço abdominal.
As fibras são componentes dos alimentos vegetais que o nosso organismo não digere completamente. Elas passam pelo trato gastrointestinal exercendo funções importantes, como melhorar o trânsito intestinal, alimentar a microbiota e ajudar no controle da glicose e do colesterol.
O Ministério da Saúde recomenda o consumo regular de alimentos in natura e minimamente processados, incluindo feijões, frutas, legumes e cereais integrais, justamente pelo seu teor de fibras e impacto positivo na saúde.
Mas o corpo precisa de tempo para se adaptar.
O que acontece no intestino quando você aumenta as fibras
Para entender como consumir mais fibras sem inchaço, é importante visualizar o que acontece no seu intestino.
Fibras solúveis e insolúveis: qual a diferença prática?
As fibras solúveis se dissolvem em água e formam uma espécie de gel no intestino. Estão presentes na aveia, na maçã, no feijão e na chia. Esse gel ajuda a desacelerar a absorção de açúcar, contribuindo para o controle da glicemia, e também auxilia na redução do colesterol.
Já as fibras insolúveis, encontradas em verduras, grãos integrais e sementes, não se dissolvem. Elas aumentam o volume das fezes e estimulam o movimento intestinal.
A Organização Mundial da Saúde reforça que a ingestão adequada de fibras está associada à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. O problema não está na fibra — está na velocidade da mudança alimentar.
Por que as fibras causam gases?
Quando você aumenta rapidamente o consumo de fibras, especialmente as solúveis, elas chegam em maior quantidade ao cólon, onde são fermentadas pelas bactérias da microbiota intestinal. Esse processo é natural e saudável, mas produz gases como subproduto.
Se a microbiota ainda não está adaptada a esse novo padrão alimentar, a fermentação pode ser mais intensa, gerando distensão abdominal, flatulência e sensação de peso. Em outras palavras: o desconforto é, muitas vezes, um sinal de que o intestino está tentando se ajustar.
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Como consumir mais fibras sem desconforto
Depois de entender como as fibras agem no intestino, fica mais claro por que a forma de introduzi-las faz toda a diferença. O segredo não está apenas em escolher os alimentos certos, mas em ajustar ritmo, quantidade e contexto.
A seguir, você vai ver como consumir mais fibras de maneira estratégica, reduzindo o risco de inchaço e desconforto.
Aumente devagar e dê tempo ao corpo
Se hoje você consome poucas fibras, sair de 10 gramas para 30 gramas por dia em uma semana provavelmente trará sintomas. O ideal é aumentar aos poucos, ao longo de duas a quatro semanas.
Por exemplo, começar adicionando uma fruta com casca no café da manhã, incluir uma concha de feijão no almoço ou trocar o pão branco por integral em algumas refeições já é um passo relevante.
A recomendação média para adultos gira em torno de 25 a 30 gramas por dia, segundo diretrizes internacionais amplamente referenciadas, mas esse valor deve ser atingido de forma progressiva.
Hidrate-se como parte da estratégia
Fibra sem água pode piorar a constipação e aumentar o desconforto. Isso porque as fibras absorvem líquido para formar volume fecal adequado.
Se você aumenta fibras e mantém o mesmo padrão de ingestão hídrica, o intestino pode travar em vez de melhorar. Manter uma ingestão regular de água ao longo do dia é essencial para que a fibra cumpra seu papel de forma suave.
Uma dica prática é observar a cor da urina: muito escura pode indicar baixa hidratação.
Prepare melhor os alimentos
Alguns alimentos ricos em fibras são naturalmente mais fermentáveis, como feijão, lentilha, brócolis e couve-flor. Técnicas simples ajudam a reduzir o desconforto.
Deixar leguminosas de molho por 8 a 12 horas antes do cozimento e desprezar a água do demolho pode reduzir compostos que favorecem a formação de gases. Cozinhar adequadamente também facilita a digestão.
Vegetais crus são saudáveis, mas, para quem está aumentando fibras, versões levemente cozidas podem ser melhor toleradas no início.
Mastigação e ritmo importam mais do que parece
Comer rápido favorece a deglutição de ar, o que aumenta a distensão abdominal. Além disso, a mastigação insuficiente deixa partículas maiores chegarem ao intestino, exigindo mais esforço digestivo.
Mastigar melhor e fazer refeições com menos pressa já reduz parte significativa do desconforto relatado por quem está ajustando a alimentação.
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Fibras e microbiota: uma relação estratégica
Nos últimos anos, pesquisas vêm destacando a importância da microbiota intestinal para a saúde metabólica e imunológica. Aliás, o papel das fibras como substrato para bactérias benéficas já é amplamente conhecido.
Ao serem fermentadas, as fibras produzem ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que ajudam a manter a integridade da mucosa intestinal e têm efeito anti-inflamatório local.
Por isso, sentir leve aumento de gases no início pode fazer parte de um processo de adaptação saudável. O objetivo não é eliminar completamente qualquer sintoma, mas evitar desconforto significativo.
Associar fibras a alimentos fermentados, como iogurte natural ou kefir, pode facilitar essa transição ao favorecer uma microbiota mais equilibrada.
Situações do dia a dia: quando ajustar o plano
Imagine alguém que decide mudar radicalmente a alimentação e passa a consumir grandes volumes de alimentos integrais e leguminosas em poucos dias. Em pouco tempo, o desconforto aparece.
Nesse caso, a solução não é abandonar as fibras, mas redistribuir, reduzir temporariamente o volume e reintroduzir de forma progressiva.
Cada organismo responde de maneira individual. Observar padrões e fazer ajustes graduais é parte do processo.
Quando o inchaço pode não ser normal
Apesar de ser comum algum desconforto inicial, há sinais que merecem atenção médica.
Procure avaliação profissional se o inchaço vier acompanhado de dor abdominal intensa, perda de peso involuntária, sangue nas fezes, anemia, alteração persistente do hábito intestinal ou sintomas que não melhoram mesmo após ajustes na dieta.
Condições como síndrome do intestino irritável, intolerâncias alimentares ou doenças inflamatórias intestinais exigem orientação individualizada. Em alguns casos, certos tipos de fibras podem ser temporariamente limitados sob supervisão.
O equilíbrio como estratégia
Aprender como consumir mais fibras sem se sentir inchado(a) não significa fazer mudanças radicais.
Significa entender o funcionamento do próprio corpo, respeitar o tempo de adaptação intestinal e adotar estratégias simples: progressão gradual, hidratação adequada, preparo correto dos alimentos e atenção aos sinais do organismo.
As fibras são aliadas da saúde cardiovascular, metabólica e intestinal. O desconforto inicial não deve ser interpretado como um sinal de que não funcionam, mas como um convite para ajustar a forma de introduzi-las.
Com paciência e constância, é possível transformar a alimentação sem sofrimento — e permitir que o intestino trabalhe a seu favor, não contra você.
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