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Dirigir com enxaqueca é seguro? Nem sempre o problema é apenas a dor de cabeça
Nem sempre a enxaqueca começa em casa ou em um momento de descanso. Para algumas pessoas, a crise surge no meio do trânsito, quando manter a atenção é fundamental.
Além da dor de cabeça, sintomas como sensibilidade à luz, irritação, dificuldade de concentração e alterações visuais podem aparecer durante uma crise. E quando isso acontece ao volante, a situação pode se tornar mais desafiadora.
Um estudo com mais de 1.300 motoristas diagnosticados com enxaqueca sugere que os sintomas da doença podem interferir em habilidades importantes para dirigir, como atenção, percepção do ambiente e capacidade de lidar com estímulos da estrada.
Enxaqueca pode dificultar a condução durante as crises
Entre os participantes avaliados, mais de 70% relataram já ter sentido dor de cabeça enquanto dirigiam. As crises ocorreram em cerca de 13% dos trajetos informados pelos motoristas.
Durante as crises, muitos relataram sintomas que podem dificultar a condução. Cerca de 69% mencionaram queda da atenção, enquanto outros relataram inquietação e irritabilidade.
Os pesquisadores também observaram que a enxaqueca pode aumentar a sensibilidade a estímulos comuns do trânsito, como luz intensa, reflexos de faróis, ruídos e outras distrações presentes no ambiente.
Dirigir com enxaqueca: o que muda quando a crise aparece no meio do trânsito?
Dirigir exige concentração, tomada rápida de decisões e capacidade de lidar com diferentes estímulos ao mesmo tempo.
Durante uma crise de enxaqueca, porém, algumas dessas capacidades podem ficar temporariamente comprometidas.
Além da dor, pessoas com a condição podem apresentar sintomas como:
- sensibilidade à luz;
- sensibilidade a sons;
- tontura;
- náusea;
- dificuldade de concentração;
- alterações visuais.
Em alguns casos, surgem as chamadas auras, fenômeno que pode provocar pontos luminosos, manchas ou distorções na visão antes da dor aparecer.
O estudo encontrou associação com acidentes?
Cerca de 18% dos participantes relataram ter se envolvido em pelo menos um acidente de trânsito no ano anterior.
Os pesquisadores observaram que os acidentes foram mais frequentes entre pessoas com determinados tipos de enxaqueca, especialmente a forma crônica e os casos acompanhados de aura.
Os resultados apontam uma associação, mas não permitem concluir que a enxaqueca tenha sido a causa direta desses acidentes.
Quando é melhor evitar dirigir?
Não existe uma regra única para todos os pacientes.
Mas é recomendado cautela quando a crise provoca sintomas capazes de comprometer a atenção, a percepção do ambiente ou a visão.
Alterações visuais, tontura, sonolência, dificuldade de concentração ou dor intensa são sinais de que pode ser mais seguro adiar o trajeto até que a situação melhore.
A pesquisa não sugere que pessoas com enxaqueca devam deixar de dirigir.
O que os resultados indicam é que sintomas como alterações visuais, sensibilidade à luz, tontura ou dificuldade de concentração podem dificultar tarefas essenciais ao volante durante uma crise.
Para quem convive com a enxaqueca, os resultados reforçam a importância de prestar atenção aos sinais do próprio corpo antes de assumir o volante, especialmente quando os sintomas estão ativos.
O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.
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