Quebrou o osso: quando a cirurgia é necessária e quando não é

Quando é necessário operar uma fratura? Quem recebe esse diagnóstico geralmente quer saber se o osso vai precisar de cirurgia ou se pode se recuperar com imobilização.

A resposta depende do tipo de fratura.

A cirurgia costuma ser indicada quando o osso não consegue ficar bem alinhado ou estável, quando a lesão atinge uma articulação ou quando, naquele tipo específico de fratura, a operação oferece melhores chances de recuperação.

Por isso, não basta saber se o osso “saiu do lugar”. O médico também avalia qual osso foi atingido, o grau da lesão e as condições de saúde da pessoa.

Quando o osso não permanece alinhado

Depois de uma fratura, os fragmentos do osso podem ficar fora da posição original. Em alguns casos, o médico consegue colocá-los novamente no lugar e mantê-los assim com gesso, tala ou outro tipo de imobilização.

O problema aparece quando o alinhamento não pode ser obtido ou se perde durante a recuperação. Nessa situação, a cirurgia pode ser necessária para manter os fragmentos na posição correta enquanto o osso consolida.

O mesmo vale para fraturas instáveis, que têm maior tendência a perder o alinhamento mesmo depois de serem reposicionadas.

Nem toda fratura sem desvio dispensa cirurgia

Pode parecer estranho, mas uma fratura também pode precisar de cirurgia mesmo quando o osso continua alinhado.

A fratura do colo do fêmur em pessoas idosas é um exemplo.

Segundo as diretrizes brasileiras, as fraturas sem desvio também devem ser tratadas cirurgicamente na maioria dos casos. O objetivo é fixar o osso e tentar preservar a cabeça do fêmur.

O tratamento sem cirurgia fica restrito a situações excepcionais, como quando o paciente não pode ser submetido ao procedimento ou quando os riscos da operação superam seus benefícios.

Quando a fratura atinge uma articulação

A articulação é o ponto onde dois ou mais ossos se encontram e permitem movimentos, como acontece no joelho, cotovelo, tornozelo e quadril.

Quando a fratura alcança essa região, o tratamento precisa considerar também a preservação dos movimentos. O ortopedista avalia o local e a extensão da lesão para definir a melhor conduta.

Isso não significa que toda fratura que atinge uma articulação precise de cirurgia.

E quando a cirurgia não é necessária?

Algumas fraturas podem ser tratadas sem operação, especialmente quando são estáveis e permanecem bem alinhadas.

Como já explicado, dependendo do caso, o tratamento pode envolver gesso, tala ou órtese, com acompanhamento durante a recuperação.

A decisão é feita a partir do conjunto de informações do caso, incluindo o exame físico e os exames de imagem.

Uma fratura que parece semelhante a outra pode ter uma conduta diferente conforme o osso atingido e as características da pessoa.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

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