O nutriente mais discreto da dieta pode ser o mais estratégico

Você já ouviu que fibra faz bem para o intestino. O que talvez não saiba é que ela pode estar perto de ganhar um status inédito na nutrição. Pesquisadores defendem que a fibra alimentar passe a ser reconhecida oficialmente como um nutriente essencial, ao lado das vitaminas e de outros compostos indispensáveis ao funcionamento do corpo humano.

A proposta ganhou força após a publicação de um estudo na revista científica Nature Food, que reúne especialistas da Nova Zelândia e do Reino Unido.

Segundo os autores, a fibra atende hoje aos critérios exigidos para a essencialidade, algo que não acontece com um novo nutriente há mais de 50 anos.

Essa mudança de visão acompanha os avanços da ciência, que passou a entender melhor como a fibra atua no organismo e por que sua falta pode trazer prejuízos reais à saúde ao longo do tempo.

Fibra: muito além do intestino

Por décadas, a fibra foi associada quase exclusivamente ao funcionamento do intestino. Hoje, os pesquisadores sabem que seu papel é bem mais amplo. Ela é fundamental para a saúde do microbioma intestinal, o conjunto de bactérias benéficas que vive no trato digestivo.

Esses microrganismos dependem da fibra presente na alimentação para funcionar de forma adequada. Quando a ingestão é baixa, esse equilíbrio se perde, o que pode afetar o metabolismo, aumentar processos inflamatórios e comprometer outras funções do organismo.

Esse entendimento ajuda a explicar por que dietas pobres em fibra estão associadas a maior risco de doenças crônicas.

Leitura Recomendada: 20 benefícios de comer fibra todos os dias (e por que você deveria começar hoje)

O que mostram os estudos

Ao analisar dados de estudos observacionais, ensaios clínicos e acompanhamentos de longo prazo, os pesquisadores encontraram um padrão consistente. Pessoas que consomem mais fibra tendem a apresentar menor risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer colorretal.

Além disso, aumentos modestos na ingestão de fibra estão associados a melhorias no controle do peso, do colesterol, do açúcar no sangue e da pressão arterial, efeitos observados em diferentes populações e contextos alimentares.

Ainda comemos pouca fibra

Apesar das evidências, o consumo segue abaixo do recomendado. Na Nova Zelândia, por exemplo, a média diária é de cerca de 20 gramas, enquanto a Organização Mundial da Saúde indica pelo menos 25 gramas por dia.

Segundo os especialistas, um acréscimo de apenas 5 gramas diárias já seria suficiente para atingir esse mínimo e gerar benefícios relevantes em nível populacional.

Pequenas mudanças fazem diferença

Aumentar a fibra não exige dietas restritivas nem produtos caros.

Trocar alimentos refinados por versões integrais, incluir feijão, lentilha ou grão-de-bico nas refeições e consumir mais frutas e legumes já ajuda bastante.

Especialistas acreditam que o reconhecimento oficial da fibra como nutriente essencial pode influenciar guias alimentares, educação nutricional e até a reformulação de produtos industrializados.

No fim das contas, comer mais fibra pode ser uma das formas mais acessíveis e eficazes de cuidar da saúde agora e no futuro.

Leitura Recomendada: Dieta rica em fibras: benefícios e como montar seu cardápio

Compartilhe este conteúdo
Avatar photo
Kethlyn Bukner

Graduanda de Biomedicina pela Unicesumar no Paraná, também possui quatro anos de experiência na área de Farmácia, através do curso técnico.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS