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Conhece todas? 19 frutas nativas que chamam a atenção da ciência e uma receita deliciosa com uma delas
Você já parou para pensar que algumas das frutas nativas brasileiras com maior potencial de interesse para a saúde podem estar justamente entre aquelas que raramente aparecem no supermercado?
Enquanto mirtilo, cranberry e romã ganharam fama mundial por seus compostos bioativos, o Brasil abriga uma biodiversidade extraordinária de frutas nativas com propriedades que vêm despertando o interesse da ciência — e que ainda são pouco conhecidas pelos próprios brasileiros.
Uma revisão científica recente reuniu evidências sobre 19 frutas nativas brasileiras e seu potencial para modular o estresse oxidativo e a inflamação, dois processos relacionados a diversas doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e doenças neurodegenerativas.
Os resultados, porém, são baseados principalmente em estudos experimentais.
Frutas nativas brasileiras e seus compostos bioativos
Os possíveis benefícios dessas frutas estão ligados principalmente à presença de compostos bioativos, como polifenóis, flavonoides, antocianinas, carotenoides e outros antioxidantes naturais.
Essas substâncias podem participar da modulação de processos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação, incluindo a ação de vias inflamatórias e de sistemas antioxidantes do organismo.
Entre as frutas investigadas estão:
- Jabuticaba
- Guaraná
- Açaí
- Marolo
- Cambuci
- Juçara
- Cupuaçu
- Pitanga
- Macaúba
- Genipapo
- Tomatinho-do-mato
- Goiabão
- Grumixama
- Cereja-do-rio-grande
- Pêssego-do-mato
- Jucá
- Cutia
- Blackberry jam (Randia formosa)
A revisão também analisou o pinhão-manso (Jatropha curcas), mas seus estudos envolveram principalmente folhas e extratos, e a espécie não deve ser tratada como uma fruta de consumo comum.
Embora cada uma apresente características próprias, as frutas estudadas demonstraram potencial antioxidante e/ou anti-inflamatório em diferentes modelos experimentais, reforçando o interesse científico pela biodiversidade brasileira.
O que as pesquisas descobriram sobre essas frutas
Os achados também mostram que diferentes frutas podem apresentar efeitos específicos.
A jabuticaba, por exemplo, é uma das espécies mais estudadas na revisão e apresentou resultados experimentais relacionados à redução do estresse oxidativo e da inflamação, inclusive em modelos associados a alterações metabólicas e à obesidade.
O açaí e a juçara também apresentaram potencial para modular processos inflamatórios e metabólicos em estudos experimentais.
Já o cambuci foi associado, em modelos pré-clínicos, a efeitos relacionados ao estresse oxidativo, à inflamação e a alterações metabólicas, incluindo esteatose hepática.
A macaúba, por sua vez, apresentou resultados relacionados à redução de marcadores de inflamação no tecido adiposo e à melhora de parâmetros associados ao estresse oxidativo em modelos animais.
Guaraná, genipapo, pitanga e blackberry jam também chamaram atenção por resultados experimentais relacionados ao sistema nervoso.
No caso da Randia formosa, por exemplo, um estudo avaliou seu potencial antioxidante e efeitos relacionados a mecanismos de proteção neuronal, mas os resultados ainda precisam ser confirmados em modelos mais próximos da realidade humana.
Já frutas menos conhecidas, como marolo, grumixama, goiabão, cereja-do-rio-grande, pêssego-do-mato, tomatinho-do-mato, jucá e cutia, ampliam esse repertório ao apresentarem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias em estudos experimentais.
Algumas delas também despertam interesse para futuras aplicações em alimentos funcionais e nutracêuticos, embora essa possibilidade ainda dependa de mais pesquisas sobre dose, segurança, absorção e efeitos em seres humanos.
Valorizar as frutas nativas também é valorizar a biodiversidade
Mais do que investigar possíveis benefícios individuais à saúde, conhecer e consumir frutas nativas também representa uma forma de valorização da sociobiodiversidade brasileira.
Ao escolher alimentos produzidos localmente, o consumidor pode contribuir para fortalecer agricultores familiares, povos tradicionais e cadeias produtivas relacionadas à conservação dos biomas brasileiros.
Uma forma prática de encontrar essas frutas é buscar feiras orgânicas, feiras de produtores locais, mercados da agricultura familiar e Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSAs), modelo que aproxima produtores e consumidores por meio da compra direta de alimentos da estação.
Plataformas como o IDEC de Feiras Orgânicas, além de organizações e redes agroecológicas espalhadas pelo país, também podem ajudar a localizar iniciativas que aproximam consumidores desses alimentos e incentivam sistemas alimentares mais sustentáveis.
Ainda assim, incluir uma maior diversidade de frutas nativas na alimentação significa ampliar a variedade de alimentos consumidos e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira.
Em um país reconhecido como um dos mais ricos em diversidade biológica do planeta, valorizar esses alimentos é também uma forma de olhar para a saúde das pessoas, dos territórios e do futuro dos nossos sistemas alimentares.
Valorizar a biodiversidade brasileira também começa pelas escolhas que fazemos à mesa.
Cambuci: uma forma de incluir a fruta no dia a dia
O cambuci é uma das frutas nativas brasileiras que vêm despertando interesse científico por seu conteúdo de compostos bioativos e por seu potencial antioxidante e anti-inflamatório observado em estudos experimentais.
A fruta pode ser consumida in natura ou incorporada a preparações simples e saborosas.
A receita a seguir é uma forma prática de incluir o cambuci no dia a dia, aproveitando seu sabor característico e incentivando o consumo de alimentos da nossa sociobiodiversidade.
Torta funcional de ricota com cambuci
Ingredientes
Massa
- 500 g de ricota fresca
- 170 g de iogurte natural integral sem açúcar
- 3 ovos
- 3 colheres (sopa) de farinha de amêndoas
- 2 colheres (sopa) de farinha de aveia sem glúten, de produto certificado (opcional)
- Raspas de 1 limão
- 1 colher (chá) de extrato natural de baunilha
- 3 colheres (sopa) de eritritol ou xilitol (opcional, apenas para suavizar a acidez)
Cobertura de cambuci
- 500 g de cambuci maduro
- Suco de 1 limão
- 2 colheres (sopa) de eritritol (opcional)
- 1 colher (chá) de chia (opcional, para dar leve espessura)
Modo de preparo
Pré-aqueça o forno a 180 °C.
Amasse bem a ricota e misture com o iogurte, os ovos, a farinha de amêndoas, a farinha de aveia, as raspas de limão, a baunilha e o adoçante, se desejar.
Bata apenas até obter uma massa homogênea.
Unte uma forma de fundo removível com manteiga ou óleo e polvilhe farinha de amêndoas. Despeje a massa e asse por cerca de 35 a 40 minutos, até dourar levemente.
Enquanto isso, prepare a cobertura.
Corte os cambucis em pedaços pequenos e leve ao fogo baixo com o suco de limão. Cozinhe lentamente até que a fruta fique macia e forme uma compota rústica.
Se necessário, acrescente o eritritol ou a alulose. Para uma textura mais espessa, misture a chia nos minutos finais do cozimento.
Depois que a torta esfriar, desenforme e cubra com a compota de cambuci.
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