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Tireoide desregulada? Endocrinologista explica sinais de hipo e hipertireoidismo
Cansaço constante, queda de cabelo, ganho ou perda de peso sem explicação podem ser sinais de hipo e hipertireoidismo, duas alterações da tireoide que afetam o metabolismo e podem provocar diversos sintomas no organismo.
Apesar disso, muitas pessoas demoram a perceber o problema, porque os primeiros sinais costumam ser discretos e frequentemente confundidos com estresse, rotina cansativa ou outras condições de saúde.
Em conversa com o SaúdeLab, a endocrinologista Dra. Rosália do Prado Padovani, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), explica que muitas pessoas só descobrem problemas na tireoide durante exames de rotina.
Quais são os primeiros sinais de hipo e hipertireoidismo
De acordo com a endocrinologista, os sintomas variam conforme o tipo de disfunção da tireoide.
“Os sintomas costumam ser inespecíficos no início. No hipotireoidismo, o paciente se queixa de cansaço excessivo, sonolência, constipação, pele mais seca e sensação de frio. Já no hipertireoidismo, as queixas são palpitação, perda de peso sem dieta, irritabilidade, insônia e intolerância ao calor”, explica.
Entre os sinais que podem aparecer quando há alterações na tireoide estão:
🧊 No hipotireoidismo:
- Cansaço excessivo
- Sonolência
- Constipação intestinal
- Pele seca
- Sensação frequente de frio
🔥 No hipertireoidismo:
- Palpitações
- Perda de peso sem dieta
- Irritabilidade
- Insônia
- Intolerância ao calor
Como esses sintomas também podem aparecer em outras situações de saúde, o diagnóstico de hipo e hipertireoidismo muitas vezes só ocorre após exames laboratoriais.
Quando suspeitar de hipo e hipertireoidismo
Sintomas como cansaço, ansiedade, queda de cabelo ou ganho de peso são comuns no dia a dia e nem sempre indicam um problema hormonal.
Por isso, muitas pessoas demoram a associar essas mudanças a distúrbios da tireoide.
Segundo a Dra. Rosália, é importante analisar como os sintomas surgem e se continuam presentes ao longo do tempo.
“O mais importante é observar o conjunto dos sintomas e sua persistência. Quando esses sinais aparecem de forma contínua, sem melhora com descanso ou mudanças de rotina, vale investigar”, orienta.
Alguns fatores também podem aumentar a suspeita de hipo e hipertireoidismo, como:
- histórico familiar de doença da tireoide
- alterações menstruais
- mudanças no ritmo cardíaco
- perda ou ganho de peso sem explicação clara
Nessas situações, a avaliação médica e exames laboratoriais ajudam a confirmar o diagnóstico.
Diferença entre hipo e hipertireoidismo no corpo
A glândula tireoide é uma pequena estrutura localizada na parte anterior do pescoço e responsável por produzir hormônios que regulam o metabolismo do organismo.
Quando surgem condições como hipo e hipertireoidismo, o funcionamento do corpo pode mudar de maneiras bem diferentes.
No hipotireoidismo, o metabolismo tende a funcionar mais lentamente.
“Os pacientes se sentem mais cansados, com raciocínio mais lento, tendência a ganho de peso leve, intestino preso e sensação de frio”, explica a endocrinologista.
Já no hipertireoidismo, acontece o oposto. O metabolismo fica acelerado.
“É comum haver quadros de agitação, ansiedade, tremores, sudorese, palpitações, perda de peso e dificuldade para dormir”, afirma.
De acordo com a especialista, as duas condições afetam o organismo de maneiras bastante diferentes.
“São quadros praticamente opostos do ponto de vista metabólico”, resume.
Alteração no TSH sempre significa doença?
Muitas pessoas descobrem alterações no TSH, hormônio que ajuda a avaliar o funcionamento da tireoide, ao realizar exames de sangue.
Nem sempre, porém, um resultado fora do padrão significa que será necessário iniciar tratamento.
“Nem toda alteração do TSH exige tratamento imediato”, explica a endocrinologista.
Em alguns casos, pode ocorrer o chamado hipotireoidismo ou hipertireoidismo subclínico.
Isso acontece quando o TSH está alterado, mas os hormônios da tireoide ainda permanecem dentro da faixa normal.
Nessas situações, a decisão de tratar ou apenas acompanhar depende de vários fatores, como:
- idade do paciente
- presença de sintomas
- risco cardiovascular
- gravidez ou desejo de engravidar
A médica explica que, em muitos casos, o acompanhamento periódico já é suficiente.
Ela também destaca que algumas inflamações temporárias da tireoide podem causar alterações passageiras nos exames, como ocorre na tireoidite subaguda.
Nessas situações, os níveis hormonais costumam voltar ao normal espontaneamente.

Problemas de tireoide realmente fazem engordar ou emagrecer?
A relação entre hipo e hipertireoidismo e o peso corporal costuma gerar muitas dúvidas.
Segundo a endocrinologista, a tireoide realmente influencia o metabolismo, mas raramente é a única responsável por mudanças importantes no peso.
No hipotireoidismo, o ganho de peso costuma ser discreto e muitas vezes está relacionado à retenção de líquidos.
Já no hipertireoidismo, pode ocorrer perda de peso mesmo com aumento do apetite.
“A maior parte das variações importantes de peso está relacionada a hábitos alimentares, nível de atividade física e fatores hormonais mais amplos — não apenas à tireoide”, assegura.
Quem tem hipo e hipertireoidismo pode levar vida normal
Receber o diagnóstico de um distúrbio da tireoide pode gerar preocupação, mas na maioria dos casos o tratamento permite manter uma vida normal.
No hipotireoidismo autoimune, por exemplo, o tratamento costuma ser contínuo.
“Com a medicação correta e acompanhamento regular, a pessoa leva vida absolutamente normal. A reposição hormonal é segura, eficaz e devolve qualidade de vida”, afirma a endocrinologista.
Já no hipertireoidismo, o tratamento pode variar conforme a causa da doença e pode incluir medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia.
Alimentação influencia problemas de tireoide?
Apesar de muitas promessas nas redes sociais, não existe uma dieta capaz de curar doenças da tireoide.
Segundo a especialista, uma alimentação equilibrada normalmente já fornece os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo.
Entre os micronutrientes importantes para a tireoide estão:
- iodo
- selênio
- ferro
- zinco
No entanto, a endocrinologista alerta que o uso de suplementos sem orientação médica pode trazer riscos.
“O ponto mais importante é que suplementação indiscriminada não é recomendada. Excesso de micronutrientes pode ser tão prejudicial quanto a deficiência. A avaliação deve ser individualizada, com base em exames e orientação médica”, afirma.
Ela reforça que doenças da tireoide devem ser tratadas com diagnóstico correto, acompanhamento médico e conduta personalizada, e não com soluções milagrosas ou modismos.
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