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Saúde mental: por que morar perto de áreas verdes nem sempre é suficiente
Morar perto de árvores, parques e praças costuma ser visto como uma vantagem para a saúde mental. Mas uma pesquisa da USP indica que essa relação é mais complexa do que parece.
Um dos resultados que mais surpreenderam os pesquisadores foi que moradores da zona rural não apresentaram indicadores de saúde mental melhores do que os de áreas urbanas.
Além disso, o estudo mostrou que a simples presença de áreas verdes não garante, por si só, uma sensação maior de bem-estar.
Fatores como segurança, qualidade do ambiente e até a forma como cada pessoa se relaciona com esses espaços parecem fazer diferença.
Natureza e saúde mental: quando o verde deixa de ser um refúgio
A pesquisa reuniu mais de 5 mil participantes e identificou um obstáculo comum nas cidades brasileiras: a insegurança.
Na prática, não basta haver uma praça ou parque próximo de casa. Se o local é mal cuidado ou desperta sensação de medo, muitas pessoas evitam frequentá-lo.
Os pesquisadores observaram ainda que ambientes com maior diversidade de plantas e características naturais tendem a favorecer uma percepção mais positiva desses espaços.
O resultado reforça a ideia de que não basta criar áreas verdes. Elas também precisam ser seguras, bem cuidadas e convidativas para fazer parte da rotina das pessoas.
Homens e mulheres não vivenciam esses espaços da mesma forma
O estudo mostrou ainda que homens e mulheres não se conectam com a natureza exatamente da mesma forma.
Entre as mulheres, a sensação de conexão esteve mais ligada à frequência do contato com áreas verdes. Já entre os homens, a sensação de conexão pareceu ser mais influenciada pela diversidade dos ambientes naturais disponíveis.
No entanto, um fator apareceu em comum nas respostas. A sensação de segurança foi considerada importante para todos.
Nem sempre o campo leva vantagem
Ao comparar moradores de áreas urbanas e rurais, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas nos indicadores avaliados de saúde mental.
Uma das explicações possíveis é que, para muitas pessoas do campo, a vegetação está associada ao trabalho e às atividades diárias, e não necessariamente ao descanso.
Isso ajuda a entender outro resultado curioso do estudo.
Para muitos moradores rurais, o refúgio está na água
Entre os participantes da zona rural, rios, lagos e outros ambientes aquáticos pareceram exercer um papel importante como espaços de descanso e conexão com a natureza.
Segundo os autores, esses locais podem funcionar como uma pausa na rotina e um ambiente de refúgio, diferentemente de parte das áreas verdes que, para muitas pessoas do campo, estão ligadas ao trabalho e às atividades diárias.
Muito além de plantar árvores
Os resultados reforçam que a relação entre natureza e saúde mental envolve mais do que aumentar a quantidade de verde disponível.
Para os pesquisadores, criar espaços seguros, bem cuidados e ecologicamente ricos pode ser tão importante quanto ampliar a arborização.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Biociências da USP e teve resultados publicados na revista científica Journal of Environmental Psychology. Os detalhes da pesquisa foram divulgados em reportagem do Jornal da USP.
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