O que não pode comer quem tem ácido úrico? O que saber sobre feijão, peixe, banana e outros

O que não pode comer quem tem ácido úrico alto? Ao descobrir que os níveis estão elevados, essa costuma ser uma das primeiras dúvidas. E logo começam a surgir listas de alimentos que deveriam desaparecer do prato.

Mas não é bem assim. Não existe uma lista de alimentos proibidos para todas as pessoas. Alguns, porém, merecem ser reduzidos, principalmente vísceras, determinadas carnes e frutos do mar, além de bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas.

E há alimentos que costumam entrar nessa lista sem necessidade.

Feijão, arroz, banana e maçã não precisam ser retirados da alimentação apenas por causa do ácido úrico. A questão está mais no conjunto da alimentação do que em cortar indiscriminadamente tudo o que contém purinas.

O que merece mais atenção na alimentação

As purinas estão presentes naturalmente em muitos alimentos e, durante o metabolismo, dão origem ao ácido úrico. O problema não é eliminar tudo o que contém essas substâncias, mas ter atenção especial às fontes que concentram maiores quantidades.

Vísceras, como fígado, rim e coração, estão entre os alimentos que mais merecem restrição. Carnes vermelhas também entram nessa categoria e devem aparecer com moderação na alimentação.

Entre os peixes e frutos do mar, a quantidade de purinas varia bastante. Sardinha, anchova, arenque e cavala estão entre as opções que merecem mais atenção, mas isso não significa que todo peixe precise sair do prato.

O álcool é outro ponto importante, especialmente a cerveja. Já refrigerantes e outras bebidas açucaradas com alto teor de frutose também merecem moderação.

Uma análise de estudos publicada em 2025 encontrou associação entre o maior consumo de álcool, carne vermelha, frutos do mar e frutose e um risco maior de hiperuricemia e gota.

Quem tem ácido úrico pode comer feijão?

Pode. Embora o feijão contenha purinas, isso não significa que precise ser eliminado.

O mesmo vale para outras leguminosas, como lentilha e ervilha. A evidência disponível não mostra que vegetais ricos em purinas tenham o mesmo efeito sobre o risco de gota que fontes animais como carnes e frutos do mar.

Além disso, feijão e outras leguminosas fornecem fibras, proteínas e diversos nutrientes. Por isso, não faz sentido retirar esses alimentos automaticamente de uma dieta para controle do ácido úrico.

Leia também: Ácido Úrico: o que é, causas e perigos envolvidos no excesso

E frango e peixe, podem entrar no prato?

Sim, mas com atenção às quantidades e às escolhas. Como já vimos, alguns peixes concentram mais purinas do que outros. Isso não significa, porém, que o peixe precise sair da alimentação de quem tem ácido úrico elevado.

O frango também contém purinas e pode fazer parte da rotina, mas não deve ser entendido como uma proteína para consumo sem limite. A quantidade, a frequência e o conjunto da alimentação continuam sendo importantes.

Assim, não é preciso transformar a dieta em uma longa lista de alimentos proibidos. A ideia é fazer escolhas mais adequadas e manter equilíbrio nas porções.

Banana, arroz e maçã aumentam o ácido úrico?

Não há motivo para retirar banana, maçã ou arroz da dieta simplesmente porque o ácido úrico está elevado.

Esses alimentos podem fazer parte da rotina normalmente. A preocupação maior está em outros fatores alimentares associados ao aumento do ácido úrico e ao risco de gota, como o excesso de bebidas açucaradas e de determinados alimentos de origem animal.

Assim, não é preciso transformar frutas e alimentos básicos da alimentação brasileira em itens proibidos. O mais importante é olhar para a alimentação como um todo.

O que comer com mais frequência?

Em vez de montar uma dieta baseada apenas no que deve ser cortado, vale priorizar verduras, legumes, frutas, cereais, leguminosas e fontes adequadas de proteína. Laticínios com menor teor de gordura também podem entrar nessa rotina.

Quando existe excesso de peso, uma perda gradual e sustentável pode trazer benefícios para o controle metabólico e para a gota. A hidratação adequada também é importante, embora beber mais água, sozinho, não seja suficiente para controlar a doença.

E há um ponto importante. A alimentação ajuda no controle, mas não substitui o tratamento da gota quando ele é necessário. Nem toda pessoa com ácido úrico elevado desenvolve a doença, e a necessidade de medicamentos depende da avaliação individual e do histórico clínico.

Continue lendo: 30 alimentos que aumentam o ácido úrico: fuja deles

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Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

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