Pimenta-do-reino ou pimenta calabresa: qual é mais saudável?

Na hora de temperar o feijão, finalizar a salada ou dar mais sabor ao frango grelhado, surge uma dúvida comum: pimenta-do-reino ou pimenta calabresa, qual é mais saudável no dia a dia?

À primeira vista, a escolha parece apenas uma questão de gosto. Mas quando olhamos mais de perto, cada uma dessas especiarias carrega compostos bioativos diferentes, com efeitos específicos no organismo.

Entender essas diferenças ajuda a fazer escolhas mais conscientes, especialmente para quem busca uma alimentação equilibrada sem abrir mão do sabor.

A boa notícia é que nenhuma delas é “vilã”. A questão não é qual é proibida ou milagrosa, mas como cada uma atua no corpo e em quais situações pode ser mais interessante.

O que a pimenta-do-reino faz no organismo?

A pimenta-do-reino (Piper nigrum) é uma das especiarias mais antigas do mundo. Seu principal composto ativo é a piperina, substância responsável pela ardência característica e por boa parte de seus efeitos biológicos.

Como a piperina age no corpo

A piperina estimula receptores sensoriais na boca e no trato gastrointestinal, provocando aquela sensação de calor leve. Esse estímulo aumenta a produção de saliva e de sucos digestivos, o que pode favorecer a digestão.

Além disso, estudos experimentais e revisões em bases ligadas ao National Institutes of Health (NIH) descrevem que a piperina pode melhorar a biodisponibilidade de certos nutrientes, ou seja, ajudar o corpo a absorver melhor algumas substâncias presentes na alimentação.

Na prática, isso significa que adicionar um pouco de pimenta-do-reino ao prato pode potencializar o aproveitamento de outros alimentos. É por isso que ela costuma aparecer junto com a cúrcuma em preparações funcionais.

Existe benefício real?

A literatura científica aponta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias da piperina, mas é importante manter os pés no chão: estamos falando de pequenas quantidades usadas como tempero. Ela não substitui tratamento médico nem “desintoxica” o organismo.

O benefício está na soma: alimentação variada, rica em vegetais, e uso inteligente de especiarias.

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E a pimenta calabresa, é mais potente?

A pimenta calabresa é feita a partir de pimentas vermelhas secas e trituradas. Seu composto ativo é a capsaicina, responsável pela ardência mais intensa e pelo efeito de calor mais prolongado.

O mecanismo da capsaicina

A capsaicina ativa receptores chamados TRPV1, ligados à percepção de calor e dor. Ao serem estimulados, enviam sinais ao sistema nervoso que aumentam a sensação térmica e podem provocar leve sudorese.

Esse processo desencadeia um pequeno aumento no gasto energético, conhecido como efeito termogênico. Revisões clínicas em periódicos de nutrição descrevem que a capsaicina pode contribuir de forma discreta para o controle do apetite e do metabolismo, mas o impacto isolado é modesto.

Em outras palavras: a pimenta calabresa não “emagrece”, mas pode fazer parte de um padrão alimentar saudável.

Vitaminas e antioxidantes

Por ser derivada de pimentas vermelhas, a calabresa contém carotenoides, como o betacaroteno, além de vitamina A e pequenas quantidades de vitamina C (parte se perde na secagem).

Esses compostos têm ação antioxidante e participam da proteção celular.

Inclusive, os antioxidantes são descritos como substâncias que ajudam a reduzir danos associados a radicais livres, envolvidos em processos inflamatórios e no envelhecimento celular.

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Pimenta-do-reino ou pimenta calabresa: qual é mais saudável afinal?

A resposta honesta é: depende do contexto.

Se o objetivo é melhorar a absorção de nutrientes, a pimenta-do-reino pode ter vantagem pelo efeito da piperina na biodisponibilidade.

Se a ideia é explorar o efeito termogênico leve e aumentar a ingestão de carotenoides, a pimenta calabresa pode ser interessante.

Mas a diferença prática entre elas, no uso cotidiano, não é tão grande quanto muitas pessoas imaginam. Ambas são utilizadas em pequenas quantidades. O impacto na saúde vem muito mais do padrão alimentar geral do que da escolha isolada do tempero.

Um prato com legumes variados, azeite de oliva, proteínas magras e pouco sal continuará sendo saudável com qualquer uma das duas.

Quem deve ter mais cuidado?

Embora sejam naturais, pimentas não são neutras para todo mundo.

Pessoas com gastrite, refluxo gastroesofágico, síndrome do intestino irritável ou hemorroidas podem perceber piora de sintomas com o consumo frequente, especialmente da pimenta calabresa, por causa da capsaicina.

De forma geral, sintomas digestivos persistentes (como dor recorrente, queimação intensa, náuseas frequentes ou sinais de sangramento) devem ser avaliados por um profissional.

Temperos picantes podem agravar quadros já existentes, mas nem sempre são a causa principal.

Se você percebe que após consumir pimenta surgem dor, queimação forte ou desconforto prolongado, vale reduzir ou suspender e observar.

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Existe risco cardiovascular?

Esse é um ponto que gera dúvidas. Algumas pesquisas observacionais sugerem que o consumo regular de pimentas pode estar associado a menor risco cardiovascular, possivelmente por efeitos anti-inflamatórios e metabólicos.

No entanto, associações não significam causalidade.

Afinal, o controle do risco cardiovascular depende principalmente de fatores como pressão arterial, colesterol, controle do diabetes, prática de atividade física e padrão alimentar global.

Ou seja, a pimenta pode compor um estilo alimentar saudável, mas não substitui medidas comprovadas.

Como usar no dia a dia de forma equilibrada?

No cotidiano, a melhor estratégia é variar.

Você pode usar pimenta-do-reino em preparações que pedem sabor mais aromático e intenso, como ovos, carnes e molhos. Já a pimenta calabresa combina bem com vegetais assados, sopas e preparações italianas.

Uma vantagem indireta interessante é que especiarias aumentam o sabor dos alimentos e podem ajudar a reduzir o uso excessivo de sal.

Considerando que o excesso de sódio está associado à hipertensão, substituir parte do sal por ervas e pimentas pode ser uma estratégia positiva dentro de uma alimentação equilibrada.

O equilíbrio continua sendo a palavra-chave.

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Sinais de alerta: quando procurar avaliação médica

Procure orientação profissional se houver dor abdominal persistente após consumir pimentas, azia intensa e frequente, vômitos, perda de peso involuntária, dificuldade para engolir, sangramento digestivo ou fezes escurecidas.

Esses sintomas não devem ser atribuídos apenas ao tempero. Podem indicar condições que precisam de diagnóstico adequado.

Precisa escolher uma só?

Não.

Quando a dúvida é pimenta-do-reino ou pimenta calabresa, qual é mais saudável, a resposta mais responsável é que ambas podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

A pimenta-do-reino se destaca pelo potencial de melhorar a absorção de nutrientes. A pimenta calabresa oferece capsaicina e carotenoides com efeitos antioxidantes e metabólicos leves.

O impacto real na saúde, porém, depende do conjunto da dieta e do estilo de vida.

Se você tolera bem alimentos picantes, pode variar entre as duas e aproveitar o melhor de cada uma, sempre com moderação.

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Daniela Marinho

Daniela Marinho é produtora de conteúdo web há mais de seis anos e editora de receitas do SaúdeLAB. Diagnosticada com diabetes tipo 1 desde a infância, desenvolveu uma relação próxima com a alimentação equilibrada e aplica essa experiência na criação de receitas saudáveis, práticas e saborosas, voltadas ao bem-estar e à consciência alimentar.

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