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Agosto Laranja: os primeiros sintomas da esclerose múltipla que merecem atenção
Todos os anos, o Agosto Laranja chama a atenção para uma doença que ainda é cercada de dúvidas e cujo diagnóstico, muitas vezes, demora a ser realizado: a esclerose múltipla.
Como médica que acompanha pacientes em tratamento com canabidiol, acredito que esse seja um dos momentos mais importantes para falarmos sobre informação.
Afinal, reconhecer os primeiros sintomas da esclerose múltipla pode significar um diagnóstico precoce, um tratamento iniciado no momento certo e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida.
O que é a esclerose múltipla e quais são seus primeiros sintomas?
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central. O próprio sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura responsável por proteger as fibras nervosas e auxiliar na comunicação entre elas.
Esse processo interfere na comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, provocando sintomas que variam de acordo com a região afetada.
É justamente essa diversidade de manifestações que faz com que muitas pessoas convivam durante meses, ou até anos, sem saber o que realmente está acontecendo.
Visão embaçada ou perda temporária da visão de um dos olhos, formigamentos persistentes, sensação de choque ao movimentar o pescoço, perda de força, alterações no equilíbrio, dificuldade para caminhar, fadiga intensa e problemas de concentração estão entre os sinais que merecem atenção.
Muitas vezes, esses sintomas aparecem, desaparecem e retornam algum tempo depois, levando o paciente a acreditar que não se trata de algo importante.
Quanto antes a doença for identificada, maiores são as chances de controlar sua atividade e reduzir o risco de novas lesões neurológicas.
Hoje, felizmente, existem medicamentos capazes de reduzir os surtos e retardar a progressão da esclerose múltipla, mudando completamente a perspectiva de quem recebe o diagnóstico.
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Tratamento da esclerose múltipla: controle da doença e dos sintomas
Mas existe um ponto que considero igualmente importante: controlar a doença não significa, necessariamente, controlar todos os sintomas.
Mesmo com o tratamento adequado, muitos pacientes continuam convivendo com dor neuropática, espasticidade muscular, insônia, ansiedade, fadiga e alterações de humor.
São sintomas que impactam diretamente a autonomia, o trabalho, as relações sociais e a qualidade de vida.
Canabidiol na esclerose múltipla: uma abordagem complementar
É nesse contexto que o canabidiol e outros canabinoides têm conquistado espaço na prática clínica e na literatura científica.
Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, eles não têm como objetivo interromper a progressão da esclerose múltipla.
Seu papel é atuar como uma terapia complementar, auxiliando no controle de sintomas específicos que nem sempre respondem satisfatoriamente aos tratamentos convencionais.
Hoje já existem evidências científicas demonstrando que os canabinoides podem contribuir para a redução da espasticidade muscular, um dos sintomas mais incapacitantes da esclerose múltipla, além de auxiliar no controle da dor neuropática em alguns pacientes.
Quando esses sintomas são controlados, o paciente consegue participar melhor da fisioterapia, manter uma rotina mais ativa e preservar sua independência por mais tempo.
Os canabinoides não substituem os medicamentos utilizados para controlar a atividade da esclerose múltipla e também não são indicados para todos os pacientes.
Sua utilização depende de uma avaliação individualizada, considerando sintomas, medicamentos em uso, histórico clínico e objetivos terapêuticos.
Como qualquer tratamento, exige acompanhamento médico e monitoramento contínuo.
O que mais me chama atenção é que, quando falamos em diagnóstico precoce, normalmente pensamos apenas em impedir a evolução da doença. Mas existe outro benefício igualmente importante: oferecer ao paciente acesso mais cedo às estratégias que podem melhorar seu bem-estar.
Isso inclui reabilitação, atividade física, acompanhamento multiprofissional e, quando existe indicação clínica, o uso do canabidiol como parte de um tratamento integrado.
Neste Agosto Laranja, deixo um convite para que as pessoas prestem atenção aos sinais do próprio corpo e busquem avaliação especializada diante de sintomas neurológicos persistentes.
A informação continua sendo a nossa principal aliada. Quanto antes a esclerose múltipla for reconhecida, maiores são as possibilidades de controlar a doença, aliviar seus sintomas e permitir que o paciente tenha uma vida mais ativa, autônoma e com qualidade.
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