Dores nas articulações: entenda as principais causas

Você já acordou com os dedos “travados”, precisando de alguns minutos até conseguir fechar a mão? Ou sentiu o joelho doer ao subir escadas, como se algo estivesse raspando por dentro?

A dor nas articulações é uma queixa muito comum no consultório e pode ter causas bastante diferentes entre si — desde inflamações autoimunes até desgaste mecânico, infecções ou alterações hormonais.

Entender quais são as doenças que causam dor nas articulações é fundamental não apenas para aliviar o desconforto, mas para evitar complicações.

Em alguns casos, a dor é passageira. Em outros, pode ser o primeiro sinal de uma condição crônica que exige acompanhamento.

De forma simples, a articulação é o ponto de encontro entre dois ossos. Ela é revestida por cartilagem, que funciona como um amortecedor, envolvida por uma cápsula com líquido lubrificante e sustentada por ligamentos e músculos.

Quando qualquer uma dessas estruturas inflama, se desgasta ou é atacada pelo sistema imunológico, surge a dor.

A seguir, você vai entender as principais categorias de doenças articulares e como elas costumam se manifestar no dia a dia.

Doenças inflamatórias: quando o sistema imunológico entra em conflito

Em algumas pessoas, o sistema de defesa do corpo passa a atacar estruturas saudáveis das próprias articulações. Esse processo desencadeia inflamação persistente, que pode causar dor, inchaço, rigidez e, com o tempo, deformidades.

Segundo o Ministério da Saúde, as doenças musculoesqueléticas estão entre as principais causas de dor crônica e limitação funcional na população adulta brasileira, afetando mobilidade, autonomia e qualidade de vida.

Já a Organização Mundial da Saúde alerta que esses problemas estão entre as maiores causas de incapacidade no mundo, especialmente após os 40 anos.

Artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune crônica que atinge principalmente mãos, punhos e pés. Um dos sinais clássicos é a rigidez matinal que dura mais de 30 minutos, acompanhada de inchaço simétrico, ou seja, nas mesmas articulações dos dois lados do corpo.

O que acontece por dentro é uma inflamação da membrana que reveste a articulação. Esse tecido inflamado começa a liberar substâncias que danificam cartilagem e osso. Sem tratamento, pode haver perda de função.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia destaca que o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento modificam significativamente o prognóstico, reduzindo danos articulares permanentes.

Lúpus eritematoso sistêmico

O lúpus também é uma doença autoimune, mas mais abrangente. Além das articulações, pode afetar pele, rins, pulmões e sistema nervoso.

A dor articular no lúpus costuma ser migratória — um dia dói o punho, no outro o joelho — e geralmente vem acompanhada de fadiga intensa, manchas na pele e sensibilidade ao sol.

Espondilite anquilosante

A espondilite anquilosante afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações da pelve. É mais comum em homens jovens e provoca dor lombar que piora no repouso e melhora com movimento, característica importante para diferenciar de dor mecânica.

Com o tempo, pode ocorrer fusão das vértebras, reduzindo mobilidade.

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Doenças degenerativas: quando o desgaste causa dor

Nem toda dor articular vem de inflamação autoimune. Em muitos casos, o problema está no desgaste progressivo da cartilagem.

Osteoartrite (artrose)

A osteoartrite é a forma mais comum de doença articular. Ocorre quando a cartilagem vai ficando mais fina e irregular, aumentando o atrito entre os ossos.

O resultado é dor ao movimento, sensação de “areia” na articulação, estalos e rigidez breve ao acordar. Joelhos, quadris, mãos e coluna são os locais mais afetados.

O excesso de peso, histórico de lesões e sobrecarga repetitiva aceleram o processo. Diferente das doenças autoimunes, a dor tende a piorar ao longo do dia.

Artrite psoriática

A artrite psoriática ocorre em parte das pessoas com psoríase. Pode afetar dedos das mãos e pés, provocando inchaço difuso e dor persistente.

Gota

A gota é causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico dentro da articulação. Esses cristais desencadeiam inflamação intensa.

A dor costuma começar de forma súbita, muitas vezes durante a madrugada, frequentemente no dedão do pé. A articulação fica vermelha, quente e extremamente sensível ao toque.

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Doenças metabólicas e hormonais que também afetam as articulações

Nem sempre a origem da dor está diretamente na articulação. Alterações no metabolismo e na produção de hormônios podem modificar tecidos, favorecer inflamações silenciosas e até alterar a percepção da dor, refletindo nas articulações ao longo do tempo.

Diabetes

O diabetes pode favorecer inflamação crônica de baixo grau e alterações na qualidade do colágeno, tornando estruturas articulares mais rígidas. Também aumenta o risco de artrose e síndrome do túnel do carpo.

Hipotireoidismo

No hipotireoidismo, a produção insuficiente de hormônios da tireoide pode levar a retenção de líquidos nos tecidos, gerando dor e rigidez, especialmente nas mãos e joelhos.

Fibromialgia

A fibromialgia não provoca inflamação nas articulações, mas altera a forma como o cérebro processa a dor. A pessoa sente dor difusa, inclusive nas articulações, mesmo sem dano estrutural.

A fibromialgia está relacionada a alterações na regulação da dor no sistema nervoso central, o que explica a intensidade dos sintomas mesmo com exames normais.

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Infecções que podem atingir as articulações

A artrite séptica ocorre quando bactérias invadem diretamente a articulação e é considerada uma emergência médica.

A doença de Lyme pode evoluir para inflamação articular semanas após a infecção inicial.

Já a febre chikungunya é conhecida por causar dor articular intensa e prolongada, que pode persistir por meses.

Quando a dor pode ser algo mais simples

Lesões ligamentares, tendinites e bursites também provocam dor próxima às articulações. Nesses casos, o problema costuma estar nas estruturas ao redor.

Dor que piora com um movimento específico, melhora com repouso e não vem acompanhada de inchaço importante pode sugerir causa mecânica.

Sinais de alerta: quando procurar avaliação médica

Alguns sintomas indicam necessidade de avaliação médica rápida: dor intensa e súbita com inchaço e vermelhidão, febre associada à dor articular, rigidez matinal prolongada por semanas, perda de força ou deformidade progressiva e dor que dura mais de três semanas sem melhora.

Automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico adequado.

O que fazer diante da dor articular

Identificar quais são as doenças que causam dor nas articulações ajuda a reduzir ansiedade e buscar ajuda de forma direcionada. Nem toda dor significa algo grave, mas dor persistente nunca deve ser ignorada.

Manter peso adequado, praticar atividade física orientada, fortalecer musculatura e controlar doenças crônicas são medidas que protegem as articulações ao longo da vida.

Ouvir o corpo e buscar orientação profissional, como de um ortopedista, faz toda a diferença para preservar mobilidade, autonomia e qualidade de vida.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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