Qual a diferença entre refluxo e gastrite? Entenda os sintomas e as causas

Uma queimação no peito. Uma dor na boca do estômago. Aquela sensação de estômago pesado depois de comer. Quando esses sintomas aparecem, é comum ficar na dúvida se o problema é refluxo ou gastrite.

A confusão faz sentido. Os dois problemas podem provocar desconforto na região do aparelho digestivo, mas não acontecem exatamente no mesmo lugar nem têm as mesmas causas.

Afinal, qual a diferença entre refluxo e gastrite?

De forma simples, o refluxo acontece quando parte do que está no estômago, incluindo o ácido gástrico, volta para o esôfago. Já a gastrite é uma inflamação da camada que reveste o estômago.

E há ainda um detalhe importante. Nem toda dor ou queimação no estômago significa gastrite. Outras condições também podem provocar sintomas parecidos.

Refluxo: quando o que está no estômago volta para o esôfago

Pequenas quantidades do que está no estômago podem voltar para o esôfago de vez em quando, sem que isso seja necessariamente um problema. A preocupação aparece quando esse fenômeno acontece com frequência e começa a causar sintomas ou outras complicações.

Nessas situações, pode existir a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). O sinal mais conhecido é a azia, aquela sensação de queimação no peito que pode subir em direção à garganta.

Também é comum sentir que a comida ou um líquido ácido está subindo para a garganta ou para a boca. Isso pode deixar um gosto azedo ou amargo.

Dor no peito, dificuldade para engolir, tosse ou rouquidão também podem aparecer.

Gastrite: uma inflamação no estômago

Na gastrite, há uma inflamação na camada que reveste o estômago.

Ela pode não causar sintoma algum. Quando provoca desconforto, os sinais mais comuns incluem dor ou queimação na parte superior do abdômen, náusea, vômitos e sensação de estômago cheio.

A infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) está entre as principais causas de gastrite.

O uso de determinados anti-inflamatórios, como ibuprofeno, naproxeno e aspirina, também pode prejudicar a proteção do estômago. O consumo excessivo de álcool é outro fator que pode causar danos.

Qual a diferença entre refluxo e gastrite
Qual a diferença entre refluxo e gastrite?

E se não for nem refluxo nem gastrite?

Essa é uma possibilidade que costuma passar despercebida.

Dor, queimação, empachamento e sensação de estômago cheio também podem aparecer na dispepsia funcional, um distúrbio que provoca sintomas na parte superior do sistema digestivo mesmo sem uma alteração estrutural que explique o quadro.

Em uma coluna publicada no SaúdeLab, a gastroenterologista Dra. Beatriz Soares chama atenção justamente para essa confusão.

Segundo ela, muitos pacientes chegam ao consultório falando em “gastrite nervosa” por causa de sintomas como dor no estômago, queimação e empachamento, mas podem ter outra condição.

A chamada “gastrite nervosa” não é um diagnóstico médico. O estresse pode intensificar sintomas digestivos e alterar a forma como o organismo percebe o desconforto, mas isso não significa que tenha causado uma inflamação no estômago.

Os sintomas podem se confundir

Refluxo e gastrite têm manifestações diferentes, mas algumas queixas se sobrepõem. Por isso, o que a pessoa sente pode dar pistas, mas não permite confirmar sozinho o diagnóstico.

Queimação no peito que sobe para a garganta, gosto ácido na boca e regurgitação apontam mais para refluxo.

dor ou desconforto na parte superior do abdômen, náusea e sensação de estômago cheio aparecem com frequência em problemas que afetam o estômago, incluindo a gastrite.

As duas condições também podem existir ao mesmo tempo.

O tratamento é diferente?

Pode ser. E esse é um dos motivos para não tentar escolher o diagnóstico sozinho.

  • No refluxo, o tratamento pode incluir mudanças de hábitos e medicamentos que reduzem a produção de ácido, dependendo da frequência e da intensidade dos sintomas.
  • Na gastrite, é preciso investigar o que provocou a inflamação. Quando existe H. pylori, por exemplo, o tratamento precisa ser direcionado para eliminar a bactéria.

Por isso, aliviar a azia não significa necessariamente ter tratado a causa do problema.

Quando é hora de procurar um médico?

Queimação ou dor que aparece repetidamente, persiste por semanas ou interfere na alimentação e na rotina merece avaliação.

Também é importante procurar atendimento diante de vômito com sangue, fezes pretas ou com sangue, dificuldade para engolir, perda de peso sem explicação, anemia ou vômitos persistentes. Esses sinais precisam de investigação médica.

Quando o desconforto insiste em voltar, o mais importante é descobrir a causa em vez de simplesmente dar um nome ao sintoma.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

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