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Virose ou intoxicação intestinal: o que você come no verão pode explicar
Todos os verões, o cenário se repete em muitos consultórios e plantões: aumenta de forma significativa o número de pacientes com intoxicação intestinal. Muitos chegam dizendo que estão com “virose”, mas nem sempre é isso. Entender essa diferença é fundamental para evitar agravamentos.
O verão reúne uma combinação perfeita para esses quadros — calor intenso, umidade elevada, maior circulação de pessoas e mudanças na rotina alimentar.
Passamos mais tempo fora de casa, relaxamos nos cuidados com higiene e armazenamento dos alimentos e, sem perceber, criamos um ambiente favorável à proliferação de vírus, bactérias e fungos.
Crianças e idosos costumam ser os mais afetados. Eles desidratam mais rápido e sentem os efeitos da intoxicação intestinal de forma mais intensa, o que ajuda a explicar o aumento das internações nessa época do ano.
Calor, armazenamento e riscos que muita gente ignora
Sempre reforço que, no calor, alimento preparado deve ser consumido o quanto antes.
Quanto mais tempo ele permanece fora da geladeira, maior é o risco de contaminação e proliferação bacteriana.
Isso vale para refeições completas, lanches, frutas cortadas e qualquer alimento fresco.
Um erro comum é acreditar que o problema está apenas na comida de rua.
Dentro de casa, especialmente em locais de veraneio, os riscos também existem.
Em muitas regiões, há falhas no saneamento básico e contaminação da água usada no dia a dia, o que aumenta o risco de intoxicação intestinal, mesmo quando o preparo é doméstico.
Por isso, higiene adequada, refrigeração correta e atenção aos hábitos alimentares precisam fazer parte da rotina, independentemente do local.
Alimentos e bebidas que merecem atenção redobrada na praia
Alguns itens concentram maior risco e aparecem com frequência nos casos de atendimento. Costumo orientar cautela especial com:
- Espetinhos de camarão e frutos do mar
Crustáceos absorvem impurezas e toxinas com facilidade e exigem armazenamento rigoroso. Fora de ambientes controlados, o risco de intoxicação intestinal é elevado.
- Gelo de procedência desconhecida
Muitas vezes é feito com água não potável e pode transmitir doenças como a hepatite A, pela via fecal-oral.
- Chup-chups ou sacolés artesanais
Não há garantia sobre a origem da água, a higiene no preparo ou as condições de armazenamento.
- Amendoim e castanhas vendidos por ambulantes
Podem conter micotoxinas produzidas por fungos, associadas a enjoo, vômitos e outros problemas intestinais. Além disso, o amendoim é altamente alergênico.
- Bebidas preparadas por ambulantes, como batidas e caipirinhas
A incerteza sobre a procedência da água, do gelo e das frutas aumenta o risco de contaminação.
Esses cuidados não têm relação com preconceito, mas com segurança alimentar e prevenção de quadros que podem evoluir para uma intoxicação intestinal mais grave.
O que costumo recomendar como opções mais seguras
Algumas escolhas simples ajudam bastante a reduzir os riscos no verão.
A água de coco, por exemplo, é uma excelente aliada para hidratação, desde que consumida diretamente da fruta.
Biscoito de polvilho e torradas simples costumam ser bem tolerados pelo intestino, inclusive durante quadros de diarreia e mal-estar intestinal, desde que sem recheios ou excesso de gordura.
Frutas também são boas opções, desde que bem lavadas e higienizadas antes do consumo.
Quando falamos em líquidos, a prioridade deve ser sempre a hidratação adequada, com água potável e preparações feitas em casa, em condições seguras de higiene.
Quadro de intoxicação intestinal
A intoxicação intestinal pode ocorrer pela ingestão de toxinas produzidas por bactérias ou fungos, ou pela infecção direta por vírus e bactérias presentes nos alimentos.
Os sintomas mais comuns são diarreia, enjoo, vômitos e dor abdominal. Diante disso, o ponto mais importante do tratamento é a hidratação.
Costumo orientar meus pacientes a repor líquidos e eletrólitos, como sódio e potássio, alternando entre:
- água;
- água de coco;
- soro de reidratação oral (caseiro ou de farmácia).
A alimentação, nesse período, deve ser leve e natural.
Alimentos muito gordurosos, açucarados, fermentativos ou ultraprocessados tendem a piorar os sintomas e prolongar o quadro.
Outro ponto essencial é evitar atividade física enquanto houver sintomas.
O exercício aumenta a perda de líquidos e eletrólitos, agravando a desidratação.
Em casos mais intensos, principalmente quando surgem sinais claros de desidratação, a internação hospitalar pode ser necessária para hidratação venosa e acompanhamento médico.
Na prática, o que sempre reforço é que a prevenção começa com atenção aos detalhes do dia a dia.
Cuidar da higiene, do armazenamento dos alimentos e das escolhas que fazemos no calor é uma forma simples e eficaz de evitar a intoxicação intestinal e atravessar o verão com mais saúde e tranquilidade.
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Dr. Alexandre Nishimura
Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.
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