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Muito além da academia: o que cientistas descobriram sobre creatina e câncer
A creatina se tornou uma das suplementações mais populares entre quem frequenta academias. Conhecida principalmente por ajudar no desempenho físico e no ganho de massa muscular, ela agora começa a chamar atenção dos pesquisadores por um motivo diferente.
Um novo estudo sugere que a substância também pode ter um papel importante no funcionamento de células do sistema imunológico envolvidas na defesa do organismo contra o câncer.
O que chamou a atenção dos cientistas foi a possibilidade de a creatina fazer algo além do que se imaginava.
Em vez de atuar apenas nos músculos, ela também parece influenciar células importantes para a coordenação das defesas do organismo.
O efeito inesperado da creatina fora dos músculos
A creatina funciona como uma reserva rápida de energia para as células.
No novo estudo, os pesquisadores descobriram que ela também parece ser importante para o funcionamento das chamadas células dendríticas, que ajudam a coordenar a resposta do sistema imunológico.
Essas células atuam como sentinelas do organismo. Elas identificam ameaças e ajudam a orientar outras células de defesa sobre o que deve ser combatido.
Nos experimentos, quando as células dendríticas tiveram dificuldade para utilizar creatina, ficaram menos ativas e perderam parte da capacidade de estimular a resposta imunológica.
Já quando receberam mais creatina, apresentaram sinais de funcionamento mais eficiente.
O que isso tem a ver com o câncer?
As células dendríticas estudadas pelos pesquisadores têm papel importante na imunoterapia, tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar tumores.
Segundo os autores, a creatina parece ajudar essas células a manter a energia necessária para desempenhar suas funções.
Em teoria, isso poderia fortalecer uma etapa importante da resposta imunológica contra o câncer.
Por isso, os cientistas acreditam que entender melhor esse mecanismo pode abrir caminho para novas estratégias capazes de potencializar tratamentos baseados na imunidade.
Quem toma creatina já está obtendo esse benefício?
Ainda não se sabe.
Os experimentos foram realizados em células humanas analisadas em laboratório e em modelos animais. Isso significa que os resultados não podem ser automaticamente aplicados às pessoas.
Na prática, o estudo identificou um mecanismo biológico promissor que ainda precisa ser investigado em seres humanos.
Até o momento, não há evidências de que a suplementação de creatina previna câncer, fortaleça a imunidade de pacientes oncológicos ou aumente a eficácia dos tratamentos atuais.
Por isso, ninguém deve iniciar ou modificar o uso de suplementos com esse objetivo sem orientação médica.
O que esse estudo muda na prática?
Por enquanto, a descoberta não muda a forma como a creatina é utilizada nem representa uma nova estratégia de tratamento.
O principal avanço está na compreensão de como células importantes do sistema imunológico obtêm a energia necessária para funcionar.
Se estudos futuros confirmarem esses resultados em seres humanos, os cientistas poderão explorar novas maneiras de fortalecer respostas imunológicas usadas em tratamentos contra o câncer.
Publicada na revista científica iScience, a pesquisa reforça uma ideia que vem ganhando espaço nos últimos anos. A creatina pode exercer funções muito mais amplas no organismo do que aquelas tradicionalmente associadas aos músculos.
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