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O SUS está demorando demais? Saiba quando a Justiça pode ser uma saída
Quem já esperou meses por uma cirurgia, um exame, uma consulta especializada ou um medicamento pelo SUS conhece bem essa angústia.
Nesse contexto, uma dúvida que aparece com frequência entre meus clientes é: quando o SUS demora, é possível recorrer à Justiça? A resposta, em muitos casos, é sim.
Mas existe um ponto importante. Nem toda espera gera automaticamente um processo com resultado favorável.
Cada situação precisa ser analisada, principalmente quando a demora compromete a saúde ou aumenta o risco de agravamento da doença.
A saúde é um direito, não um favor
O artigo 196 da Constituição Federal diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado.
Isso significa que União, estados e municípios têm a obrigação de garantir o acesso ao tratamento, e não apenas oferecer atendimento quando há estrutura disponível.
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que os entes públicos têm responsabilidade solidária na área da saúde.
Na prática, isso permite que o paciente busque judicialmente o acesso ao tratamento, cabendo à Justiça analisar qual órgão público deverá cumprir a decisão.
Quando a demora pode ser considerada excessiva
Não existe um prazo único que valha para todos os casos. A gravidade do quadro, o risco para o paciente e a urgência indicada pelo médico fazem diferença.
Ainda assim, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utiliza alguns parâmetros para avaliar situações de demora excessiva.
Em cirurgias que não são de emergência e podem ser programadas, por exemplo, uma espera superior a 180 dias pode ser considerada excessiva.
Para consultas e exames especializados, também existem parâmetros que ajudam a avaliar se a demora ultrapassou um limite razoável.
Mas esses números não funcionam como uma regra automática.
Em casos urgentes, a necessidade de atendimento pode ser reconhecida muito antes disso, especialmente quando há risco de piora do quadro ou perda de qualidade de vida.
Também é importante lembrar que recorrer à Justiça não significa “furar a fila”.
Os tribunais costumam diferenciar quem busca atendimento diante de uma demora excessiva ou de uma negativa do poder público de situações em que não há urgência comprovada.
O que fazer antes de procurar um advogado
Alguns cuidados simples podem fazer diferença caso seja necessário buscar ajuda judicial depois.
Peça que a solicitação do exame, cirurgia, consulta ou medicamento fique registrada e guarde protocolos, encaminhamentos e documentos.
Se houver negativa, solicite um documento explicando o motivo da recusa.
Também vale registrar uma reclamação na Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136 ou pelos canais oficiais do Ministério da Saúde.
Esse histórico ajuda a demonstrar que o paciente tentou resolver a situação administrativamente e pode servir como prova da demora ou da negativa de atendimento.
O laudo médico faz diferença
Um dos documentos mais importantes nesses casos é o laudo ou relatório médico.
Ele deve explicar o diagnóstico, a urgência do tratamento, os riscos da espera e por que aquele procedimento, exame ou medicamento é necessário.
Quanto mais claras forem essas informações, mais fácil será demonstrar à Justiça a necessidade do atendimento.
Como funciona o pedido na Justiça
Com a documentação reunida, é possível ingressar com uma ação judicial e pedir uma liminar.
A liminar é uma decisão provisória, analisada logo no início do processo, justamente para evitar que o paciente precise esperar o julgamento final quando há urgência.
Se ela for concedida, o juiz pode determinar que o tratamento, o exame, a cirurgia ou o fornecimento do medicamento aconteçam antes do fim da ação.
O processo completo pode levar mais tempo, mas a análise do pedido urgente costuma ocorrer nos primeiros momentos do processo.
O paciente não precisa enfrentar essa situação sozinho
Esperar por um tratamento necessário pode ser desgastante e gerar insegurança para toda a família.
Quando a espera ultrapassa limites razoáveis ou coloca a saúde em risco, é possível recorrer à Justiça caso o SUS demore a oferecer o atendimento necessário. Para isso, é importante ter documentos que comprovem a necessidade e a urgência do caso.
Ter os documentos corretos e buscar orientação no momento adequado pode ser importante para avaliar quais caminhos estão disponíveis e garantir o acesso ao tratamento de forma mais rápida.
Marina Lima é advogada. Nesta coluna, aborda questões jurídicas que fazem parte do cotidiano de pessoas que precisam acessar direitos relacionados à saúde. @fariaelimaadvocacia
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