Os últimos anos trouxeram desafios importantes para o acesso à alimentação, com períodos de aumento dos preços dos alimentos que pressionam o orçamento das famílias e podem dificultar a manutenção de uma dieta variada.
Esse cenário é influenciado por diferentes fatores, entre eles alterações climáticas, eventos extremos, crises hídricas, custos de produção e instabilidades nas cadeias de abastecimento.
No Brasil, embora a inflação tenha desacelerado ao longo de 2026, os preços dos alimentos continuam sendo uma preocupação para o orçamento das famílias.
Diante disso, conhecer melhor a biodiversidade brasileira e observar o que está disponível em cada época do ano pode ajudar nas escolhas.
Alimentos da safra podem ser aliados
Consumir alimentos regionais e da safra contribui para diversificar a alimentação e pode favorecer escolhas mais econômicas, já que uma maior oferta pode influenciar os preços.
Em setembro, por exemplo, estão entre os alimentos da safra itens como abacate, tangerina, abóbora, chuchu, beterraba e almeirão.
A disponibilidade varia conforme a região, mas observar o que está em maior oferta nas feiras e mercados ajuda a adaptar o planejamento das refeições.
Essa escolha também valoriza a produção local e amplia o contato com alimentos que fazem parte da biodiversidade e da cultura alimentar brasileira.
PANC ampliam as possibilidades
O resgate do conhecimento sobre as Plantas Alimentícias Não Convencionais, as PANC, também pode ampliar as possibilidades à mesa.
Essas plantas representam parte da biodiversidade brasileira e podem contribuir para aumentar a variedade de alimentos consumidos, além de preservar conhecimentos e tradições alimentares.
Aproveitamento integral reduz desperdícios
Do ponto de vista da técnica dietética, aproveitar melhor os alimentos que já estão em casa também é uma estratégia de economia e sustentabilidade.
Cascas, folhas e talos de alguns alimentos podem ser utilizados em diferentes preparações, desde que sejam próprios para consumo e estejam adequadamente higienizados.
A casca da abóbora, por exemplo, pode entrar em assados, sopas e purês. Folhas e talos de beterraba podem ser utilizados em farofas e refogados.
O objetivo não é consumir todas as partes de todos os alimentos, mas evitar o descarte desnecessário daquilo que pode ser aproveitado.
Como aproveitar melhor a safra
Algumas atitudes simples podem fazer diferença no dia a dia:
- Planeje as compras: observe os alimentos da safra e organize parte das refeições a partir deles.
- Compare preços: feiras, mercados e varejões podem apresentar valores diferentes para um mesmo alimento.
- Aproveite partes comestíveis: cascas, folhas e talos podem enriquecer diferentes preparações.
- Congele excedentes: quando houver excesso, o congelamento pode ajudar a reduzir perdas.
- Varie os preparos: abóbora e batata-doce podem ser assadas com casca após higienização adequada, enquanto folhas e talos de beterraba podem entrar em farofas e refogados.
Escolhas conscientes em um período de pressão sobre os preços também passam por observar a sazonalidade, aproveitar melhor os alimentos e reduzir desperdícios.
Essas atitudes não resolvem os problemas econômicos que afetam o acesso à comida, mas podem ajudar as famílias a usar melhor os recursos disponíveis.
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