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Alimentos remosos: o que são, exemplos mais citados e quando é preciso ter cuidado
Os alimentos remosos são um termo popular muito conhecido no Brasil, especialmente quando o assunto envolve inflamação, cicatrização, espinhas, coceiras ou recuperação após cirurgias, tatuagens e doenças.
Muita gente escuta recomendações como “evite alimento remoso” sem entender exatamente o que isso significa.
De forma clara e direta, alimentos remosos não são um conceito científico, mas uma expressão cultural usada para descrever alimentos que, em determinadas pessoas e situações, podem favorecer inflamações ou piorar desconfortos quando consumidos em excesso.
Isso não significa que sejam proibidos, nem que causem problemas sozinhos. O efeito está relacionado ao conjunto da alimentação, à frequência de consumo e à condição de saúde de cada pessoa.
O que são alimentos remosos, na prática
No dia a dia, o termo “remoso” costuma ser usado para alimentos considerados “fortes”, “pesados” ou “inflamatórios”.
Essa ideia surgiu da observação popular de que certos alimentos parecem piorar quadros como feridas inflamadas, acne, coceiras, alergias ou mal-estar geral.
Do ponto de vista da saúde, essa percepção tem relação com dietas ricas em:
- açúcar refinado;
- gordura saturada;
- alimentos ultraprocessados;
- baixo consumo de fibras, frutas e verduras.
Esse padrão alimentar pode estimular inflamação de baixo grau no organismo, o que ajuda a explicar os sintomas relatados.
Um ponto importante: alimentos remosos não “acidificam o sangue”. O corpo humano controla o pH sanguíneo de forma rigorosa. O que muda é a resposta inflamatória do organismo ao longo do tempo.
Quais são os alimentos remosos mais citados
Não existe uma lista oficial, mas alguns alimentos aparecem com frequência quando o assunto é “remoso”. Entre os mais citados estão:
- frituras e alimentos preparados em óleo reutilizado;
- carnes muito gordurosas e embutidos;
- doces, bolos, refrigerantes e produtos ricos em açúcar refinado;
- alimentos ultraprocessados em geral;
- consumo excessivo de laticínios, especialmente em pessoas sensíveis.
Vale reforçar: o consumo ocasional não costuma causar problemas. O risco está no excesso e na repetição dentro de uma alimentação desequilibrada.
Quais efeitos os alimentos remosos podem causar
Os efeitos atribuídos aos alimentos remosos variam bastante. Muitas pessoas não sentem nada. Quando surgem, geralmente estão ligados a exageros frequentes.
- Inflamação: dietas pobres em fibras e ricas em ultraprocessados estão associadas ao aumento de processos inflamatórios no organismo.
- Desconfortos digestivos: gases, estufamento, azia, diarreia ou intestino preso podem aparecer, principalmente em pessoas mais sensíveis.
- Alterações na pele: algumas pessoas percebem piora da acne, aumento da oleosidade ou cicatrização mais lenta quando a alimentação está desequilibrada.
- Mal-estar geral: cansaço, dor de cabeça e sensação de peso no corpo também podem ocorrer, especialmente com consumo elevado de açúcar.
É fundamental destacar que nenhum alimento isolado é responsável por esses efeitos. O impacto real vem do padrão alimentar mantido ao longo do tempo.
Por que algumas pessoas sentem efeitos e outras não
Uma dúvida comum é por que algumas pessoas reagem aos chamados alimentos remosos e outras não. Isso acontece por vários fatores:
- sensibilidade individual;
- funcionamento do intestino e da microbiota;
- presença de doenças inflamatórias ou crônicas;
- nível de estresse, sono e hidratação;
- qualidade geral da alimentação.
Quem já tem inflamação ativa, problemas de pele, alergias ou doenças crônicas costuma perceber mais facilmente os efeitos de uma alimentação desequilibrada.
Quem deve ter mais cuidado com alimentos remosos
Alguns grupos se beneficiam de maior moderação:
Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças renais ou inflamatórias, tendem a responder pior a dietas ricas em açúcar, gordura saturada e ultraprocessados.
Gestantes e lactantes devem priorizar uma alimentação nutritiva e variada, evitando excessos que possam comprometer sua saúde e a do bebê.
Pessoas em recuperação de cirurgias, feridas, infecções ou inflamações ativas costumam evoluir melhor quando mantêm uma alimentação mais leve e baseada em alimentos naturais.
Alimentos remosos no pós-operatório e no pós-parto
No pós-operatório e no pós-parto, é comum ouvir recomendações para evitar alimentos remosos. O objetivo não é proibição, mas favorecer a cicatrização e reduzir inflamações.
Nesses períodos, uma alimentação rica em:
- proteínas de boa qualidade;
- frutas, verduras e legumes;
- fibras e boa hidratação;
costuma ser mais benéfica. Reduzir frituras, doces e ultraprocessados ajuda o corpo a se recuperar melhor.
Alimentos remosos atrapalham tatuagem ou piercing?
Não há evidência científica de que alimentos remosos prejudiquem diretamente tatuagens ou piercings.
O que existe é uma relação indireta. Uma alimentação pobre em nutrientes pode dificultar a cicatrização da pele.
Após fazer uma tatuagem, o mais importante é seguir os cuidados locais, manter boa hidratação, dormir bem e ter uma alimentação equilibrada. Evitar excessos nesse período é uma atitude sensata, não uma regra rígida.
Mitos e verdades sobre alimentos remosos
Alimentos remosos inflamam feridas?
Podem contribuir indiretamente se fizerem parte de uma dieta desequilibrada, mas não causam inflamação sozinhos.
Devem ser totalmente cortados da alimentação?
Não. Moderação e equilíbrio são mais importantes do que exclusão total.
Eles alteram o pH do sangue?
Não. O organismo regula o pH sanguíneo de forma rigorosa.
Como reduzir os possíveis efeitos dos alimentos remosos
Algumas atitudes simples ajudam bastante:
- evitar exageros frequentes;
- equilibrar as refeições com alimentos naturais;
- mastigar bem e comer devagar;
- manter boa hidratação ao longo do dia.
Se os sintomas forem frequentes ou intensos, o ideal é procurar um profissional de saúde para avaliação individual.
Em resumo
Alimentos remosos são um conceito popular, não científico. Eles não precisam ser demonizados, mas compreendidos dentro do contexto da alimentação como um todo.
Uma dieta equilibrada, variada e baseada em alimentos naturais continua sendo a principal estratégia para reduzir inflamações, favorecer a cicatrização e manter a saúde a longo prazo.
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Referências
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