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Puerpério no Carnaval: limites que protegem mãe e bebê
No Carnaval, muita gente vai para a rua. Em casa, a folga costuma abrir outra janela e família e amigos querem conhecer o bebê. Eu entendo a empolgação e o afeto. Só que, no puerpério, uma visita surpresa pode virar sobrecarga.
Ela atrapalha o descanso, atravessa mamadas, aumenta a ansiedade e deixa a mãe com a sensação de que precisa dar conta de tudo.
O problema raramente é a visita em si. O que pesa é a falta de limite, o bebê passar de colo em colo e a dificuldade de respeitar sinais de cansaço.
No pós-parto, combinados simples costumam evitar atrito e proteger a rotina.
Quando o ambiente passa do ponto
Barulho, luz, vozes e movimento podem ultrapassar a capacidade de regulação de um recém-nascido.
Para um bebê pequeno, especialmente recém-nascido, uma casa cheia pode se tornar um excesso de estímulos difícil de equilibrar.
Quando isso acontece, a mãe costuma sentir junto, com mais tensão e vigilância.
No bebê, alguns sinais costumam aparecer cedo e se repetir quando o ambiente fica intenso.
- Choro mais forte e difícil de consolar;
- Irritação com barulho e movimento;
- Desconforto ao passar de colo em colo e tensão ao toque;
- Piora do sono ou dificuldade para adormecer;
- Reações físicas como diarreia ou febre baixa.
Nem sempre é doença. Muitas vezes é sobrecarga de estímulos.
Do lado da mãe, entram sinais como ansiedade crescente, irritabilidade persistente, choro frequente, sensação constante de alerta e dificuldade de dormir mesmo quando o bebê dorme.
Combinados que evitam desgastes
A ideia não é proibir visitas. É organizar para o puerpério não virar prova de resistência.
Muitas famílias não têm facilidade para dizer “prefiro que você higienize as mãos antes” ou “não quero visitas agora”. Por isso, acordos claros ajudam.
- Visita só com horário combinado e duração curta;
- Regra de higiene para todo mundo, como lavar as mãos antes de tocar no bebê;
- Nada de aparecer sem avisar, mesmo que “rapidinho”;
- Menos colo em sequência e pedir o bebê de volta sem culpa quando notar sinais;
- Um plano de pausa com um quarto mais silencioso por alguns minutos;
- Parceiro como filtro do ambiente, para a puérpera não carregar isso sozinha.
Quando buscar ajuda
Se a exaustão se arrastar por semanas, a ansiedade crescer todos os dias ou a tristeza virar constante, buscar apoio de um profissional de saúde perinatal pode evitar o agravamento e aliviar a culpa.
Você não precisa enfrentar isso sozinha.
No Carnaval, a rua pode ser festa. Em casa, o puerpério precisa ser abrigo.
Cuidar da mãe é cuidar do bebê.
Leitura Recomendada: 6 sinais de estresse no bebê quando a casa está cheia (e a mãe começa a sentir no corpo)
Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Dedica-se à saúde mental materna desde sua formação inicial, sendo autora de centenas de trabalhos científicos voltados à redução dos altos índices de sofrimento emocional durante a gestação e o puerpério.



